Nvidia entra nos PCs com chip que transforma computador em agente de IA
A Nvidia anunciou nesta segunda-feira, 1º, a sua entrada formal no mercado de computadores pessoais e confirmar que a plataforma Vera Rubin (sua nova geração de infraestrutura para IA) entrou em produção em volume.
Os dois anúncios, feitos pelo CEO Jensen Huang durante o keynote no Taipei Music Hall, ampliam o escopo da empresa para além dos data centers e sinalizam uma aposta simultânea em dois mercados distintos, o enterprise e o consumidor.
O RTX Spark, anunciado hoje, é um superchip que combina processador central e processador gráfico num único componente, desenvolvido em parceria com a MediaTek, de Taiwan.
O chip será fabricado pela TSMC usando o processo de 3 nanômetros e vai rodar o sistema operacional Windows for Arm, da Microsoft.
Os primeiros laptops e desktops com o RTX Spark devem chegar ao mercado no outono norte-americano com Dell e Lenovo entre os primeiros fabricantes parceiros.
O processador central terá até 20 núcleos de computação.
O processador gráfico, de geração Blackwell, terá 6.144 núcleos. Os dois componentes vão compartilhar memória integrada e se comunicar pela interface NVLink — a mesma tecnologia usada para conectar GPUs em data centers, agora trazida para computadores pessoais.
A proposta central do chip é rodar modelos de IA localmente, sem depender de computação em nuvem.
"O RTX Spark vai transformar o PC tradicional centrado em aplicativos num PC agêntico realmente útil, que eventualmente estará em todos os lares nos próximos anos", disse Neil Shah, cofundador da Counterpoint Research, à Reuters.
Huang enquadrou o lançamento como o início de uma transformação do mercado de PCs comparável ao surgimento do smartphone.
A Nvidia disse que trabalhou com a Microsoft por três anos para garantir compatibilidade de software e suporte ao ecossistema Windows for Arm — historicamente o ponto fraco das tentativas anteriores de migrar PCs para a arquitetura ARM.
Qualcomm tentou o mesmo movimento com sua linha Snapdragon para PCs, com impacto limitado.
Com o anúncio, as ações da Intel e da AMD recuaram no pré-mercado. As ações da MediaTek subiram mais de 5% em Taipei. As ações da Arm Holdings dispararam mais de 7%.
Vera Rubin: a nova geração de infraestrutura de IA em produção
A Nvidia também confirmou que a plataforma Vera Rubin, apresentada pela primeira vez em março na conferência GTC, entrou em produção em volume. Os primeiros sistemas completos devem ser entregues a clientes no outono de 2026.
O Vera Rubin não é uma atualização de GPU.
É uma reformulação arquitetural completa que inclui a nova GPU Rubin, o CPU Vera, o NVLink 6 Switch, o ConnectX-9 SuperNIC, o BlueField-4 data processing unit, o Spectrum-6 Ethernet switch e o novo Nvidia Groq 3 language processing unit — projetado para inferência de modelos de trilhões de parâmetros com baixa latência.
A plataforma entrega dez vezes mais throughput de IA agêntica em escala do que a geração anterior Grace Blackwell, segundo a Nvidia.
O sistema central é o Vera Rubin NVL72, um rack de escala líquida composto por 72 GPUs Rubin e 36 CPUs Vera conectados por NVLink 6.
Para treinamento de modelos, a Nvidia afirma que o NVL72 permite treinar grandes modelos mixture-of-experts usando apenas um quarto do número de GPUs em comparação com a geração Blackwell anterior. Para inferência, o custo por token é dez vezes menor.
A produção envolve mais de 350 parceiros da cadeia de suprimentos em 30 países. Dell, HPE, Supermicro e Lenovo estão entre os fabricantes de servidores Vera Rubin. Os primeiros adotantes do CPU Vera incluem OpenAI, Anthropic e SpaceX, segundo Huang.
A plataforma também inclui o Spectrum-X Ethernet Photonics, os primeiros switches de rede com óptica co-empacotada do mundo, que entregam cinco vezes mais eficiência energética e cinco vezes mais uptime em comparação com redes tradicionais baseadas em transceivers, segundo a Nvidia.
O argumento central de Huang
"Um prompt pode lançar uma jornada de mil passos de raciocínio, recuperação, uso de ferramentas e geração de respostas", disse Huang no keynote. "O Vera Rubin foi construído para este momento — um motor de fábrica de IA que entrega inteligência em escala."
Sobre o CPU Vera especificamente, Huang afirmou que "os agentes de IA serão os maiores usuários de computação" e que "o Vera é o primeiro CPU projetado para esse futuro".
Durante a teleconferência de resultados de maio, ele já havia afirmado que o Vera abre um mercado endereçável de US$ 200 bilhões para a empresa.
Huang também respondeu às preocupações sobre a IA reduzir empregos para engenheiros de software. "Completo absurdo. Está causando a contratação de mais engenheiros de software."
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