Novo remédio da dona do Ozempic fica para atrás em disputa com Mounjaro
As ações da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk caíram 15% nesta segunda-feira, 23, no menor nível desde junho de 2021. O motivo está atrelado ao seu novo remédio de emagrecimento, CagriSema, que não conseguiu comprovar que é tão eficaz quanto a tirzepatida, desenvolvida pela concorrente Eli Lilly.
Os papéis da Novo Nordisk, dona do Ozempic e do Wegovy, recuaram para 256 coroas dinamarquesas (US$ 40,37 dólares aproximadamente) em Copenhague, ao passo que as ações da Eli Lilly, dona do Mounjaro e Zepbound, subiram 3,5% no pré-mercado em Nova York, em torno de US$ 1.010.
Um comunicado da dinamarquesa divulgado pela CNBC mostrou que o estudo clínico de 84 semanas evidenciou que pacientes tratados com 2,4 miligramas (mg) de CagriSema — combinação dos princípios ativos semaglutida e cagrilintida — registraram perda média de peso de 23%.
O resultado, porém, ficou abaixo dos 25,5% observados entre os pacientes que receberam 15 mg de tirzepatida, da Eli Lilly. O baque veio em um contexto em que o CagriSema era apontado como uma das principais apostas da farmacêutica para sustentar a liderança no mercado de obesidade.
Isso ocorre no momento em que o Zepbound, da rival americana, já supera o Ozempic e o Wegovy em número de prescrições nos Estados Unidos (EUA), segundo fontes ouvidas pela CNBC.
"CagriSema tem potencial", diz diretor
O diretor-científico da Novo Nordisk, Martin Holst Lange, afirmou, ainda assim, que o CagriSema tem potencial para se tornar o primeiro tratamento combinado dos hormônios GLP-1 e amilina aprovado para obesidade.
Para o executivo, a solução desenvolvida pela Novo Nordisk proporciona efeitos adicionais de perda de peso clinicamente relevantes, superiores aos observados apenas com a ação do GLP-1.
A empresa informou, também, que pretende conduzir novos ensaios para explorar o potencial máximo do medicamento, incluindo testes com doses mais elevadas e diferentes combinações.
Desempenho é nova tensão para Novo Nordisk
O desempenho mais fraco no ensaio clínico é visto como mais um momento de tensão para a Novo Nordisk, cujas ações já acumulavam queda de quase 50% ao longo de 2025. Além da pressão competitiva da Eli Lilly, a farmacêutica enfrenta um ambiente de preços mais baixos nos EUA.
Também pesa a perda de exclusividade de patentes do Wegovy e do Ozempic em alguns mercados, como o Brasil. Neste cenário, a companhia projetou, no início do mês, que o crescimento de vendas e lucros deverá desacelerar, com variação estimada entre 5% e 13% em 2026.
Corrida contra obesidade está acirrada
Sobre o atual momento de volatilidade e revisão das expectativas de crescimento, o CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, afirmou à CNBC, no início do mês, que os investidores precisam se preparar para novas oscilações. "As pessoas devem esperar uma queda (nas ações) antes de uma recuperação."
A empresa segue com fortes esperanças para o medicamento CagriSema. Todavia, o desempenho das ações registrado hoje reforça a leitura de que a corrida pelo domínio global dos tratamentos contra a obesidade ficou mais acirrada e mais desafiadora para os players que atuam no mercado.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: