Netanyahu ameaça novo líder do Irã e defende ataque conjunto com os EUA no 13º dia da guerra
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, defendeu uma operação militar conduzida em conjunto com os Estados Unidos contra o Irã e fez ameaças de possíveis ações contra o novo líder do país, Mojtaba Khamenei.
A declaração ocorreu nesta quinta-feira, 12, na primeira coletiva de imprensa do premiê israelsense desde o início do conflito no Oriente Médio, informou a agência Reuters.
Durante a coletiva, Netanyahu afirmou que o Irã "não é mais o mesmo" após quase duas semanas de ataques aéreos conduzidos por forças israelenses e norte-americanas. Segundo o primeiro-ministro, as operações atingiram estruturas ligadas à Guarda Revolucionária, força militar de elite do país, e à Basij, organização paramilitar ligada ao governo iraniano.
Netanyahu também afirmou que o governo israelense pretende manter operações militares contra o Hezbollah, grupo armado libanês apoiado pelo Irã. Segundo ele, o Hezbollah abriu fogo em 2 de março para retaliar a morte do líder supremo iraniano no início da guerra. O episódio marcou uma ampliação do confronto regional durante o conflito.
Questionado sobre possíveis ações de Israel contra o novo aiatolá do Irã, Mojtaba Khamenei, e contra o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, Netanyahu respondeu:
"Eu não emitiria apólices de seguro de vida para nenhum dos líderes da organização terrorista... Não pretendo dar uma mensagem exata aqui sobre o que estamos planejando ou o que vamos fazer."
Netanyahu também informou que mantém contato frequente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com ele, as conversas entre os dois líderes ocorrem diariamente e de forma direta.
Novos ataques em Teerã
Ataques em distrito residencial de Teerã, no Irã, nesta quinta-feira, 12 de março (AFP) (AFP)
As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram na noite desta quinta-feira que iniciaram uma nova “grande onda de ataques” contra alvos ligados ao governo iraniano em Teerã.
Em comunicado divulgado pelas forças armadas israelenses, o órgão afirmou que a operação atinge estruturas associadas ao que classificou como infraestrutura do regime iraniano.
“As IDF iniciaram uma grande onda de ataques contra a infraestrutura do regime terrorista iraniano em toda Teerã”, afirmaram em breve comunicado.
Horas antes, as forças israelenses haviam informado que a força aérea realizou ataques, nas últimas 24 horas, contra postos de controle e unidades militares ligadas à organização paramilitar Basij, grupo associado às forças de segurança iranianas.
De acordo com as IDF, a movimentação militar ocorreu após danos registrados em estruturas de segurança interna do país.
“Após os extensos danos sofridos pelos principais ativos das forças de segurança interna e da unidade Basij, as Forças de Defesa de Israel identificaram nos últimos dias que soldados da unidade Basij haviam estabelecido postos de controle em várias áreas de Teerã”, detalharam na ocasião.
“As IDF iniciaram uma onda generalizada de ataques contra a infraestrutura da organização terrorista Hezbollah no sul do Líbano”, indicaram.
O chefe das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, afirmou nesta quinta-feira que a guerra contra o grupo xiita libanês “não será curta”.
Segundo Zamir, o governo israelense mantém a posição de que o governo do Líbano não exerce controle pleno sobre seu território. O comandante também afirmou que, diante desse cenário, as tropas israelenses poderão atuar para cumprir esse objetivo.
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6 mil alvos em 13 dias de guerra
As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram ataques contra aproximadamente 6 mil alvos durante os 13 dias de guerra contra o Irã, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira pelo Comando Central do Exército dos EUA (Centcom).
O órgão militar, responsável pelas operações no Oriente Médio e com sede na Flórida, apresentou os dados no relatório da operação militar denominada Operação Fúria Épica, iniciada em 28 de fevereiro. Entre os alvos atingidos estão mais de 30 embarcações utilizadas para a instalação de minas no Estreito de Ormuz.
De acordo com o Centcom, as operações também resultaram na destruição de mais de 60 navios militares iranianos, incluindo os minadores. O levantamento integra a avaliação preliminar das ações conduzidas pelas forças americanas desde o início da ofensiva.
Entre as estruturas atacadas estão centros de comando e controle, instalações de inteligência e bases vinculadas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
"As forças do Centcom estão bombardeando alvos para desmantelar o aparato de segurança do regime, priorizando locais que representem uma ameaça iminente", acrescentou.
Nesta semana, as forças americanas concentraram operações contra navios responsáveis pela instalação de minas marítimas, após ameaças do Irã envolvendo o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transitava cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente antes do início do conflito.
Em sua primeira mensagem como líder supremo da República Islâmica, Mojtaba Khamenei exigiu nesta quinta-feira que o estreito permaneça fechado e afirmou que o "sangue dos mártires será vingado".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quarta-feira, 11, que os EUA destruíram "em uma única noite" quase todos os navios iranianos responsáveis pela colocação de minas no Estreito de Ormuz. No mesmo período, países como a Noruega anunciaram restrições para que embarcações nacionais evitem a rota marítima.
Após 13 dias de conflito, o número de mortos ultrapassa 1,3 mil no Irã, de acordo com o Crescente Vermelho. No Líbano, os ataques israelenses somam ao menos 687 mortos.
As baixas também atingem as forças americanas. Sete soldados dos Estados Unidos morreram em ataques iranianos contra bases militares norte-americanas localizadas em países do Golfo. Um integrante da Guarda Nacional dos EUA morreu no Kuwait após uma "emergência médica" registrada durante o período da guerra.
Escolta de navios pelo Estreito de Ormuz
A Marinha dos EUA começará a escoltar navios pelo Estreito de Ormuz assim que for “militarmente possível”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, à Sky News na quinta-feira.
E acrescentou: “Isso sempre esteve em nossos planos, a possibilidade de a Marinha dos EUA, ou talvez uma coalizão internacional, escoltar petroleiros pelo estreito. Acredito que, assim que for militarmente possível, a Marinha dos EUA, talvez com o auxílio de uma coalizão internacional, estará escoltando embarcações”.
As declarações de Bessent surgiram em um momento em que o Estreito de Ormuz está efetivamente fechado. A região é o ponto de estrangulamento mais sensível do mundo para petroleiros, e seu fechamento causou uma disparada nos preços do petróleo bruto.
O governo Trump, por mais de uma semana, sugeriu que navios da Marinha dos EUA escoltariam petroleiros pelo estreito, mesmo que isso não acontecesse.
No entanto, na quinta-feira, o Secretário de Energia, Chris Wright, disse à CNBC que a Marinha não está preparada para escoltar petroleiros pelo estreito.
“Acontecerá relativamente em breve, mas não agora”, disse Wright. “Simplesmente não estamos prontos. Todos os nossos recursos militares estão focados em destruir as capacidades ofensivas do Irã e a indústria manufatureira que as abastece.”
*Com informações das agências EFE e AFP.
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