Nvidia divulga balanço hoje: o que Wall Street espera da gigante de IA

Por Caroline Oliveira 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nvidia divulga balanço hoje: o que Wall Street espera da gigante de IA

A Nvidia volta ao centro das atenções do mercado nesta semana, quando divulga o resultado do primeiro trimestre fiscal após o fechamento do pregão de quarta-feira, 20. Depois de um rali que já recolocou a empresa como a mais valiosa do mundo, com valor de mercado acima de US$ 5,5 trilhões, o balanço será acompanhado como um teste para a continuidade da onda de inteligência artificial (IA) que impulsiona as ações de semicondutores.

Os papéis acumulam alta de mais de 35% desde o fim de março e avançam cerca de 66% em 12 meses. Nesta segunda-feira, 18, porém, as ações recuavam 1,1% nas negociações da manhã, após uma queda de 4,4% na sexta-feira, em meio à alta dos custos de financiamento e a um movimento de realização de lucros no setor de tecnologia.

Para o balanço, a expectativa de Wall Street é que a fabricante de chips entregue mais um trimestre de crescimento acelerado, acompanhado de projeções acima do consenso — o chamado “beat and raise”, padrão que a companhia vem repetindo nos últimos anos.

Segundo a Barron’s, o mercado espera receita próxima de US$ 78,8 bilhões e lucro em torno de US$ 1,75 por ação no trimestre. O histórico reforça esse otimismo: a Nvidia superou as estimativas de lucro em 18 dos últimos 20 balanços e bateu as projeções de receita em 19 deles.

Alguns bancos são ainda mais otimistas. O Morgan Stanley, em relatório citado pela CNBC, elevou seu preço-alvo para a ação de US$ 260 para US$ 285, o que implica um potencial de alta de cerca de 26% em relação ao último fechamento, e revisou para cima suas projeções para o trimestre encerrado em 30 de abril. Agora, espera receita de US$ 79,264 bilhões e lucro de US$ 1,72 por ação.

Para o analista, Joseph Moore, o resultado deve representar um passo importante para uma nova reprecificação da ação. Segundo ele, a Nvidia continua em vantagem competitiva por sua capacidade de garantir fornecimento de componentes em meio aos gargalos da cadeia global de IA. O banco afirma que a companhia já assegurou grande parte da capacidade necessária para os embarques previstos nos próximos 18 meses.

O HSBC também elevou sua projeção para os papéis da Nvidia, aumentando o preço-alvo de US$ 295 para US$ 325, o que representa potencial de alta de 46,2% em relação ao fechamento desta segunda-feira, de acordo com a CNBC. O banco afirmou esperar não apenas um trimestre forte, mas também um guidance acima do consenso.

Para Frank Lee, analista do HSBC, citado pela CNBC, o mercado pode estar subestimando a força da demanda pelas novas gerações de chips da companhia. “Esperamos que o momentum do Blackwell e a aceleração do Rubin sustentem o momentum de lucros”, escreveu o analista.

A demanda pelas novas gerações de chips será um dos pontos mais observados pelos investidores. O KeyBanc, também citado pela Barron’s, elevou seu preço-alvo para US$ 300, com recomendação Overweight, e afirmou esperar forte demanda pelas GPUs Blackwell Ultra e pelos embarques iniciais das GPUs Rubin.

Além dos números do trimestre, o mercado quer entender como a Nvidia pretende sustentar sua liderança em inferência de IA — etapa em que os modelos são efetivamente executados — em um ambiente de concorrência crescente.

Grande parte da empolgação recente do mercado tem se concentrado justamente nas unidades centrais de processamento (CPUs), vistas como uma alternativa mais eficiente em termos de custo para aplicações de inferência. O analista John Vinh, do KeyBanc, espera que a Nvidia anuncie racks de servidores com CPUs independentes durante a Computex, feira de tecnologia que acontece em Taiwan no início de junho.

Outro ponto observado por Wall Street é o avanço da chamada IA “agentic”, sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma. Em relatório do Goldman Sachs, analistas destacaram que uma proliferação desses agentes de IA poderia sinalizar uma adoção corporativa mais ampla da tecnologia e sustentar um novo ciclo de demanda por infraestrutura computacional.

Segundo eles, esse movimento ajudaria a justificar uma reprecificação das ações da Nvidia, especialmente se vier acompanhado por melhora na rentabilidade das hyperscalers e maior adoção entre clientes fora do núcleo tradicional de tecnologia.

O HSBC também vê justamente nessa diversificação uma possível nova narrativa para a ação. Para Frank Lee, a próxima reprecificação relevante da Nvidia pode vir da expansão do mercado além das grandes empresas de computação em nuvem.

“A NVIDIA vem fechando ativamente acordos além dos hyperscalers tradicionais, e acreditamos que esse continuará sendo o foco daqui para frente [...]”, escreveu Lee, de acordo com a CNBC.

Outro foco do mercado será o ritmo dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial pelas grandes empresas de tecnologia. Segundo a Barron’s, as hyperscalers devem investir mais de US$ 750 bilhões em projetos de IA neste ano, com projeções próximas de US$ 800 bilhões até 2027.

Esse fluxo de capital continua sendo o principal motor da tese para semicondutores. Analistas como Gil Luria, da D.A. Davidson, citado pela Barron’s, afirmam que gargalos em memória, energia, empacotamento avançado e capacidade computacional seguem sustentando a demanda por chips de IA. “A Nvidia entendeu primeiro os padrões de demanda, e é por isso que está se adaptando à escassez de memória e até falando sobre algo antes impensável — vender CPUs de forma independente”, concluiu Luria.

Mesmo após a forte valorização recente, parte de Wall Street ainda vê espaço para novas altas. Ainda de acordo com a Barron’s, Paul Meeks, da Freedom Capital Markets, destaca que a Nvidia negocia a cerca de 20 vezes o lucro estimado para o ano fiscal de 2028, enquanto o mercado projeta crescimento de 73% no lucro ajustado em 2027 e de 36% em 2028.

O consenso segue amplamente positivo. De acordo com dados da LSEG citados pela CNBC, 57 dos 61 analistas que acompanham a Nvidia recomendam compra ou forte compra para o papel.

Ao mesmo tempo, o mercado reconhece que o nível de exigência aumentou após o forte rali das últimas semanas. A estrategista Charu Chanana, do Saxo Bank, afirmou à Barron’s que o balanço ajudará a responder uma questão central para o mercado: “os gastos com infraestrutura de IA ainda estão em ritmo acelerado, ou o mercado já está precificando boas notícias demais?”.

Analistas avaliam que o resultado pode reforçar não apenas a tese para a própria Nvidia, mas também sustentar uma nova rodada de valorização para o setor de semicondutores e infraestrutura de IA.

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