Não é só na Copa: Brasil supera Japão em tempo gasto na internet
Se existisse uma medalha mundial de tempo diante das telas, o Brasil levaria o ouro em uma prova específica — a de assistir a vídeos.
O brasileiro passa 10 horas e 49 minutos por semana consumindo conteúdo em plataformas como o YouTube, o maior tempo entre todos os países pesquisados no mundo. E esse é apenas um pedaço de um número muito maior: somada toda a vida online, o brasileiro fica conectado, em média, por 52 anos, 9 meses e 16 dias, também o recorde global.
Os dados são de um novo levantamento da empresa de cibersegurança NordVPN, divulgado nesta terça-feira, 30, que mediu os hábitos digitais da população em diferentes países.
O Brasil ficou em primeiro lugar no tempo total de vida gasto na internet, à frente do México, em segundo, com quase 43 anos, e da Lituânia, com pouco mais de 31. No extremo oposto está o Japão, que menos se conecta. Por lá, são cerca de 19 anos e 6 meses ao longo da vida.
Campeão em vídeo — e em atenção dividida
A liderança no consumo de vídeo não é um dado isolado. O brasileiro já figura entre os que mais tempo passam em plataformas de entretenimento digital, e o hábito de assistir a vídeos convive com uma rotina de telas simultâneas. Segundo a pesquisa, boa parte das pessoas admite checar redes sociais enquanto assiste a filmes ou séries, e alternar o foco entre vários aparelhos ao mesmo tempo.
É o retrato de uma vida online que raramente acontece em uma coisa de cada vez — o vídeo roda em uma tela enquanto a rede social rola em outra, e a conta de horas se multiplica.
Quase cinco dias por semana conectado
A projeção de décadas nasce de uma conta semanal. O brasileiro passa, em média, 116 horas e 7 minutos por semana na internet — o equivalente a quase cinco dos sete dias. É esse ritmo, estendido pela expectativa de vida, que resulta nas mais de cinco décadas online.
O trabalho é o que mais consome esse tempo: são 18 horas e 27 minutos semanais dedicados a atividades profissionais, a maior fatia de trabalho online entre todos os países do estudo. O restante se divide entre entretenimento, redes sociais e consumo de conteúdo.
A IA entra na rotina
O levantamento de 2026 trouxe uma novidade em relação às edições anteriores: passou a medir o tempo gasto conversando com chatbots de inteligência artificial (IA), atividade que não existia nas primeiras versões da pesquisa. Segundo a NordVPN, os assistentes de IA se tornaram parte da rotina diária de uma parcela relevante dos entrevistados.
A inclusão dessa e de outras atividades — como aplicativos de trabalho, saúde e notícias — ajuda a explicar por que os números cresceram tanto em relação ao levantamento de 2022. O Brasil foi um dos países que mais aumentaram o tempo online no período.
O outro lado da hiperconexão
Tanto tempo na rede tem contrapartidas que a própria pesquisa expõe. Parte dos entrevistados afirma sentir culpa pela quantidade de horas gastas na internet em vez de realizar tarefas importantes, e muitos relatam preocupação com a exposição dos próprios dados pessoais.
É justamente esse ponto que a NordVPN, como empresa de cibersegurança, costuma destacar: quanto mais a vida migra para o ambiente digital, maior a superfície exposta a fraudes e vazamentos. O tempo recorde de conexão do brasileiro, nesse sentido, vem acompanhado de um alerta sobre privacidade e segurança.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: