Nem popular, nem premium: academia aposta no meio termo para faturar R$ 300 milhões
Após fundar e depois vender a Bluefit, o empreendedor Fernando Nero apostou na Ultra Academia, em 2021, que foca em um público ainda pouco explorado: quem quer mais funcionalidades do que as low cost, mas que não quer pagar o valor de uma academia boutique.
"Abrimos uma lacuna no mercado entre as academias premium e as low cost. Vi espaço para quem poderia pagar um pouco mais, desde que tivesse algo mais completo e uma experiência melhor. Foi daí que nasceu a Ultra”, diz Nero.
A Ultra Academia cresceu atendendo essa brecha e chegou a cerca de 90 unidades em funcionamento no Brasil. Agora, mira chegar a 150 academias e faturar R$ 300 milhões, com um crescimento de 50% em relação ao ano anterior.
Para isso, a rede espera ganhar força fora da região Sudeste e abrir as primeiras unidades em outros países da América Latina.
Como nasceu a Ultra Academia
A primeira academia da empresa foi fundada na Rua Augusta, na capital paulista, em 2021.
“Abrimos uma lacuna no mercado entre as academias premium e as low cost. Vi espaço para quem poderia pagar um pouco mais, desde que tivesse algo mais completo e uma experiência melhor. Foi daí que nasceu a Ultra”, diz Nero.
A divulgação inicial da Ultra foi baseada no posicionamento da marca. A rede apostou em bem-estar e inclusão, buscando atrair um público mais amplo do que o tradicional frequentador de academias. A proposta era se diferenciar tanto das redes low cost quanto das academias premium, com foco em acolhimento e experiência do aluno.
O crescimento também foi impulsionado pela trajetória do fundador Fernando Nero no setor fitness. Com experiência anterior na expansão de redes de academias, ele utilizou sua rede de contatos para atrair investidores, parceiros e os primeiros franqueados, acelerando a expansão da Ultra já nos primeiros anos de operação.
O negócio já nasceu com modelo franqueável e, no primeiro ano, foram feitas cerca de 10 vendas de franquia. Nos anos seguintes, avançou para a faixa de 20 a 30 unidades, com maior ritmo de expansão. Hoje, a rede soma pouco mais de 90 unidades.
Para abrir uma franquia, a média de investimento é de R$ 4 milhões. Segundo a empresa, o valor pode variar de R$ 2 milhões a R$ 15 milhões, dependendo do porte da unidade, da localização e da inclusão de estruturas como piscina e estúdios especializados. Em média, as unidades possuem 1.500 m².
O faturamento médio por unidade é de R$ 315 mil por mês.
Aceleração da expansão
Em 2026, a Ultra aposta em um crescimento agressivo, com cerca de uma unidade inaugurada por semana. Para crescer além do Sudeste, a aposta está em abrir academias nas capitais do Sul e Nordeste.
A rede já tem inaugurações próprias previstas para as cidades de Manaus, Recife, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis. "Abrir nas capitais ajuda a atrair interessados em levar a Ultra para outras cidades desses estados por meio de franquias”, afirma Nero.
A internacionalização também está nos planos da Ultra Academia. Ainda este ano, devem ser inauguradas unidades na Argentina, Colômbia e Paraguai. A entrada nesses mercados será feita por meio de operações-piloto, com investidores locais.
"Queremos ter pelo menos uma academia em cada um desses três países ainda este ano. São operações-piloto e, dando certo, fazemos um processo de escala para chegar a cerca de 30 operações no Mercosul em 2027", diz o empresário.
Crescimento e adaptação
Um dos principais desafios da Ultra na expansão internacional será a adaptação cultural. Embora veja a América do Sul como uma extensão natural do mercado brasileiro, o empresário afirma que a empresa precisará ajustar a comunicação, o posicionamento da marca e parte da oferta de serviços às particularidades de cada país.
"Vamos fazer uma adaptação de comunicação e de produto em cada um desses países", diz.
No Brasil, o desafio está em acompanhar a evolução de um mercado cada vez mais competitivo. Segundo o executivo, o setor fitness vive um processo de profissionalização acelerado, impulsionado pelo aumento da concorrência e por consumidores mais exigentes. Só no Brasil, são mais de 56,8 mil academias, segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil 2024.
A empresa também busca equilibrar expansão e qualidade operacional. Com a meta de chegar a 150 unidades até o fim do ano e avançar para novos mercados, a rede afirma que pretende preservar a rentabilidade dos franqueados e a experiência dos alunos.
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