Não foi só o real: moedas da América Latina ganham do dólar em abril
O real não está sozinho na valorização. Desde o fim de março, praticamente todas as moedas da América Latina subiram frente ao dólar. O movimento tem três causas principais: o próprio enfraquecimento do dólar no mercado global, uma aparente redução das tensões entre Estados Unidos e Irã e o retorno de investidores estrangeiros em busca de moedas em países com juros altos, estratégia conhecida como carry trade.
Com o dólar a R$ 4,97 nesta terça-feira, 21, o real figura entre os destaques do período ao lado do peso mexicano. Mas o movimento é regional.
Peso chileno recupera terreno
O peso chileno subiu cerca de 5% desde o fim de março. O principal motivo foi a reabertura do estreito de Ormuz — a passagem estratégica de petróleo no Golfo Pérsico —, que reduziu o risco global e derrubou o preço do petróleo. O cobre também ajudou, sustentado pela expectativa de recuperação da economia chinesa. O Chile é um dos maiores produtores globais do metal.
A calmaria, porém, não tem sido consistente. O analista Agustín Vargas, da Capitaria, disse à Bloomberg Línea que o novo fechamento do estreito no fim de semana e os ataques a navios iranianos devolveram a tensão ao mercado e mostraram o quão frágil era a situação.
México e Brasil puxam os fluxos
O México também se valorizou por ter juros altos e moeda líquida, o que atrai capital estrangeiro de curto prazo. Janneth Quiroz, diretora de análise da Monex, explicou à Bloomberg que a apreciação recente do peso responde principalmente a fatores externos, com os fundamentos locais apenas amplificando o movimento.
O risco, ela adverte, é exatamente esse: dinheiro que entra rápido também sai rápido. Uma piora no humor dos mercados globais pode reverter o fluxo em pouco tempo.
Na Colômbia, dólar está perto de mínimas em quatro anos
O peso colombiano chegou ao nível mais forte em quase quatro anos, deixando o dólar abaixo de 3.600 pesos colombianos. A moeda se beneficiou dos preços do petróleo e do período de pagamento de impostos no país, quando empresas precisam converter dólares em pesos para honrar obrigações fiscais — o que naturalmente valoriza a moeda local.
O movimento, porém, tem prazo curto. O próprio governo colombiano comprou dólares na semana passada para uma operação de recompra de dívida externa de cerca de US$ 4 bilhões, o que pressiona o câmbio na direção contrária. O banco BBVA vê riscos de alta para o dólar no país nas próximas semanas.
Peru: eleições complicam o quadro
O sol peruano vinha se valorizando num ambiente favorável às moedas emergentes, com investidores apostando em uma virada à direita nas eleições presidenciais. Com o resultado ainda indefinido, a moeda começou a ceder.
José Silva, da Inteligo, disse à Bloomberg que o sol passou a registrar depreciação moderada por conta do aumento da incerteza política — e que, historicamente, momentos de ruído eleitoral movem o câmbio no Peru com rapidez.
Argentina: estável por enquanto
O peso argentino também registra ganhos, com o dólar comercial operando em torno de 1.360 pesos argentinos, sem grandes sobressaltos.
Mas bancos internacionais já projetam uma correção ao longo do ano. O JPMorgan estima o dólar a 1.550 pesos argentinos até o fim de 2026, alta de mais de 13%. O BBVA projeta algo próximo a 1.760 pesos — em ambos os casos, de forma gradual, sem ruptura abrupta.
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