Natura sobe mais de 9% após acordo com Advent e mudanças no conselho
As ações da Natura (NATU3) disparam nesta terça-feira, 31, e lideram os ganhos do Ibovespa, em um pregão amplamente positivo para a bolsa brasileira.
Às 12h12, os papéis avançavam 9,42%, após já terem saltado mais de 12% na máxima do dia, movimento que chegou a levar as ações a entrarem em leilão diante da forte volatilidade. No mesmo horário, o principal índice da B3 subia 1,56%, aos 185.327 pontos.
A forte alta ocorre na esteira de uma série de anúncios feitos pela companhia após o fechamento do mercado na véspera.
A Natura divulgou ao mercado que firmou um compromisso vinculante com o fundo de private equity Advent International para a venda de uma participação minoritária de 8% a 10% das ações. A operação deve ocorrer em até seis meses, com preço médio de R$ 9,75 por ação.
Com essa fatia, a Advent poderá indicar até dois membros para o conselho de administração e participar de comitês de assessoramento. Segundo a companhia, a entrada do investidor institucional ocorre por meio de compras no mercado secundário, sem injeção direta de capital na companhia.
Além disso, a empresa anunciou uma ampla reformulação em sua governança. Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, além do atual chairman Fábio Barbosa, deixarão o conselho de administração e migrarão para um novo conselho consultivo, com foco na preservação da cultura e dos valores da companhia, mas sem poder de decisão.
A mudança faz parte de um novo acordo de acionistas com duração de 10 anos.
Mercado vê 'reforço do valor das ações'
Para o mercado, os anúncios foram recebidos, em geral, de forma positiva, especialmente a entrada da Advent. O Banco Safra avalia que "o envolvimento da Advent parece positivo para o preço das ações", destacando que o preço médio de aquisição de R$ 9,75 representa um prêmio em relação ao fechamento anterior e "fornece um sinal de valorização e um piso de preço no curto prazo".
"O preço médio alvo de aquisição de R$ 9,75 representa um prêmio de cerca de 5,5% em relação ao mais recente preço de fechamento de R$ 9,24, fornecendo um sinal de valorização e um piso de preço no curto prazo", disseram os analistas.
O Safra também ressalta que "a pressão de compra esperada de um grande e conhecido investidor institucional entrando na base acionária deve ser favorável ao sentimento do mercado e à liquidez".
Na mesma linha, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) afirma que a operação "reforça a narrativa do valor das ações" e funciona como um endosso ao caso de investimento da companhia após um período de elevada volatilidade.
"Especialmente agora que a empresa sai de um ciclo de transformação de vários anos caracterizado por alienações de ativos, simplificação operacional e recuperação das margens. A estrutura de governança aprimorada, combinada com um balanço patrimonial mais saudável e um foco estratégico renovado na América Latina, cria uma narrativa de valor mais simples", afirmou o BTG.
Para o banco, a presença de um investidor como a Advent "adiciona credibilidade ao caso de investimento e pode catalisar uma reavaliação". Mas a instituição ressalta que a empresa ainda enfrenta desafios para reativar o crescimento da receita e apresentar lucratividade consistente.
"Embora o investimento da Advent possa atuar como um catalisador de curto prazo para o sentimento e a avaliação, a reavaliação sustentada dependerá do desempenho operacional — particularmente da expansão das margens e da recuperação da receita. No geral, vemos o negócio como um ponto de inflexão positivo (e esperamos uma reação positiva), mas não ainda como uma eliminação total do risco da tese", acrescentou.
A XP Investimentos também vê o movimento como positivo, avaliando que o interesse da Advent é "uma indicação positiva do potencial da companhia" e que o preço-alvo implícito pode servir como referência para as cotações no mercado.
A casa destaca ainda que a reformulação do conselho "busca apoiar a Natura em seu novo ciclo de crescimento, com foco na operação".
"Vemos a transição como um passo natural para refletir a fase atual da NATU, enquanto vemos o interesse da Advent como uma indicação positiva, com seu preço-alvo (R$9,75) possivelmente servindo como uma referência de valor para as cotações. Mantemos COMPRA", disse a XP.
Já o Itaú BBA adota um tom mais cauteloso. Embora reconheça a reformulação da governança como uma "reinicialização completa", o banco afirma que "ainda é cedo para conceder total benefício da dúvida", especialmente diante dos riscos ligados à execução operacional, à recuperação das receitas e ao desempenho da Avon no Brasil.
"Com o relançamento da marca em andamento em março, a Avon BR entra no que consideramos um ponto de inflexão crítico. As tendências de receita precisam melhorar a partir de agora. A administração espera uma aceleração gradual ao longo do ano, com redução sequencial das quedas na receita e, possivelmente, retorno ao crescimento no final do ano, uma melhora significativa em relação à queda de ~10% a/a observada nos últimos trimestres", disse o Itaú.
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