Nvidia sobe 3,3% e lidera ganhos entre as Sete Magníficas com visita à China

Por Tamires Vitorio 14 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nvidia sobe 3,3% e lidera ganhos entre as Sete Magníficas com visita à China

As ações da Nvidia avançavam 3,3% no pré-mercado desta quinta-feira, 14, liderando os ganhos entre as empresas do grupo conhecido como Sete Magníficas — as sete maiores companhias de tecnologia americanas por valor de mercado.

O movimento foi impulsionado pela presença do CEO Jensen Huang na delegação de Donald Trump em Pequim, onde o presidente americano se reúne com Xi Jinping.

As ações da AMD subiam 2% antes da abertura e a Micron avançava quase 6%, com o índice de semicondutores VanEck registrando ganho de 2,2%.

Entre as demais empresas do grupo das Sete Magníficas, Tesla subia 0,9% e Alphabet avançava 0,3%, enquanto Amazon, Meta, Microsoft e Apple operavam em queda.

Huang não estava na lista

Huang não constava inicialmente da lista oficial de executivos da delegação americana. Ele se juntou à viagem após convite direto de Trump, que o buscou no Alasca durante o trajeto para Pequim.

O gesto foi lido pelo mercado como sinal de que os chips de inteligência artificial estariam no centro das negociações.

Incluindo os ganhos desta sessão, as ações da Nvidia acumulam alta de mais de 35% em relação à mínima do ano, registrada no final de março.

H200 aprovado, mas sem entrega

O contexto por trás da alta é complexo. Os EUA já aprovaram a venda dos chips H200 da Nvidia a cerca de dez empresas chinesas — incluindo Alibaba, Tencent, ByteDance, JD.com e Lenovo — mas nenhuma entrega foi realizada até agora.

Os obstáculos vêm dos dois lados. As regras americanas de janeiro de 2026 exigem que os compradores chineses demonstrem que têm "procedimentos de segurança suficientes" e que não usarão os chips para fins militares.

A Nvidia também precisa certificar estoque suficiente nos EUA. Além disso, Trump negociou um arranjo pelo qual os EUA receberiam 25% da receita das vendas — o que exige que os chips passem pelo território americano antes de serem enviados à China.

Do lado chinês, empresas recuaram após orientação de Pequim.

O secretário de Comércio Howard Lutnick disse em audiência no Senado no mês passado que "o governo central chinês não permitiu, até agora, que comprassem os chips, porque está tentando manter o investimento focado" em alternativas domésticas.

O problema da Nvidia no mercado chinês vai além desta negociação.

A China chegou a representar 19% da receita de data center da empresa no fiscal 2023, caindo para 14% no fiscal 2024 e para 13% da receita total no fiscal 2025, segundo relatórios oficiais da companhia.

Nos trimestres mais recentes, após o endurecimento dos controles de exportação, a receita proveniente da China caiu 45% em termos anuais, chegando a cerca de US$ 3 bilhões, segundo a Analytics Insight.

Em outubro de 2025, Huang afirmou que a Nvidia "foi de 95% de participação de mercado a zero", em evento da Citadel Securities em Nova York, referindo-se aos chips avançados de IA.

Enquanto isso, a Huawei deve capturar a maior fatia do mercado chinês de chips de IA em 2026, com receita projetada de US$ 12 bilhões — ante US$ 7,5 bilhões em 2025, segundo o Financial Times.

O que o mercado espera

A presença de Huang em Pequim levanta expectativas de que a Nvidia possa ter papel visível nas discussões sobre acesso a hardware de IA e flexibilidade nos controles de exportação.

O cenário base mais realista, segundo analistas, é o de avanços incrementais — orientações de conformidade mais claras, listas de entidades mais restritas e prazos de licenciamento mais previsíveis.

Por ora, o mercado celebra o simbolismo. A entrega real dos chips ainda está por vir.

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