Nobel da Paz, Malala pede pelo fim da violência no Irã: 'Toda criança merece viver em paz'
A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e uma das mais importantes vozes globais na defesa do direito à educação de mulheres, fez um apelo neste domingo, 1: pelo fim imediato da escalada da violência no Irã.
A declaração publicada no X ocorre após relatos de que um bombardeio atingiu uma escola primária feminina na província de Hormozgan, no sul do país, deixando quase 150 mortos.
“Elas eram meninas que iam à escola para aprender, com esperanças e sonhos para o seu futuro. Hoje, suas vidas foram brutalmente interrompidas”, escreveu Malala.
Segundo a mídia estatal iraniana, mísseis atingiram diretamente a escola Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, durante o horário de aulas.
O balanço mais recente aponta 148 mortos e ao menos 95 feridos, entre alunas, professoras e funcionários. Equipes de resgate seguem trabalhando na remoção de escombros, enquanto familiares buscam por sobreviventes.
“Estou de coração partido e profundamente indignada com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A morte de civis, especialmente de crianças, é inconcebível, e eu a condeno de forma inequívoca", completou a ativista.
O ataque ocorreu em meio a uma ofensiva aérea conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra alvos estratégicos iranianos, que já deixou dezenas de comandantes militares e autoridades políticas mortos. As ações militares ampliaram drasticamente as tensões no Oriente Médio, levantando temores de um[grifar] conflito regional em larga escala.
O Exército de Israel afirmou neste domingo que não tem conhecimento de um ataque contra uma escola no sul do Irã e que está analisando as informações divulgadas por Teerã.
Já o Ministério da Saúde iraniano classificou o episódio como “a notícia mais amarga” do conflito até agora. Em uma publicação no X, o porta-voz Hossein Kermanpour escreveu: “Deus sabe quantos corpos de crianças ainda serão retirados dos escombros”.
Na declaração, Malala afirmou que seu coração está com as crianças, famílias e comunidades afetadas pela violência e reforçou o apelo pelo fim dos ataques.
“Sou firmemente contra a violência e o direcionamento de ataques contra escolas e civis. A escalada da violência precisa acabar. Justiça e responsabilização devem seguir”, afirmou. “Toda criança merece viver e aprender em paz.”
Símbolo global da educação de mulheres
Malala tornou-se um símbolo mundial da luta pelo direito à educação das meninas após sobreviver, aos 15 anos, a um atentado do Talibã no Paquistão, em 2012. Ela foi baleada dentro de um ônibus escolar por defender publicamente o acesso de meninas à escola.
Dois anos depois, se tornou a pessoa mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz.
Desde então, lidera campanhas globais por meio do Fundo Malala, organização que atua em países afetados por conflitos armados, pobreza extrema e instabilidade política, promovendo projetos educacionais e pressionando governos por políticas públicas voltadas à educação feminina.
Especialistas em direito internacional humanitário alertam que escolas são instalações civis protegidas pelas Convenções de Genebra e que ataques desse tipo, se confirmados, podem configurar crime de guerra.
A tragédia intensifica a pressão internacional por um cessar-fogo e reforça o alerta sobre o impacto devastador dos conflitos armados sobre crianças e sistemas educacionais, em uma região marcada por décadas de instabilidade.
Confira a declaração de Malala na íntegra:
Elas eram meninas que iam à escola para aprender, com esperanças e sonhos para o seu futuro. Hoje, suas vidas foram brutalmente interrompidas.
Estou de coração partido e profundamente indignada com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, incluindo relatos de que uma escola de meninas no sul do país foi atingida, resultando na morte e ferimentos de muitas garotas. A morte de civis, especialmente de crianças, é inconcebível, e eu a condeno de forma inequívoca.
Meu coração está com as crianças, as famílias e as comunidades afetadas pela escalada da violência em toda a região. Sou firmemente contra a violência e o ataque a escolas e civis. Faço um apelo para que a escalada da violência na região chegue ao fim. Justiça e responsabilização precisam acontecer. Todos os Estados e partes envolvidas devem cumprir suas obrigações no âmbito do direito internacional para proteger civis e salvaguardar as escolas.
Toda criança merece viver e aprender em paz.
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