Netanyahu disputará reeleição em Israel apesar das dúvidas de Trump
O partido Likud confirmou nesta quarta-feira, 10, que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disputará as próximas eleições legislativas de Israel, previstas para outubro.
"Netanyahu será candidato nas próximas eleições e, com a ajuda de Deus, vai vencer", afirmou a legenda no aplicativo de mensagens Telegram.
O anúncio foi feito horas depois de o presidente americano Donald Trump lançar dúvidas públicas sobre os planos do aliado. Em declarações a um jornalista da emissora ABC News, Trump disse não saber se Netanyahu pretendia se candidatar novamente.
"Não sei. Ele teve uma carreira extraordinária. Será que ele quer continuar?", questionou o presidente republicano, classificando o tema como uma "questão em aberto".
A relação entre Trump e Netanyahu, que lançaram juntos a guerra contra o Irã em fevereiro, também tem apresentado atritos recentes.
Na semana passada, Trump admitiu ter chamado Netanyahu de "maluco" em uma ligação tensa, embora tenha dito que os dois se dão bem.
O presidente americano tem pressionado Israel a conter as ações militares no Líbano enquanto Washington negocia um acordo de paz com Teberã, e pediu repetidamente ao presidente israelense que conceda um indulto a Netanyahu pelas acusações de corrupção.
Candidatura sob pressão
Netanyahu, de 76 anos, é o político que mais tempo governou Israel. Ao todo, foram mais de 18 anos no poder desde 1996.
Seu atual mandato, iniciado em dezembro de 2022 à frente da coalizão mais à direita da história do país, foi marcado por turbulências. Antes mesmo das guerras em Gaza, Líbano e Irã, ele enfrentou protestos massivos da população.
A candidatura ocorre enquanto Netanyahu segue réu em um julgamento por corrupção que já dura mais de cinco anos. Ele nega as acusações e tenta obter um indulto presidencial.
A maioria dos israelenses também o responsabiliza pela falha de segurança que permitiu o ataque sem precedentes do Hamas em 7 de outubro de 2023, de acordo com a AFP. O ataque foi o pior da história do país e precipitou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.
Uma pesquisa divulgada na terça-feira pelo Instituto da Democracia de Israel (IDI), considerado independente, mostrou que 61% dos israelenses são contrários a uma nova candidatura do premier.
Pesquisas anteriores também indicam repetidamente que a coalizão de Netanyahu não conseguiria obter maioria parlamentar nas próximas eleições, segundo a Reuters.
Cenário eleitoral fragmentado
Apesar da impopularidade, o quadro eleitoral é complexo. Uma pesquisa da emissora pública KAN, publicada no fim de maio, mostrava o Likud à frente das intenções de voto. A legenda tem uma pequena vantagem sobre o Beyahad, lista conjunta do líder da oposição, Yair Lapid, e do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett.
No entanto, nenhum dos dois blocos parece capaz de formar governo sozinho, diante da fragmentação do eleitorado.
Uma eventual coalizão de oposição só alcançaria maioria parlamentar com a inclusão de partidos árabes, hipótese que alguns líderes oposicionistas descartam, segundo a Reuters.
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