Nem euforia, nem colapso: Wall Street ainda tenta entender a IA
Se há um tempo a dúvida de Wall Street era se o mercado estava diante de uma "bolha" ou de uma mina de ouro envolvendo a inteligência artificial (IA), agora o clima é de incerteza total, com os investidores reagindo até a relatórios ficcionais capazes de derrubar ações, dada a sensibilidade do negócio.
Tudo começou quando a casa de análise Citrini Research resolveu publicar um artigo, nesta semana, que imaginava um futuro próximo onde agentes de IA teriam substituído empregos, trazendo uma "crise global de inteligência". E o mercado reagiu como se, de fato, o "apocalipse das máquinas" fosse ocorrer.
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o impacto dessa ficção foi assustador e imediato: empresas como Uber, Mastercard e Visa viram seus papéis despencarem, enquanto grandes índices caíram fortemente após o texto viralizar, caso do Dow Jones (-1,7%), S&P 500 (1%) e Nasdaq (1,1%) na segunda-feira, 23.
Temor existencial sobre o que está por vir
O que resta agora são dúvidas em torno de um "temor existencial" sobre o que está por vir quando o assunto é IA, de acordo com o coautor do artigo e ex-funcionário da Citadel, que agora dirige a empresa de IA Littlebird e é executivo da Lotus Technology Management, Alap Shah, em falas divulgadas pela agência.
Por outro lado, o presidente interino do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Pierre Yared, não comprou a ideia e descartou o relatório como pura "ficção científica". Só que, ainda assim, o estrago nas cotações mostrou que, para Wall Street, o "medo de ser pego de surpresa" é maior que a lógica.
Cabo de guerra: Vale do Silício vs. realidade
Mensagens confusas das big techs têm reforçado, ainda, o cenário de incerteza. Isso porque, de um lado, os CEOs da Anthropic, Dario Amodei, e da Microsoft, Mustafa Suleyman, dizem que a IA vai levar muitos empregos de escritório no curto prazo e, do outro, o CEO da OpenAI, Sam Altman, tenta manter o otimismo.
Segundo o diretor de operações da OpenAI, Brad Lightcap, em declarações repercutidas pela Bloomberg, o mundo corporativo ainda não viu a IA "penetrar verdadeiramente" nos processos de negócios das grandes empresas, ou seja, há muitas discussões e reações para poucos resultados práticos até agora.
Wall Street: não existem convicções firmes
Ainda têm os altos custos de desenvolvimento dessa tecnologia, que levam Wall Street a ponderar se, de fato, os investimentos bilionários feitos até agora irão retornar e em que momento. Não existem convicções firmes no momento, segundo o chefe global de pesquisa de tecnologia e comunicações do Citi, Heath Terry.
Já a diretora da Anthropic para as Américas, Kate Jensen, tenta ser mais otimista ao relatar à Bloomberg que a oscilação do mercado é apenas uma reação à alta velocidade com que a tecnologia melhora, e que as empresas tradicionais ainda podem lucrar muito se souberem usar as novas ferramentas.
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