Novo tratamento contra depressão mira o sistema imunológico

Por Vanessa Loiola 29 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Novo tratamento contra depressão mira o sistema imunológico

Um medicamento usado no tratamento de doenças inflamatórias pode abrir caminho para uma nova forma de combater a depressão resistente ao tratamento. Em um estudo piloto, pacientes que receberam o anti-inflamatório tocilizumabe apresentaram melhora em sintomas como depressão, ansiedade e fadiga.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da University of Bristol e publicada na revista científica JAMA Psychiatry. Os pesquisadores investigaram uma abordagem diferente dos antidepressivos tradicionais ao focar no sistema imunológico, e não diretamente nos neurotransmissores cerebrais.

Anti-inflamatório entrou nos testes

Para chegar aos resultados, o estudo avaliou 30 pessoas com depressão moderada a grave que não haviam respondido adequadamente aos tratamentos convencionais e também apresentavam sinais de inflamação leve em exames de sangue. Dessas, 14 receberam tocilizumabe e 16 receberam placebo durante quatro semanas de acompanhamento.

Segundo os pesquisadores, os participantes tratados com o medicamento apresentaram melhora em diferentes indicadores ligados à saúde mental e qualidade de vida. Os resultados também mostraram taxas maiores de remissão da depressão entre os pacientes que receberam o anti-inflamatório.

Inflamação x depressão

Os cientistas explicam que cerca de um terço das pessoas com depressão apresenta níveis elevados de marcadores inflamatórios no organismo.

Nos últimos anos, pesquisas passaram a investigar se alterações no sistema imunológico poderiam contribuir para o desenvolvimento dos sintomas em parte dos pacientes. Uma das moléculas analisadas é a interleucina-6 (IL-6), proteína envolvida na resposta inflamatória do corpo.

Segundo estudos anteriores da mesma equipe, alterações nessa via biológica podem ter ligação com a depressão.

Como funciona o tratamento?

O tocilizumabe atua bloqueando receptores associados à IL-6, reduzindo a atividade inflamatória. Com isso, os pesquisadores queriam entender se controlar processos inflamatórios poderia aliviar sintomas depressivos em pessoas resistentes aos antidepressivos convencionais.

Apesar dos resultados considerados promissores, os autores ressaltam que o estudo ainda é pequeno e preliminar. Os pesquisadores afirmam que estudos maiores serão necessários para confirmar a eficácia e a segurança da imunoterapia contra depressão.

A equipe agora planeja novos ensaios clínicos para avaliar se o tratamento pode ser utilizado de forma mais ampla no futuro. Para os cientistas, a pesquisa também reforça a possibilidade de tratamentos mais personalizados para depressão, levando em conta características biológicas específicas de cada paciente.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: