Novo rumo: ex-CEO da Rappi no Brasil vai faturar R$ 10 milhões com fraldas descartáveis de bambu

Por Guilherme Gonçalves 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Novo rumo: ex-CEO da Rappi no Brasil vai faturar R$ 10 milhões com fraldas descartáveis de bambu

Depois de anos vendendo conveniência em aplicativos de tecnologia, a sérvia Tijana Jankovic decidiu apostar em outro produto do cotidiano das famílias: as fraldas descartáveis tradicionais. A empresária já foi executiva de empresas como Uber e Google, e há três anos, deixou o cargo de CEO da Rappi no Brasil.

Desde então, ao lado da empresária Luna Mori, ela começou a idealizar a Pato Jack, startup que vende fraldas descartáveis feitas com fibra de bambu, voltadas para um público disposto a pagar mais por produtos considerados mais seguros para a pele dos bebês e menos agressivos ao meio ambiente.

A empresa está operando há dois meses, após um ano e meio de desenvolvimento do produto e aprovações regulatórias. A expectativa das fundadoras é faturar R$ 10 milhões em 2026.

“Existe uma demanda reprimida no Brasil por esse tipo de produto. Muitas famílias já compravam fraldas semelhantes fora do país. Nossa receita deve vir da combinação entre venda recorrente no e-commerce, expansão gradual no varejo especializado e um consumidor que busca produtos mais seguros e sustentáveis", afirma Tijana.

Os pacotes custam entre R$ 93,90 e R$ 155,90, dependendo do tamanho e da quantidade de unidades. A receita projetada deve vir, principalmente, da venda recorrente pelo e-commerce próprio, da parceria com a Shopper e da expansão gradual em varejistas especializados em produtos infantis.

O Brasil é um dos maiores mercados de fraldas descartáveis do mundo. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) mostram que o país está entre os três maiores consumidores globais da categoria, atrás apenas de Estados Unidos e China. O mercado brasileiro movimenta de 8 bilhões a 10 bilhões de fraldas por ano, segundo levantamentos do setor.

Ao mesmo tempo, as fraldas descartáveis comuns estão entre os resíduos de decomposição mais lenta no meio ambiente, podendo levar mais de 400 anos para se decompor.

Uma categoria dominada por commodities

A ideia da empresa nasceu da combinação entre experiência executiva e maternidade.

Tijana veio da Sérvia ao Brasil em 2013 para trabalhar no mercado financeiro. Depois, passou pela Uber durante o período de expansão da empresa no país, acompanhou o IPO da companhia, liderou operações no Google Maps para a América Latina e se tornou CEO da Rappi no Brasil durante os anos de crescimento acelerado da plataforma na pandemia.

No meio do caminho, vieram os três filhos e o contato direto com um mercado que ela considera parado no tempo.

“Era uma categoria extremamente relevante dentro dos gastos com bebê, mas onde praticamente tudo tinha virado commodity”, diz Tijana.

Segundo ela, a percepção ficou mais evidente ao comparar os produtos disponíveis no Brasil com alternativas vendidas em mercados como Estados Unidos e Europa.

“Eu trazia fraldas de fora. Muitas amigas minhas também faziam isso. Existia uma lacuna muito clara no mercado brasileiro”, afirma.

Foi no Rappi que ela conheceu Luna Mori, que liderava áreas ligadas a marketing e crescimento. A conversa sobre a criação da empresa coincidiu com a descoberta da gravidez de Luna.

“Quando ela me contou do projeto, eu pensei: eu preciso desse produto para minha filha”, diz Luna.

Luna Mori e Tijana Jankovic, fundadoras da Pato Jack: empresa nasceu após um ano e meio de desenvolvimento do produto (Pato Jack/Divulgação)

Como funciona uma fralda de bambu

A principal diferença da Pato Jack está na composição. As fraldas utilizam viscose de bambu, material que oferece maior respirabilidade, controle térmico e menor risco de irritação na pele do bebê.

A startup afirma que o produto foi adaptado especificamente para o clima brasileiro, mais quente e úmido do que mercados como Europa e Estados Unidos.

“Esse efeito sauna das fraldas tradicionais é ainda pior no Brasil. Então a gente aumentou bastante o percentual de bambu e materiais plant-based na composição”, afirma Tijana.

Segundo a empresa, as fraldas da marca possuem:

A companhia afirma ainda que o produto alcança 70% de decomposição em até 147 dias.

A proposta tenta ocupar um espaço intermediário entre dois mercados que, na visão das fundadoras, ainda não conversavam bem entre si: as fraldas ecológicas reutilizáveis, consideradas menos práticas, e as descartáveis tradicionais.

“Ou você tinha as ecológicas, mas pouco funcionais, ou tinha as práticas, mas nada sustentáveis”, diz Luna.

Estratégia: menos escala, mais curadoria

Apesar da ambição de crescimento, a Pato Jack não quer entrar imediatamente em grandes redes de farmácia ou supermercados. A estratégia inicial é concentrar distribuição em canais considerados mais aderentes ao posicionamento premium da marca.

Hoje, a empresa vende pelo e-commerce próprio, pela loja virtual Shopper — uma parceira de lançamento — e por operações especializadas em produtos infantis.

A ideia é expandir aos poucos, priorizando consumidores que as fundadoras chamam de “early adopters”: pais mais informados, com maior poder aquisitivo e dispostos a pesquisar composição, origem dos materiais e impacto ambiental dos produtos.

“A gente não quer ser uma marca massiva neste momento. Estamos criando uma nova categoria”, afirma Tijana.

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