Nem o churrasco escapou: crise do gado faz carne disparar nos EUA

Por César H. S. Rezende 16 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nem o churrasco escapou: crise do gado faz carne disparar nos EUA

Em meio à crise da carne bovina nos Estados Unidos, a Tyson Foods, uma das principais processadoras de proteína animal do país, avalia com cautela a recuperação do setor pecuário americano. Segundo a companhia, os esforços para recompor o rebanho seguem de forma “irregular”, informou a Reuters.

Para Curt Calaway, diretor financeiro da Tyson Foods, os baixos estoques de animais elevaram os preços da carne bovina a níveis recordes. "Ainda assim, conseguiremos lidar com a escassez de gado”, disse o executivo em evento em Nova York.

A crise enfrentada pelos pecuaristas americanos se intensificou nos últimos cinco anos. O setor atravessa uma fase de contração do ciclo pecuário, marcada pela redução do rebanho e pela menor oferta de animais para confinamento.

Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. O rebanho total de bovinos dos Estados Unidos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem, levando produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar caixa.

Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.

A combinação entre seca, custos elevados e redução do rebanho criou um dos cenários mais desafiadores para a pecuária americana nas últimas décadas.

No outono passado, o USDA lançou um plano para apoiar pecuaristas na expansão dos rebanhos, incluindo medidas para ampliar o acesso a áreas de pastagem.

Ainda assim, muitos produtores seguem optando por vender os animais para abate, em vez de mantê-los para reprodução, diante dos altos custos dos insumos e da persistência das condições climáticas adversas.

Mesmo com sinais recentes de recomposição, a recuperação do rebanho bovino americano deve ser gradual. O ciclo pecuário exige tempo: entre o nascimento do bezerro e o abate, o processo pode levar de dois a três anos.

O presidente Donald Trump avalia possíveis medidas executivas para reduzir tarifas de importação de carne bovina e flexibilizar regulações sobre os produtores. O objetivo é conter a alta dos preços da proteína no mercado interno.

Embora produtos como ovos, leite e outros itens básicos tenham registrado queda desde o início do novo mandato de Trump, em janeiro de 2025, a carne bovina continua pressionando o bolso do consumidor americano.

Segundo o USDA, os preços da proteína estão mais de 16% acima do registrado no ano anterior, tornando-se um dos principais símbolos da inflação persistente nos Estados Unidos, especialmente às vésperas da temporada de churrascos de verão.

Crise da carne nos EUA

O setor está pouco otimista. A oferta de gado deve continuar restrita entre 2026 e 2027, afirmou Calaway.

O ambiente de oferta restrita e margens pressionadas também tem provocado reestruturações na indústria frigorífica.

Em fevereiro, a Cargill anunciou o fechamento definitivo de sua fábrica de processamento de carne bovina em Milwaukee, Wisconsin, com a eliminação de 221 empregos — a unidade interrompe a produção em meados de abril e encerra as atividades no fim de maio.

A decisão se soma a movimentos recentes de concorrentes. Em dezembro de 2025, a JBS Foods, braço americano da brasileira JBS, informou o encerramento permanente de uma unidade nos arredores de Los Angeles.

Antes disso, a Tyson Foods fechou uma fábrica em Nebraska, citando dificuldades no abastecimento de gado.

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