Novo ultrassom? Cientistas criam adesivo que acompanha bebê em tempo real
Um dispositivo em forma de adesivo criado por cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido pode mudar a forma como médicos acompanham a saúde de bebês durante a gestação. Chamado de UPatch, o sistema realiza ultrassonografia contínua e monitora em tempo real o fluxo sanguíneo fetal e os batimentos cardíacos, sem necessidade de exames constantes no hospital.
Os resultados da tecnologia foram publicados na revista Nature Biotechnology e apontam potencial para detectar complicações graves mais cedo, principalmente em gestações de alto risco e no acompanhamento pré-natal.
Como funciona a tecnologia?
O UPatch funciona como um adesivo flexível colocado sobre o abdômen da gestante. O equipamento utiliza ultrassom duplex, técnica que combina imagens internas do feto com análise do fluxo sanguíneo.
Além de captar sinais continuamente, o sistema usa algoritmos capazes de acompanhar vasos sanguíneos mesmo quando há movimentos do bebê ou da mãe. Segundo os pesquisadores, isso permite observar mudanças ao longo do tempo e identificar padrões que poderiam passar despercebidos em exames rápidos tradicionais.
A proposta da tecnologia é justamente superar limitações dos métodos atuais de monitoramento fetal. Atualmente, os ultrassons convencionais oferecem apenas avaliações pontuais realizadas em consultas espaçadas. Já os sistemas contínuos podem gerar falsos alarmes e apresentam baixa capacidade para prever complicações graves.
Para os autores do estudo, o principal diferencial do novo dispositivo é a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento fetal de forma prolongada, inclusive fora do ambiente hospitalar.
Dispositivo detectou sinais graves em gravidez de risco
Os pesquisadores compararam o desempenho do UPatch com aparelhos portáteis tradicionais de ultrassom em 62 gestantes. Segundo a análise, os resultados mostraram alta compatibilidade entre os métodos em parâmetros como frequência cardíaca fetal e fluxo sanguíneo.
O dispositivo também foi testado em outras 52 mulheres com condições como pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes gestacional e restrição de crescimento fetal.
Em um dos casos, o sistema identificou sinais associados à insuficiência placentária grave em uma paciente com pré-eclâmpsia. A alteração levou ao aumento do monitoramento médico e à realização antecipada de uma cesariana.
Versão portátil deve ser aperfeiçoada
Apesar dos resultados considerados promissores, o UPatch ainda está em fase inicial de desenvolvimento. Atualmente, o dispositivo funciona conectado a componentes externos por cabos e ainda depende de ultrassom convencional para posicionamento inicial.
A equipe trabalha agora em uma versão sem fio e mais compacta para monitoramento contínuo em casa e durante atividades do dia a dia.
Segundo os pesquisadores, a tecnologia também pode ampliar o acesso ao acompanhamento fetal em regiões com poucos especialistas em ultrassonografia.
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