Novo Nordisk perde 75% em valor de mercado e acende alerta em Wall Street
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, enfrenta um crescente ceticismo dos investidores, segundo fontes ouvidas pela CNBC. Desde o pico registrado em meados de 2024, quando suas ações superaram 1.000 coroas dinamarquesas, os papéis acumulam uma queda de 75%.
A companhia, que chegou a ocupar o posto de empresa mais valiosa da Europa após o pioneirismo dos medicamentos GLP-1 para perda de peso, viu suas ações caírem 15% a 16% na segunda-feira, 23, depois que seu novo remédio não conseguiu superar o desempenho da rival Eli Lilly, dona do Mounjaro e do Zepbound.
Estimativas indicam que a Novo Nordisk detém, atualmente, cerca de 40% do mercado de medicamentos contra a obesidade, enquanto sua principal concorrente já concentra os 60% restantes.
Nos últimos cinco anos, as ações da Eli Lilly acumularam alta de cerca de 400%, ao passo que os papéis da farmacêutica dinamarquesa avançaram pouco mais de 10%, evidenciando a diferença de desempenho entre as duas companhias, de acordo com informações consultadas pela CNBC.
Um dos fatores que mais pesam contra a companhia é a alta exposição ao mercado dos Estados Unidos (EUA), que, desde 2023, representa mais da metade de suas vendas totais. Isso deixa farmacêutica vulnerável à queda acelerada nos preços de medicamentos no país, de acordo com os especialistas.
Em um cenário ainda mais desafiador para a companhia, a rival Eli Lilly fechou, recentemente, um acordo com a administração do presidente americano Donald Trump para reduzir os valores dos medicamentos GLP-1 nos programas Medicare e Medicaid, além de oferecer descontos diretos aos consumidores.
CEO da Novo Nordisk reconhece desafios
O CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, reconheceu os desafios em declarações à CNBC, prevendo que a empresa enfrentará ventos contrários em relação aos preços, em um mercado cada vez mais competitivo durante 2026. "As pessoas devem esperar que as vendas caiam antes de subirem novamente."
A companhia projeta que as vendas e os lucros possam cair entre 5% e 13% neste ano, o que marcaria o primeiro declínio anual desde 2017. Os investidores têm se preocupado também, neste cenário, com um portfólio pouco diversificado na companhia dinamarquesa, segundo analistas ouvidos pelo canal.
A empresa é focada na atuação contra diabetes e obesidade de forma quase exclusiva, com seis remédios considerados "blockbusters", isto é, com vendas anuais superiores a US$ 1 bilhão em 2025. Em comparação, a Eli Lilly possui oito desses medicamentos, com portfólio que inclui terapias oncológicas e gênicas.
Novo Nordisk tem concentração de receita
Isso fica ainda mais evidente na concentração de receita da Novo Nordisk, cuja venda combinada do Ozempic e do Wegovy representou, aproximadamente, 67% do faturamento total no último ano, de acordo com fontes consultadas pela CNBC. O que acende um alerta em Wall Street.
A empresa tem, também, concorrência direta de grandes farmacêuticas como AstraZeneca, Roche, Amgen e Pfizer, que planejam entrar no mercado com drogas mais diferenciadas, além de enfrentar a ameaça de farmácias de manipulação que vendem versões genéricas e mais baratas de seus medicamentos.
Doustdar afirmou, no entanto, que novos medicamentos, como a versão em comprimido do Wegovy, e o aumento do volume de vendas devem impulsionar o crescimento a longo prazo. Já analistas ouvidos pelo FactSet mantêm cautela, projetando uma queda anual de cerca de 8% nas vendas para 2026.
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