No 1º tri, Kepler Weber mantém lucro apesar da queda na receita
A Kepler Weber, de silos e armazenagem, iniciou 2026 com queda nos resultados, mas mantendo rentabilidade em um cenário desafiador para o agronegócio.
No primeiro trimestre, a companhia registrou receita líquida de R$ 318,1 milhões, uma retração de 11% na comparação anual, impactada principalmente pelo menor volume no segmento de fazendas.
O lucro líquido somou R$ 17,1 milhões, recuo de 33%, enquanto o EBITDA foi de R$ 33,7 milhões, com margem de 10,6%.
Para o CEO da companhia, Bernardo Nogueira, o resultado segue refletindo um ambiente mais restritivo para investimentos. “São duas forças contrárias: os juros altos e as margens apertadas de toda a cadeia. Isso reduz os investimentos”, afirmou em entrevista à EXAME.
Segundo o executivo, a queda na receita também está ligada a uma mudança no mix de negócios, com maior participação de projetos industriais, que têm ciclos mais longos de execução.
“Estamos tendo mais projetos industriais, que são mais alongados. Isso faz com que a receita no curto prazo fique menor”, disse Nogueira. Em 2025, um dos projetos foi anunciado com a B8, com foco no etanol de trigo.
Além disso, a pressão sobre os produtores rurais impacta diretamente a demanda. Segundo Nogueira, o agro vive um dos momentos mais desafiadores em décadas, com margens comprimidas e crédito mais caro.
“É a pior margem dos últimos anos para a soja. Quando isso acontece, o investimento diminui”, afirmou.
Mesmo com a pressão no setor, o executivo diz que a Kepler Weber tem capacidade de atravessar o ciclo com resultados positivos. A empresa encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 56,6 milhões e inadimplência próxima de 1%, bem abaixo da média do agronegócio.
Para Nogueira, esse desempenho marca uma mudança estrutural na empresa. “Antes, em momentos como esse, a companhia tinha EBITDA negativo. Agora seguimos positivos, mostrando uma Kepler mais resiliente”, disse.
A expectativa da companhia é de estabilidade ao longo do ano, mesmo com o cenário ainda desafiador para o agronegócio, sustentada pela demanda estrutural por armazenagem e pela diversificação dos negócios.
Aposta na diversificação
Apesar da retração no segmento de fazendas, a empresa conseguiu compensar parte das perdas com o avanço em outras frentes, afirmou Nogueira. O destaque foi o crescimento de 47,1% em negócios internacionais e de 4,2% em agroindústrias.
Desde a safra 2024/25, a diversificação do portfólio tem sido um dos principais pilares para sustentar os resultados da Kepler. “Tivemos o maior primeiro trimestre de negócios internacionais da história”, afirmou Nogueira.
A Argentina segue como um dos focos da companhia, mesmo diante de desafios globais. O país vive um bom momento na produção de soja e milho, e é nisso que a empresa aposta. “A gente vai continuar presente lá e espera continuar crescendo”, disse o executivo.
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