Nova IA da Meta pode fazer ação da empresa subir 35%, diz JP Morgan
A Meta lançou nesta semana o modelo de inteligência artificial Muse Spark, movimento que pode marcar um ponto de inflexão para o desempenho das ações da companhia, na avaliação do JPMorgan. O banco reiterou a recomendação “overweight” para o papel e manteve o preço-alvo em US$ 825, o que implica potencial de valorização de 34,7% em relação ao fechamento desta quarta-feira, 8.
“O lançamento do Muse Spark deve aumentar a confiança na trajetória de escala da Meta e melhorar o sentimento dos investidores”, escreveu o analista Doug Anmuth em relatório, conforme divulgado pela CNBC.
O Muse Spark é o primeiro produto do Meta Superintelligence Labs (MSL), que foi criado no ano passado como parte da ofensiva multibilionária da Meta para recuperar terreno na corrida global por inteligência artificial. A unidade é liderada por Alexandr Wang, fundador da Scale AI, contratado após um investimento de US$ 14,3 bilhões da companhia na startup, em meio a uma disputa agressiva por talentos que incluiu pacotes de remuneração de centenas de milhões de dólares para engenheiros.
O lançamento ocorre em um momento em que as gigantes de tecnologia dos EUA enfrentam pressão crescente para demonstrar retorno sobre os elevados investimentos em IA — movimento que, no caso da Meta, também tem gerado questionamentos entre parte dos acionistas sobre o ritmo e a escala desses aportes, segundo a CNBC.
O modelo lançado entra em competição direta com o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic. Após o anúncio, as ações da Meta chegaram a subir 9,5% no pregão desta quarta-feira e encerraram o dia com alta de 6,5%, mantendo o movimento positivo nesta quinta-feira, 9, com avanço superior a 3%. O papel vinha ficando para trás em 2026 em relação à maior parte das “Sete Magníficas”: no ano, acumulava queda superior a 4%, enquanto Alphabet e Amazon registravam ganhos modestos e a Nvidia recuava cerca de 1,5%.
O que esperar do Muse Spark
Criado em nove meses, o Muse Spark foi projetado para operar com múltiplos agentes simultaneamente em tarefas complexas, além de analisar imagens sem descrição prévia do usuário, oferecer modo de compras com links para produtos e integrar informações públicas de redes sociais com base em localização e contexto. Inicialmente disponível no aplicativo e no site do Meta AI, o modelo deve substituir nas próximas semanas os sistemas Llama usados nos chatbots do Instagram, Facebook e WhatsApp, além da coleção de óculos inteligentes Meta Ray-Ban.
"Este modelo inicial é pequeno e rápido por design, mas capaz o suficiente para raciocinar sobre questões complexas em ciência, matemática e saúde. É uma base sólida, e a próxima geração já está em desenvolvimento", escreveu a empresa em uma publicação no blog da companhia.
Segundo a companhia, o modelo também terá suporte multimodal — com capacidade de compreender texto, imagens e vídeos — e deve viabilizar melhorias em sistemas de recomendação de conteúdo nas plataformas sociais da companhia (Instagram, Facebook e Threads). A ferramenta inclui ainda execução simultânea de subagentes para dividir tarefas em etapas e recursos voltados a atividades cotidianas, como estimar calorias de refeições a partir de imagens ou auxiliar no planejamento de viagens familiares.
Novo modelo é apenas o primeiro passo
A Meta aposta que a aplicação da IA em tarefas pessoais pode ampliar o engajamento de seus mais de 3,5 bilhões de usuários, reforçando sua vantagem de escala frente a concorrentes. O lançamento ocorre após a companhia perder tração em 2025 com o desempenho do Llama 4 frente a rivais como o GPT-5 e o Gemini 3, do Google, o que levou a uma reestruturação interna na divisão de IA liderada anteriormente por Yann LeCun, um dos nomes mais importantes da história do setor.
Ao contrário do Llama, o Muse Spark não tem código aberto, como tradicionalmente tinham os modelos da companhia. Ainda assim, a própria Meta admitiu que o novo modelo não é o projeto que vai colocá-la no mesmo patamar dos rivais — é apenas o começo para tirar o atraso.
Para o JPMorgan, o novo modelo representa apenas o primeiro passo de uma trajetória mais ampla de evolução tecnológica. O banco avalia que, embora os investimentos em IA pressionem o capex de infraestrutura, a Meta mantém histórico de disciplina na alocação de capital e segue posicionada nas duas principais frentes tecnológicas atuais — inteligência artificial e metaverso. A expectativa é de crescimento de receita acima da média em 2026, com modelos mais robustos já em desenvolvimento na direção do que a empresa define como “superinteligência pessoal”.
“A Meta está focada nas duas grandes ondas de tecnologia — IA e metaverso — e vai gastar nessas oportunidades enquanto mantém disciplina. Reconhecemos que essas ambições de longo prazo estão impulsionando o capex de infraestrutura, mas projetamos um crescimento de receita acima da média em 2026, e a Meta tem um forte histórico de gerar retorno sobre o aumento de gastos", afirmou JPMorgan, conforme divulgado pela CNBC.
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