Nem preço, nem distância: a invasão escocesa na Copa do Mundo de 2026
Ficar quase três décadas sem disputar uma Copa do Mundo não afastou os torcedores da Escócia da seleção. Fez justamente o contrário.
Depois de 28 anos longe do principal torneio do futebol mundial, o chamado Exército Tartan, como é conhecida a fanática torcida escocesa, está transformando a Copa de 2026 em uma missão coletiva, mesmo diante dos altos preços, das longas distâncias e da logística complicada nos Estados Unidos.
Os números ajudam a explicar o tamanho do fenômeno. Os ingressos da Escócia estão entre os mais caros da Copa do Mundo no mercado de revenda. Os bilhetes mais baratos para os três jogos da seleção na fase de grupos aparecem, em média, próximos de 1 mil dólares, superando países como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, segundo a Bloomberg.
Tudo isso apesar de a Escócia ter uma população de cerca de 5,5 milhões de habitantes. O peso da ausência ajuda a explicar a mobilização. A seleção não disputava uma Copa desde 1998. Muitos torcedores que viajarão aos Estados Unidos sequer eram nascidos na última participação do país em um Mundial.
Uma Copa “única em uma geração”
Assistir a uma Copa nos Estados Unidos não é exatamente barato. Além dos ingressos inflacionados, torcedores precisam lidar com passagens aéreas caras, hospedagens disputadas e um sistema de transporte que exige planejamento quase para quem pretende acompanhar diferentes cidades-sede.
Mesmo assim, os escoceses parecem determinados a ignorar os obstáculos. Entre os torcedores, histórias de sacrifícios financeiros, férias adiadas e meses de economia viraram quase regra.
O “Exército Tartan” invade os Estados Unidos
Dados de hospedagem colocam Boston entre os principais exemplos. As noites dos jogos da Escócia registram mais reservas do que partidas envolvendo seleções maiores e até confrontos de mata-mata, segundo a Bloomberg.
O impacto também chegou ao Airbnb, ao transporte público e ao comércio local. Em Boston, a maioria das passagens especiais de trem vendidas para a Copa até agora está ligada aos jogos da seleção escocesa. Pubs, bandas e até franquias esportivas locais começaram a preparar ações para visitantes.
Parte dos torcedores ficará hospedada em Providence, cidade localizada a cerca de 40 quilômetros do estádio que receberá os jogos, buscando preços mais acessíveis do que os encontrados em Boston.
E nem a logística ficará nas mãos da organização. Grupos de torcedores passaram a montar sua própria operação de transporte, incluindo caravanas de ônibus escolares alugados para levar fãs aos jogos por preços inferiores aos serviços oficiais.
Além da economia, existe também um posicionamento claro: muitos preferem evitar gastar ainda mais dinheiro em produtos, zonas oficiais de torcida e operações ligadas à FIFA.
O peso de 28 anos sem Copa
Para entender a mobilização, é preciso voltar no tempo. A Escócia disputou regularmente Copas do Mundo entre os anos 1970 e 1998, mas desapareceu do torneio nas décadas seguintes, acumulando eliminações dolorosas e frustrações.
Para uma geração inteira de torcedores, esta será a primeira oportunidade real de ver a Escócia em uma Copa do Mundo.
E isso ajuda a explicar por que, mesmo diante de ingressos que chegam a milhares de dólares, hotéis caros e viagens atravessando um continente.
A prova mais clara talvez esteja no duelo contra o Brasil, marcado para Miami. O jogo aparece entre os mais caros de toda a fase de grupos, com ingressos ultrapassando facilmente os 1.600 dólares no mercado de revenda, segundo a Bloomberg.
Mesmo assim, a expectativa é de arquibancadas tomadas por milhares de escoceses vivendo algo que esperaram por quase 30 anos.
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