Naomi Osaka transforma Roland Garros numa passarela de alta costura
Naomi Osaka entrou na Court Suzanne-Lenglen na terça-feira como se fosse uma vernissage. Um corset preto estruturado, centenas de cristais aplicados à mão e uma saia plissada com movimento de vestido de gala. Por baixo, quando ela se preparou para jogar, um vestido dourado da Nike cheio de paetês. Para Osaka, a comparação foi outra: ela disse que o look remetia à Torre Eiffel à noite.
Depois que o look viralizou, ela foi às redes esclarecer os créditos. A Nike é responsável pelo kit de jogo, como sempre foi. Germanier trabalhou em cima das peças já existentes para criar a camada de entrada. "Só quero deixar claro porque acho importante. A Nike é quem faz os meus vestidos e kits de jogo. Os designers trabalham em torno de designs pré-existentes", escreveu no Threads.
Naomi Osaka durante a partida contra Siegemund já com o kit de jogo da Nike à mostra: um vestido dourado coberto de paetês em camadas escalonadas, construído a partir de peças recicladas dos próprios uniformes de competição da tenista (Getty Images)
O processo partiu da desconstrução. Saia, vestido e jaqueta dos uniformes Nike de Osaka foram desmontados e reconfigurados. O corset foi costurado com os próprios tecidos das roupas de competição, com fechamentos de pressão que permitem removê-lo no momento antes de entrar em quadra. A saia plissada foi construída a partir do forro interno da jaqueta, com cada prega marcada à mão.
O plano original era diferente. O look seria em tons terrosos, próximos à cor da argila parisiense. A mudança para o preto total foi uma decisão de última hora. "Decidimos ir totalmente no preto para criar um elemento de surpresa na quadra", contou Germanier no Instagram. "Foi tenso, mas no final ficou melhor do que o que tínhamos planejado originalmente."
Kevin Germanier é um estilista suíço radicado em Paris cuja carreira foi construída inteiramente em torno do upcycling. Para o look de Roland Garros, ele aplicou centenas de cristais reciclados no corpete e usou bordados para marcar as costuras arquitetônicas da peça. O resultado foi um look que circulou pelos mesmos espaços digitais que os desfiles de alta-costura circulam depois de Paris.
"É divertido ver os designers trabalharem, especialmente quando existe uma peça pré-existente em torno da qual eles precisam criar", disse Osaka sobre a colaboração. "A gente foi trocando ideias. Para mim, essa é a parte mais interessante."
Osaka cresceu acompanhando os grandes reveals de Serena e Venus Williams. "Eu consigo olhar para uma foto e provavelmente te dizer de que ano é aquele look", contou em entrevista coletiva em Roland Garros. Para ela, o tênis perdeu um pouco essa dimensão ao longo dos anos. O que ela vem fazendo nos Grand Slams desde o Australian Open de janeiro é uma resposta a isso. Naquela ocasião, ela entrou em quadra com sombrinha, véu e um chapéu decorado com borboletas. No Met Gala de maio, foi outro momento de destaque. Roland Garros foi o terceiro em sequência.
Em entrevista coletiva, Osaka foi direta sobre o que a moda representa para ela. "Para mim, eu digo para as pessoas que não falo muito, então falo através das roupas. Isso significa que posso ser tão barulhenta com cores, estampas ou tecidos quanto quiser." Na terça-feira, ela ganhou de Siegemund em sets diretos e avança para enfrentar Donna Vekić na segunda rodada.
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