Novo luxo não é trocar de endereço: brasileiros transformam a casa em um ativo de longevidade
Durante muito tempo, a lógica do consumo dentro de casa esteve associada à renovação constante: trocar, reformar, atualizar e em alguns casos, até trocar de endereço.
Em um mundo marcado pela velocidade das tendências e pela obsolescência de produtos, o lar acompanhava esse ritmo. Agora, essa relação começa a mudar.
Mais do que acompanhar modas ou ciclos rápidos de consumo, cresce entre os brasileiros o desejo de construir ambientes capazes de "atravessar o tempo". A ambição deixa de ser apenas renovar a casa, mas fazê-la durar e acompanhar uma vida cada vez mais longa -- e melhor.
É o que revela o novo estudo divulgado pela Dexco, nesta sexta-feira, 6, sobre o tempo e a relação das pessoas com os ambientes. A tendência é clara: o novo luxo não é trocar de endereço, mas sim transformar o lar em um ativo de longevidade.
O levantamento ouviu 1.125 homens e mulheres de 25 a 65 anos, das classes A e B, em todas as regiões do país — com maior concentração no Sudeste (53%), onde o público é altamente ativo no mercado imobiliário.
“A casa passa a ser pensada para acompanhar diferentes fases da vida. Não é mais um espaço de troca constante, mas um ambiente que evolui com o tempo", destaca à EXAME, Marcele Brunel, head do Design Office da Dexco.
A tendência combina bem-estar, funcionalidade, consumo consciente e minimalismo. No final do dia, "menos é mais".
Em relação ao futuro, outro dado chama a atenção: 82% veem a casa como seu principal investimento a longo prazo e buscam materiais de "base permanente" (pisos e revestimentos de alta qualidade) que não precisem ser trocados, permitindo atualizar apenas a decoração ao longo do tempo.
Em vez de trocar de endereço, cresce a tendência de adaptar e qualificar os espaços existentes para que resistam: tanto do ponto de vista funcional quanto emocional.
"O ESG está deixando de ser sobre eficiência e de fato se tornando longevidade", diz Jonny Macali, estrategista Senior em Design, Tendências e Inovação, explicando que os produtos da empresa são pensados para responder a essa nova realidade de consumo.
A Dexco já aposta em materiais mais duráveis, resistentes ao uso cotidiano e capazes de atravessar diferentes fases da casa sem precisar ser substituídos, como pisos, painéis de madeira e revestimentos de longa vida útil.
"Ser sustentável no nosso mercado é apresentar produtos duráveis, que não vão ser substituídos. Acho que essa é uma das grandes sacadas que a gente percebeu nesse estudo: o design de longo prazo", acrescentou Marcelle.
Embora apenas 16% dos entrevistados tenham construído uma casa do zero nos últimos 12 meses, reformas seguem em alta: 77% realizaram intervenções estéticas ou de decoração no último ano, e 80% pretendem fazer novas mudanças nos próximos 12 meses.
A preferência, porém, recai cada vez mais sobre o que a descoberta chama de “bases permanentes" e elementos pensados para durar.
A busca por durabilidade também reflete um incômodo crescente com produtos que precisam ser substituídos rapidamente: 85% dos entrevistados afirmam se incomodar quando itens da casa estragam rápido e precisam ser trocados com frequência.
Quando o tempo vira o novo luxo
Por trás dessa mudança está uma percepção cada vez mais comum: a sensação de que o tempo ficou escasso. De acordo com o estudo, 66% dizem que a vida está constantemente acelerada, enquanto 49% admitem ter dificuldade de acompanhar a velocidade das mudanças atuais.
Essa sensação de perda de controle sobre o tempo gera uma reação direta no consumo. Simplicidade e eficiência passam a ser percebidas como "formas contemporâneas de luxo".
No cotidiano doméstico, isso se traduz em escolhas que prometem reduzir os atritos da rotina. Economizar tempo nas atividades do dia a dia (47%) e na limpeza da casa (45%) aparece como prioridade maior do que trabalho (36%), transporte (38%) ou alimentação (38%).
“Em um mundo cada vez mais acelerado, a casa passa a ter um papel de compensação. Ela precisa simplificar a rotina, economizar tempo e reduzir fricções do dia a dia”, reforça Jonny.
Não por acaso, 57% afirmam que se sentiriam motivados a mudar a casa para facilitar limpeza e manutenção, enquanto 49% dizem que reduzir bagunça e acúmulo de objetos seria um dos principais motivos para reformar os ambientes.
