Na Cimed, sucessão já está em curso: nova geração assume área comercial e mira o topo
A sucessão em empresas familiares costuma ser um dos momentos mais sensíveis da trajetória corporativa. Na Cimed, uma das maiores farmacêuticas brasileiras, esse processo já começou, de forma gradual, estruturada e com foco na formação de lideranças capazes de sustentar o crescimento acelerado da companhia.
À frente do negócio hoje, o presidente João Adibe representa a segunda geração da família no comando. Agora, o movimento envolve preparar a terceira geração, com destaque para Adibe Marques, seu filho mais velho, que aos 27 anos assumiu neste ano a liderança da área comercial, considerada estratégica para o futuro da empresa que busca chegar aos R$ 10 bilhões de faturamento até 2030.
“Não é porque é meu filho que será CEO. Vai ser o mais preparado — seja alguém da família ou do mercado. E eu sempre falei para ele: se estiver preparado de coração, ótimo”, afirma João Adibe, que agora prepara o filho para a cadeira de CEO.
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Formação prática desde cedo
O começo de Adibe Marques na Cimed aconteceu há 10 anos, acompanhando o pai na rotina da empresa.
“Fui assumindo responsabilidades aos poucos. A gente constrói o caminho entregando resultado e enfrentando desafios”, diz Adibe Marques, que optou em não fazer curso superior e afirma que a experiência prática foi determinante na sua formação como líder.
Para o CEO, a preparação do sucessor começou muito antes da ocupação de cargos executivos.
“Quando ele diz que trabalha comigo há dez anos, eu brinco que começou com um ano de idade, indo para convenções e reuniões. Isso vai formando cultura e visão de negócio”, diz.
Assumir a área comercial, segundo Adibe Marques, representa um passo importante nessa trajetória de sucessão.
“A Cimed é uma empresa de vendas. Somos indústria farmacêutica, mas nossa essência é vender bem. Liderar essa área hoje é um privilégio e uma responsabilidade enorme”, afirma.
Cultura comercial como escola de liderança
A aposta na área comercial como espaço de formação de líderes não é casual. Para João Adibe, o setor de vendas é o motor de qualquer organização.
“Sem vendas, o negócio não existe. Por isso, formar líderes comerciais preparados é garantir o futuro da companhia”, diz.
Ainda sobre negócios, o novo diretor executivo defende que a principal força competitiva está nas pessoas.
“Área comercial é uma máquina de gente. Quem faz mais precisa ser reconhecido mais. Meritocracia e desenvolvimento interno são o que sustentam crescimento consistente”, afirma.
Governança além da lógica familiar
Apesar de manter controle familiar, a Cimed hoje opera com estrutura de governança mais robusta, incluindo investidores institucionais e processos típicos de grandes corporações. E segundo João Adibe, isso impacta diretamente a sucessão.
“A empresa não é mais apenas familiar. Temos governança corporativa forte e compromisso com mercado e crescimento sustentável”, afirma João Adibe.
Segundo ele, isso reduz riscos comuns em sucessões familiares e amplia a profissionalização da gestão.
“Quando entra um fundo ou um sócio, a primeira preocupação é quem são os sucessores. Porque são eles que vão garantir a sustentabilidade do negócio.”
Preparar sem blindar
Um dos principais desafios, na visão do CEO, é formar sucessores sem protegê-los excessivamente das dificuldades do negócio.
“Se você protege demais, o sucessor não cria casca. Liderança se constrói enfrentando pressão, tomando decisão e aprendendo com erro”, afirma João Adibe, que junto com o filho diz que seguirá ativo nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, ele acredita que a nova geração precisa construir identidade própria.
“Existe um buraco entre gerações. Foram poucos empresários que conseguiram perpetuar o empreendedorismo dentro da empresa familiar”, diz. “O desafio não é assumir a cadeira. É mostrar o que você vai fazer de diferente para a empresa continuar líder”, diz.
Troca de comando ainda sem prazo
Não há uma data definida para a sucessão formal. João Adibe afirma que pretende continuar ativo enquanto houver energia, embora reconheça que o futuro envolve uma transição natural.
“Se você me perguntar o que quero ser lá na frente, digo sem dúvida: vendedor. Não tem nada melhor do que bater meta”, afirma o CEO.
Até lá, a estratégia da Cimed segue uma meta constante: preparar lideranças, fortalecer cultura empresarial e garantir continuidade sem ruptura.
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