‘Não contamos com desabastecimento de diesel’, diz presidente da Petrobras

Por Layane Serrano 10 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘Não contamos com desabastecimento de diesel’, diz presidente da Petrobras

Rio de Janeiro - Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e à volatilidade no preço do petróleo, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirma em entrevista exclusiva à EXAME que o Brasil não deve enfrentar falta de diesel, e que há uma estratégia coordenada com o governo federal para evitar impactos mais severos no bolso do consumidor.

“Não estamos contando com desabastecimento. A Petrobras é capaz de fornecer e garantir que esse desabastecimento não ocorrerá, é claro, com algum tipo de importação complementar”, diz a presidente.

A avaliação ocorre em um cenário global ainda instável. Segundo Chambriard, o conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel agravou uma cadeia de eventos que já vinha pressionando o mercado desde a guerra entre Rússia e Ucrânia, elevando custos, desorganizando cadeias produtivas e pressionando preços.

Apesar disso, o Brasil ocupa hoje uma posição mais confortável do que em crises anteriores.

“Na década de 70, o Brasil importava petróleo. Hoje é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, e a Petrobras responde por cerca de 70% do diesel produzido internamente”, afirma.

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Estratégia para evitar falta de diesel

Para garantir o abastecimento, a companhia aposta em três frentes: aumento da capacidade de refino, importações complementares e ampliação da produção nacional no médio prazo.

Segundo a presidente, há projetos para elevar a participação da Petrobras no fornecimento de diesel no país de 70% para 85%, além de estudos para atingir até 100% da demanda nacional em cinco anos.

“Estamos estudando como é que a gente faz face à sensibilidade geopolítica que esse produto apresentou agora, que é sobre a nossa capacidade de fornecer, sim, 100% do diesel consumido em território nacional”, afirma.

Governo amplia subsídios e mercado começa a aderir

Além da atuação da Petrobras, o governo federal tem adotado medidas para conter o impacto da alta internacional no mercado doméstico, especialmente por meio de subsídios ao diesel importado.

Uma das principais ações foi a ampliação do programa de subvenção, que passou a oferecer um incentivo maior por litro importado, como forma de evitar repasses imediatos ao consumidor.

Nesse contexto, a Vibra Energia, maior distribuidora de combustíveis do país, que comprou a BR Distribuidora da Petrobras em 2019, anunciou que pretende aderir ao programa já em abril.

A entrada da Vibra ocorre poucos dias após o governo reforçar o pacote de subsídios, em meio à pressão internacional sobre os preços de energia. Até o momento, no entanto, a distribuidora é a única entre as grandes do setor a confirmar adesão imediata.

O avanço da medida também enfrenta questionamentos. Uma decisão recente da Justiça Federal suspendeu, para cinco petroleiras, a cobrança de um imposto sobre exportação de petróleo, outro instrumento do pacote, o que pode reduzir o alcance das ações adotadas pelo governo.

Política de preços busca estabilidade

Outro pilar da estratégia é a política de preços da Petrobras, que a presidente chama de “estratégia de preço”, a qual é baseada no não repasse imediato da volatilidade internacional.

“A estratégia de preço da Petrobras é baseada no não repasse da volatilidade dos preços dos combustíveis ao consumidor final”, afirma Chambriard.

A estatal, segundo a presidente, abandonou reajustes frequentes e passou a trabalhar com médias e tendências, numa tentativa de reduzir a pressão inflacionária em um país altamente dependente do transporte rodoviário.

“Se o preço estiver subindo, a gente sobe. Se estiver descendo, a gente desce, mas num intervalo razoável para garantir estabilidade”, diz a presidente.

Pressão está fora da refinaria

Apesar dos esforços para conter os preços na origem, a presidente chamou atenção para o avanço das margens na distribuição e revenda.

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), segundo ela, mostram que essas margens chegaram a subir mais de 150% em um curto período, o que ajuda a explicar por que o consumidor final nem sempre percebe os efeitos dos subsídios.

“A última vez que nós aumentamos o diesel fazia 400 dias. Aumentamos 38 centavos e deveria chegar tão somente 2 centavos, mas chegou a mais de R$ 2,00".

Combustível como ativo estratégico

Para Chambriard, a atuação da Petrobras vai além do resultado financeiro e envolve também um papel estratégico para o país, especialmente em momentos de crise.

“Nós não vamos passar a imagem para a sociedade de estar nos aproveitando de momentos delicados de crise e de impacto inflacionário", diz a presidente. “Que o brasileiro enxergue como uma empresa parceira do desenvolvimento nacional e parceiro do seu bolso.”

A combinação entre subsídios, política de preços e aumento da produção, segundo ela, busca equilibrar esse papel: garantir abastecimento, conter a inflação e preservar a imagem da estatal como agente de estabilidade econômica.

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