Nem ouro nem joias: arqueólogos encontram obra-prima grega em múmia

Por Maria Luiza Pereira 24 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nem ouro nem joias: arqueólogos encontram obra-prima grega em múmia

Amuletos ou ouro? Não! O que arqueólogos da Universidade de Barcelona encontraram dentro de uma múmia egípcia de cerca de 1.600 anos foi algo ainda mais improvável: um trecho da Ilíada, poema épico atribuído a Homero. O achado, revelado em um comunicado da universidade catalã, transforma um sepultamento antigo em um enigma histórico.

Egito encontra a Grécia antiga

A descoberta aconteceu em Al-Bahnasa, antiga Oxyrhynchus, uma das áreas arqueológicas mais valiosas do Egito. O local já revelou milhares de papiros ao longo do tempo, mas desta vez entregou algo fora do roteiro: literatura clássica inserida diretamente no corpo mumificado.

O texto, escrito em grego, corresponde a parte do Livro 2 da Ilíada, trecho ligado à Guerra de Troia. Para os pesquisadores, o papiro pode ter sido colocado no abdômen durante o processo funerário como proteção simbólica para a jornada após a morte.

Mistério enterrado há 1.600 anos

O detalhe chama atenção porque, em geral, múmias desse período recebiam textos religiosos, fórmulas mágicas ou inscrições funerárias. Encontrar Homero nesse contexto muda o jogo e sugere que obras literárias também podiam carregar prestígio espiritual, cultural ou até político.

Por volta de 400 d.C., os rituais de mumificação já refletiam uma fusão entre tradições egípcias, gregas e romanas. O corpo era inicialmente desidratado por cerca de 40 dias, coberto com sal de natrão e envolvido em faixas de linho. Em vez de retirar os órgãos internos e guardá-los em vasos canópicos, os responsáveis pelo processo preenchiam o abdômen e a cavidade torácica com pedaços de papiro revestidos de argila e outros materiais usados na preservação.

A múmia virou retrato de uma era híbrida. O Egito já vivia sob forte influência greco-romana, e antigas tradições locais conviviam com referências importadas do Mediterrâneo.

Agora, os cientistas tentam descobrir quem era esse homem e por que carregava a Ilíada para a eternidade. Porque uma coisa já está clara: até os mortos, naquele tempo, podiam sair de cena levando um clássico.

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