No país da picanha, proteína vira hábito e muda estratégia do setor de alimentos
O consumo de alimentos ricos em proteína no Brasil está passando por uma transformação relevante. Antes restrito a atletas e frequentadores de academia, o segmento ganha espaço na rotina alimentar da população e já se posiciona como uma das principais apostas da indústria de alimentos.
Levantamento da AtlasIntel, que ouviu 1.501 pessoas em todo o país, aponta que o consumo de proteína deixou de ser um hábito exclusivamente técnico para se tornar parte do dia a dia, impulsionado por fatores como praticidade e busca por saúde — a mudança amplia o mercado, mas também torna o consumidor mais exigente e menos fiel às marcas.
Embora o ganho de massa muscular ainda seja a principal motivação — citado por 54,5% dos consumidores —, outros fatores ganham relevância. A reposição nutricional (36,8%) e a manutenção da saúde (32%) mostram que o consumo está cada vez mais associado ao bem-estar geral.
Esse movimento é reforçado pelo momento de consumo. Produtos proteicos aparecem com força no café da manhã (42,2%) e nos lanches (40,3%), superando ocasiões tradicionalmente ligadas ao treino, como o pós-exercício.
Na prática, a proteína deixou de ser um suplemento e passou a ocupar o espaço de alimento cotidiano.
De acordo com dados da Mordor Intelligence, o mercado global de proteínas registrou uma receita de US$ 24,49 bilhões em 2024, com projeção de crescimento para US$ 32,42 bilhões até 2029.
O nutriente é essencial para o organismo: contribui para a formação de músculos, fornece energia, auxilia na reparação de tecidos, regula a saciedade e participa do transporte de oxigênio e nutrientes.
Marcas de proteínas
Se o público se ampliou, o processo de decisão também ficou mais racional. Segundo a pesquisa, a quantidade de proteína por porção é o principal critério de escolha, citado por 64,4% dos entrevistados. Em seguida aparecem sabor (49,3%) e preço (42,4%).
A marca, por outro lado, tem peso reduzido: apenas 12,2% apontam esse fator como decisivo — o dado aponta um mercado com baixa diferenciação percebida.
Na prática, o consumidor compara produtos como se fossem commodities nutricionais, o que pressiona empresas a competir mais por atributos tangíveis do que por posicionamento.
Outro vetor de crescimento está na conveniência. Produtos prontos, como iogurtes, barrinhas e shakes, já estão entre os mais consumidos, com destaque para iogurtes (62,8%) e barrinhas (62,4%).
Esse avanço está diretamente ligado à substituição parcial de formatos tradicionais, como o whey protein em pó. A facilidade de consumo, sem צורך de preparo, tem atraído um público mais amplo.
Apesar disso, o mercado ainda apresenta espaço para evolução. A maioria dos consumidores não calcula exatamente a ingestão diária de proteína, o que revela um nível limitado de conhecimento técnico.
Para as empresas, o cenário é claro: há uma oportunidade relevante de crescimento, mas ela depende de um equilíbrio entre educação do consumidor, inovação em produtos e diferenciação real.
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