Um ano depois, tarifaço de Trump não mudou déficit comercial dos EUA

Por Rafael Balago 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Um ano depois, tarifaço de Trump não mudou déficit comercial dos EUA

Ao anunciar o tarifaço, em 2 de abril de 2025, o presidente Donald Trump disse esperar que a medida teria dois efeitos principais: aumentar a arrecadação federal e reduzir o déficit comercial dos EUA, que ele vê como uma ameaça ao país.

Após várias idas e vindas de tarifas, o déficit comercial dos EUA teve uma queda mínima, de 0,2%, ou US$ 2 bilhões, em 2025, e ficou em US$ 901,5 bilhões no ano. Em 2024, o valor havia sido de US$ 903,5 bilhões negativos, segundo o governo americano.

Ao olhar os dados por país, há mudanças maiores. A maior redução do déficit, consequência da queda das importações, foi com a China, que registrou um desequilíbrio comercial de 31,6%. Outras reduções de peso foram observadas com o Canadá (26,7%), a Coreia do Sul (14,5%) e a União Europeia (7,1%).

Já com outros países, o déficit cresceu. Os destaques foram Vietnã (alta de 44,3%), México (14,6%) e Índia (27,4%). Em 2025, as importações do México e do Vietnã rumo aos EUA bateram recordes históricos, segundo dados do governo americano.

Com o Brasil, os EUA tiveram um superávit na venda de mercadorias ao Brasil de US$ 14,4 bilhões em 2025, uma alta de 112,8% em relação a 2024, segundo dados do governo americano. As exportações em 2025 somaram US$ 54,4 bilhões (alta de 10,7%), e as importações de itens brasileiros somaram US$ 39,9 bilhões (queda de 5,7% em um ano). O Brasil é o 11º maior parceiro comercial os EUA.

Analistas apontam que os importadores passaram a evitar especialmente produtos da China, dada a alta incerteza em relação ao país, que teve as tarifas elevadas e diminuídas diversas vezes ao longo do ano passado. Os dois países ainda negociam um acordo para colocar fim à guerra comercial.

Os EUA não têm superávit na balança comercial desde 1975. "O fato de os Estados Unidos apresentarem déficits comerciais consistentes há décadas não representa um problema econômico iminente. As importações líquidas, outro termo para déficit comercial, podem refletir a capacidade da economia americana de atrair investimentos estrangeiros e de servir como um porto seguro para o capital estrangeiro", diz análise do think tank Tax Foundation.

"Quando as importações líquidas financiam o estoque de capital, permitem que os EUA desfrutem de um nível de produtividade e crescimento superior ao que ocorreria de outra forma", afirma a entidade.

Alta na arrecadação

Com a adoção das tarifas, a arrecadação mensal com as taxas internacionais subiu de US$ 7,3 bilhões mensais, em janeiro de 2025, para US$ 27,6 em janeiro deste ano, um valor quase três vezes maior, segundo dados da Tax Foundation.

A entidade, no entanto, avalia que a maior parte das taxas acaba sendo repassada aos consumidores americanos, o que geraria um aumento médio de US$ 600 no pagamento de impostos por residência em 2026.

Relembre o histórico das tarifas

Em 2 de abril de 2025, Trump anunciou uma tabela de tarifas a mais de 80 países, que chegavam a 50%, além de uma taxa mínima de 10% a todos os países.

A medida sofreu diversas alterações e adiamentos, conforme outros países adotaram medidas retaliatórias ou os EUA mudaram de posição. A China, por exemplo, chegou a ter uma taxa de 145%, que depois foi reduzida.

O Brasil, por exemplo, foi alvo de uma tarifa de 50% em julho, pela acusação de que a Justiça brasileira estaria perseguindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As taxas foram recebendo uma série de isenções e exceções para produtos, o que reduziu seu poder de alcance. Em fevereiro, a Suprema Corte decidiu que Trump não tem poder para impor as tarifas por meio do mecanismo chamado de IEEPA, que havia sido usado no tarifaço de abril, e derrubou as taxas.

Em seguida, Trump reimpôs uma tarifa global de 10%, com base na Seção 122. A medida, no entanto, vale apenas apenas até julho. Ele ameaçou elevar a taxa para 15%, mas não efetivou a cobrança. O presidente prometeu buscar formas de retomar as tarifas anteriores, mas não havia efetivado medidas até a publicação desta reportagem.

Quais tarifas de Trump ainda estão em vigor?

Além da tarifa geral de 10%, ainda estão em vigor as seguintes taxas:

- Seção 232: aplica taxas a produtos como aço, alumínio, carros, autopeças, caminhões e peças e móveis. Vale para todos os países e as alíquotas variam entre 10% e 25%.

- Seção 301: os EUA estão investigando diversos países, incluindo o Brasil, por práticas desleais no comércio, e poderá impor mais tarifas ao final dos processos, que ainda não têm datas previstas.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: