Nome de Trump é removido da fachada do Kennedy Center após decisão judicial nos EUA

Por Da redação, com agências 13 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nome de Trump é removido da fachada do Kennedy Center após decisão judicial nos EUA

Trabalhadores começaram a remover nas primeiras horas deste sábado, 13, o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da fachada de mármore branco do John F. Kennedy Center for the Performing Arts, em Washington. A operação ocorreu após um juiz federal considerar ilegal a mudança de nome da instituição.

A retirada das letras começou pouco depois das 3h da manhã no horário local, depois que o centro pediu uma extensão do prazo que terminaria à meia-noite. Matt Floca, diretor-executivo do Kennedy Center, solicitou mais 12 horas ao tribunal, alegando que uma tempestade de verão havia atrasado os trabalhos.

Na sexta-feira, 12, equipes passaram cerca de oito horas instalando grandes andaimes em frente à área da fachada onde estava o nome de Trump. Depois, nas primeiras horas do sábado, foram colocadas lonas brancas para bloquear a visão da remoção.

Apesar da cobertura, um fotógrafo conseguiu observar um trabalhador retirando uma das letras. A remoção foi feita manualmente, sem o uso de ferramentas elétricas.

Disputa judicial e crise política em Washington

A retirada aconteceu depois que tribunais federais rejeitaram pedidos de aliados de Trump e do próprio Kennedy Center para interromper a decisão judicial.

O conselho diretor da instituição, alinhado ao presidente americano, havia aprovado meses antes a inclusão do nome de Trump no edifício. A medida provocou reação de parlamentares democratas e de artistas, além de abrir uma crise envolvendo o principal centro cultural da capital dos Estados Unidos.

A deputada Joyce Beatty, integrante do conselho do Kennedy Center, entrou com uma ação contra a mudança, classificando a decisão como uma violação do Estado de Direito. Ela acompanhou a retirada das letras no sábado, permanecendo na praça em frente ao prédio mesmo após o encerramento dos trabalhos.

O episódio atraiu uma multidão ao centro cultural. Durante dois dias, visitantes foram ao local para observar se o nome do presidente seria retirado da fachada.

Decisão do juiz federal

A disputa começou após o conselho do Kennedy Center votar pela inclusão do nome de Trump no edifício, em dezembro de 2025. Dirigentes afirmaram, na época, que a mudança era uma forma de reconhecer a dedicação do presidente à instituição e sua contribuição para garantir US$ 257 milhões destinados a uma reforma.

Ao analisar a ação de Beatty, o juiz federal Christopher R. Cooper concluiu que o conselho não tinha autoridade para renomear unilateralmente a instituição. Segundo ele, essa decisão caberia exclusivamente ao Congresso, responsável pela legislação que dedicou o centro à memória de John F. Kennedy em 1964.

O magistrado determinou que o nome original fosse restaurado no edifício e nos materiais oficiais do centro em um prazo de duas semanas.

Queda nas vendas e mudanças promovidas por Trump

Na decisão, Cooper também afirmou que o Kennedy Center já havia começado a cumprir a ordem, citando mudanças em formulários, redes sociais e assinaturas de e-mail. O nome de Trump deixou de aparecer no topo do site oficial da instituição.

Ao tentar reverter a decisão, o Kennedy Center argumentou que retirar o nome e depois eventualmente recolocá-lo poderia causar confusão para o público. O recurso também afirmou que a mudança poderia afetar a arrecadação, já que alguns doadores teriam contribuído motivados pela presença do nome de Trump no prédio.

A disputa acontece em meio a uma série de intervenções do presidente americano no centro cultural. No início de seu segundo mandato, Trump substituiu integrantes indicados pelo governo Biden no conselho por aliados, que depois o elegeram presidente do órgão.

Ele também promoveu alterações visuais na instituição e assumiu protagonismo em eventos do Kennedy Center, incluindo a cerimônia Kennedy Center Honors.

Em fevereiro, Trump anunciou a intenção de fechar o centro por dois anos para realizar obras de manutenção. A medida também foi contestada judicialmente por Beatty, que questionou se o plano não teria relação com a queda na venda de ingressos e o afastamento de artistas.

Reação após a retirada das letras

Autoridades alinhadas a Trump afirmaram que recorreriam da decisão sobre o nome, dizendo acreditar que os tribunais reconheceriam a intenção do conselho de homenagear o presidente.

No entanto, após a decisão judicial, Trump reagiu nas redes sociais e afirmou que, sem controle sobre os assuntos do centro, não teria interesse em continuar o processo.

Além da fachada, o nome do presidente também aparecia em materiais da instituição, como papéis timbrados, cartazes e placas. Nesta semana, uma placa de estacionamento teve a palavra Trump coberta por fita branca, enquanto o nome também foi removido de um dos ônibus do centro.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: