O bloqueio do Estreito de Ormuz em números: veja o impacto da guerra na rota do petróleo

Por Da redação, com agências 23 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O bloqueio do Estreito de Ormuz em números: veja o impacto da guerra na rota do petróleo

O bloqueio do estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo, já provoca uma queda abrupta no transporte de cargas, pressiona os preços do petróleo e afeta milhares de trabalhadores no mar. A rota, por onde em condições normais passa cerca de um quinto dos hidrocarbonetos consumidos globalmente, está praticamente paralisada em meio à guerra no Oriente Médio.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram bombardeios contra o Irã. Em resposta, Teerã passou a atacar interesses americanos na região e a restringir o acesso ao estreito.

Confira abaixo os principais dados e números do bloqueio:

24 incidentes de segurança

Desde 1º de março de 2026, 24 embarcações comerciais, incluindo 11 petroleiros, foram atacados ou comunicaram incidentes no golfo, no estreito de Ormuz ou no golfo de Omã, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

Se forem incluídos outros tipos de embarcações, é preciso somar quatro ataques reivindicados pela Guarda Revolucionária do Irã, mas que não foram confirmados pelas autoridades internacionais.

8 marinheiros mortos

Desde que que começou o conflito, pelo menos oito marinheiros ou trabalhadores portuários morreram em incidentes na região, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI). Outros quatro seguem desaparecidos e dez ficaram feridos.

Queda de 95% no transporte marítimo

O canal costuma registrar cerca de 120 travessias diárias, segundo o portal de inteligência da indústria naval Lloyd’s List.

De 1º a 21 de março, os navios de carga de matérias-primas realizaram apenas 124 travessias, segundo a empresa de análise Kpler, o que representa uma queda de 95%.

Destas, 75 foram realizadas por petroleiros e navios gaseiros, e a maioria navegava para leste, saindo do estreito.

Petróleo para a China

Os analistas de commodities do banco JPMorgan afirmaram em um relatório publicado na segunda-feira, 16, que a maior parte do petróleo que passa pelo estreito se dirige à Ásia, principalmente à China.

Cichen Shen, editor para Ásia-Pacífico da Lloyd's List, apontou que há indícios de que as autoridades chinesas estão trabalhando em "algum tipo de plano de saída" para seus grandes petroleiros retidos na região.

1,3 milhão de barris de petróleo iraniano

Segundo os analistas do JPMorgan, 98% do tráfego de petróleo através do estreito é iraniano, com uma média de 1,3 milhão de barris diários "no início de março".

Um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo passa pelo estreito em tempos normais.

20 mil marinheiros presos

Cerca de 20 mil marinheiros são afetados pelo bloqueio, segundo a OMI. A isto é preciso somar ainda os passageiros de cruzeiros, os trabalhadores portuários e o pessoal de instalações offshore.

A OMI estima que pelo menos 3.200 navios se encontram na área, incluindo dois terços de "grandes navios comerciais dedicados ao comércio internacional".

A consultora marítima Clarksons destacou em uma nota, em 18 de março, que havia 250 petroleiros no Golfo, o que representa 5% da tonelagem mundial de navios-tanques de petróleo bruto.

Combustível para navios sobe 90%

Os preços do combustível para navios subiram cerca de 90% desde o início do conflito, segundo dados do observatório do setor Ship and Bunker.

Clarksons indicou que o custo de transportar um barril de petróleo bruto duplicou para US$ 10 (cerca de R$ 52,80) desde o início do ano. Os aumentos atingiram um nível que não se via desde 2022, quando a Rússia lançou sua invasão à Ucrânia.

51 navios sancionados

Desde que começou a guerra, mais de 40% dos navios que passam pelo estreito foram submetidos a sanções dos Estados Unidos, da União Europeia ou do Reino Unido, segundo uma análise da AFP com base em dados de trânsito.

Dos petroleiros e gaseiros, 56% estavam sob sanções.

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