Na cúpula do G7, Lula chama Donald Trump de 'mau exemplo para democracia'

Por Mateus Omena 17 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Na cúpula do G7, Lula chama Donald Trump de 'mau exemplo para democracia'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas ao governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 17, durante uma conversa com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, na cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Em um diálogo registrado por câmeras da agência Associated Press, Lula afirmou que não suporta o comportamento adotado pelo governo americano.

Os dois líderes participam do encontro como convidados do grupo e conversavam de maneira informal na sala principal do evento, sem a presença dos demais chefes de Estado. A gravação captou apenas parte da conversa.

Durante o diálogo, Lula afirmou que o Brasil "não tem divergência com nenhum país" e que "não gosta de briga". Na sequência, falou sobre a gestão de Donald Trump: "Eu não suporto o comportamento do governo americano".

Parte da conversa não pode ser compreendida devido à qualidade do áudio. Em outro momento, porém, o presidente brasileiro menciona um "imperador", expressão que já utilizou anteriormente ao se referir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora o nome do americano não seja ouvido na gravação.

Lula também criticou a postura de quem "acha que pode levantar de manhã e dar ordem para o mundo todo". A declaração foi interpretada como uma referência ao presidente americano, em linha com manifestações feitas pelo brasileiro em outras ocasiões. Em seguida, afirmou que esse comportamento representa um "mau exemplo para a democracia".

As críticas repetem posicionamentos anteriores do presidente brasileiro. Em entrevista ao jornal espanhol El País, em abril, Lula declarou que "Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país".

Já durante a cúpula do Brics realizada no Rio de Janeiro, em 2025, o presidente comentou a possibilidade de imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos. Na ocasião, afirmou: "O mundo mudou, não queremos imperador. Nós somos países soberanos. Se ele achar que ele pode taxar, os países têm o direito de taxar também."

Segundo o vídeo registrado pela Associated Press, Lee Jae-myung ouviu os comentários sem fazer observações sobre o tema. Posteriormente, direcionou a conversa para o turismo e perguntou sobre a quantidade de visitantes que o Brasil recebe.

Lula participa do encontro do G7 como convidado. O grupo reúne Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá, Itália, Japão e Alemanha. Também participam do evento outros países convidados, entre eles Egito, Índia e Ucrânia. Trump esteve presente na reunião, mas não realizou um encontro bilateral formal com Lula durante a agenda oficial. Os dois apenas se cumprimentaram em um evento social realizado na noite de terça-feira, 16.

Lula cobra ação dos países ricos no G7

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ampliada do G7 sobre o tema “Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentável, em benefício de todos”, em Évian-les-Bains - França. (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Durante discurso realizado na terça-feira, 16, o presidente brasileiro afirmou que as economias mais desenvolvidas têm falhado em responder à crise global de desenvolvimento. Sem citar diretamente governos ou líderes, Lula fez críticas ao neoliberalismo e ao protecionismo presente na política comercial adotada pela administração Trump.

"Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe", afirmou o presidente em sua fala.

O chefe do Executivo também abordou o combate ao crime organizado transnacional. Segundo Lula, as ações contra essas organizações devem ocorrer com respeito à soberania dos Estados.

Ao tratar do narcotráfico, afirmou que a atividade criminosa "aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas". Também declarou que o enfrentamento do problema "não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas."

O tema ganhou relevância após uma decisão anunciada pelos Estados Unidos. Em 28 de maio, o Departamento de Estado americano classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A medida foi anunciada dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL) reunir-se com Trump na Casa Branca. O parlamentar, apontado como possível candidato à Presidência da República em outubro, solicitou pessoalmente a adoção da medida pelo governo americano.

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