Seja por meio de armazenamento oculto, soluções inteligentes de organização ou materiais mais resistentes, a lógica é: quanto menos esforço a casa exigir, mais qualidade de vida ela oferece.
Conforto térmico vira prioridade de adaptação climática
Se a casa passa a ser pensada para acompanhar uma vida mais longa, ela também precisa responder a um contexto climático cada vez mais desafiador e de eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.
O estudo mostra que o conforto térmico vem ganhando espaço entre as prioridades dos brasileiros ao planejar reformas ou melhorias no lar, dialogando diretamente com o aumento de ondas de calor e frio no Brasil.
Para os especialistas da Dexco, é mais do que uma questão de conforto: é sobre adaptação climática.
Ambientes capazes de manter temperaturas mais estáveis, materiais que ajudam a reduzir a absorção de calor e soluções que favorecem ventilação e eficiência térmica passam a ser vistos como parte essencial de uma "casa preparada para o futuro".
"O brasileiro quer, de fato, uma casa que dure, e seja feita pensando no conforto e sensação térmica. A gente sente na pele os efeitos do clima: onda de calor em São Paulo, a qualquer hora do dia", exemplifica Marcelle.
Nesse contexto, o lar deixa de ser apenas um espaço de moradia para assumir também um papel de proteção.
Mas afinal, o que é a casa ideal? Nesse novo cenário, não é apenas bonita ou funcional. Ela precisa durar mais, exigir menos manutenção e oferecer conforto em um mundo cada vez mais imprevisível.
No fim das contas, a transformação revela uma mudança mais profunda na relação entre consumo e tempo.
Se antes a casa acompanhava o ritmo acelerado das tendências, agora cresce a vontade de que ela faça justamente o contrário: criar um espaço capaz de desacelerar a vida e sustentar o bem-estar ao longo dos anos.
1/8 Arlete Soares, Diretora de Pessoas e Ética Corporativa da Wickbold (Arlete Soares, Diretora de Pessoas e Ética Corporativa da Wickbold)
2/8 Carolina Ferreira Head de Gente & ASG da Alelo, Bia Nóbrega Executiva de RH e Gabrielle Botelho Diretora de Recursos Humanos da Viridien (Carolina Ferreira Head de Gente & ASG da Alelo, Bia Nóbrega Executiva de RH e Gabrielle Botelho Diretora de Recursos Humanos da Viridien)
3/8 Luis Gonzalez CEO e Cofundador da Vidalink, Camila Securato CSO da Saint Paul e Exame Educação e Cláudia Securato professora da Saint Paul (Luis Gonzalez CEO e Cofundador da Vidalink, Camila Securato CSO da Saint Paul e Exame Educação e Cláudia Securato professora da Saint Paul)
4/8 Gabrielle Botelho Diretora de Recursos Humanos da Viridien, Valeria Plata CHRO da Direcional Engenharia, Vanessa Camarinha Head de RH Brasil e Chile, Carolina Ferreira Head de Gente & ASG da Alelo e Milene Moraes CHRO da MGI (Gabrielle Botelho Diretora de Recursos Humanos da Viridien, Valeria Plata CHRO da Direcional Engenharia, Vanessa Camarinha Head de RH Brasil e Chile, Carolina Ferreira Head de Gente & ASG da Alelo e Milene Moraes CHRO da MGI)
5/8 Marília Rocca CEO da Funcional, Bia Nóbrega Executiva de RH e Karen Daldon Burmeister CHRO da Inspirali (Marília Rocca CEO da Funcional, Bia Nóbrega Executiva de RH e Karen Daldon Burmeister CHRO da Inspirali)
6/8 João Luis Migliaccio, CHRO do Grupo Petrópolis (João Luis Migliaccio, CHRO do Grupo Petrópolis)
7/8 Carolina Rosignoli Head de People da Alice, Felipe Von Gal Diretor de Marketing da Vidalink e Leo Branco, Editor da EXAME (Carolina Rosignoli Head de People da Alice, Felipe Von Gal Diretor de Marketing da Vidalink e Leo Branco, Editor da EXAME)
8/8 Gabriela Domeneck Executiva de RH e Marcia Mendonça Executiva de Contas InCompany da Saint Paul (Gabriela Domeneck Executiva de RH e Marcia Mendonça Executiva de Contas InCompany da Saint Paul)
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