NASA planeja impulsionar SpaceX nas missões lunares — mas decisão pode ser golpe para a Boeing
A NASA revisa a estratégia do programa lunar Artemis e avalia ampliar o papel da Starship, da SpaceX, enquanto reduz a participação do foguete SLS, desenvolvido pela Boeing, nas missões tripuladas à Lua.
Segundo a Bloomberg, o plano original previa o uso do Space Launch System (SLS), foguete da Boeing, para lançar quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, construída pela Lockheed Martin, até a órbita lunar. Nesse cenário, a Starship, nave da SpaceX, atuaria apenas como módulo de pouso.
A proposta em análise altera essa arquitetura. A Starship passaria a se acoplar à Orion ainda na órbita terrestre e assumiria a função de impulsionar a cápsula até a órbita da Lua. Após essa etapa, o veículo da SpaceX também realizaria o transporte dos astronautas até a superfície lunar.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, deve se reunir na terça-feira com empresas envolvidas no programa, incluindo Boeing, SpaceX e Blue Origin, para discutir o andamento do Artemis, iniciativa que busca retomar missões tripuladas à Lua.
“A NASA está comprometida em usar a arquitetura do SLS pelo menos até o Artemis V, o que é necessário para apoiar ambos os fornecedores do HLS e seus planos de aceleração para o retorno de astronautas americanos à Lua”, disse Isaacman, em um comunicado.
A agência também avalia propostas da Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos, e da própria SpaceX para acelerar o desenvolvimento de módulos de pouso lunar, conhecidos como Human Landing System (HLS), sistema de pouso humano.
Caso a mudança avance, o SLS poderá ser mantido apenas para lançar a Orion em órbita terrestre. A possível redução de escopo representa impacto em um dos principais projetos da Boeing dentro da exploração espacial tripulada.
A nova arquitetura da missão
O SLS e a Orion são considerados a base do programa Artemis, responsáveis por transportar astronautas ao espaço profundo. No entanto, o foguete acumula atrasos desde a previsão inicial de estreia, em 2017, tendo realizado o primeiro voo apenas em 2022.
Dados do inspetor-geral da NASA indicam que os quatro primeiros voos combinados do SLS e da Orion podem ultrapassar US$ 4 bilhões cada.
A missão Artemis II, prevista para abril, deve enviar quatro astronautas ao redor da Lua como etapa preparatória para o pouso planejado.
A nova abordagem também altera a dinâmica orbital da missão. O plano original previa o uso de uma órbita alongada ao redor da Lua, chamada Near Rectilinear Halo Orbit (NRHO), órbita de halo quase retilínea.
Com a revisão, a Starship deverá posicionar a Orion em órbita lunar baixa, uma trajetória circular mais próxima da superfície.
Apesar do avanço, a Starship ainda não concluiu um voo orbital completo com sucesso, e relatórios recentes da NASA apontam a possibilidade de novos atrasos no desenvolvimento.
As revisões fazem parte de uma reformulação mais ampla anunciada por Isaacman no fim de fevereiro. Entre as medidas, está o cancelamento de uma atualização planejada para o SLS e a inclusão de uma missão de teste em 2027.
Essa missão deverá enviar astronautas para realizar acoplamento com módulos de pouso da SpaceX ou da Blue Origin ainda na órbita terrestre, como etapa intermediária antes do retorno tripulado à superfície lunar.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: