Lula diz que pediu a Trump a entrega de criminosos brasileiros que residem em Miami
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detalhou diálogos recentes com o presidente americano Donald Trump, durante o lançamento do programa "Brasil Contra o Crime Organizado" no Palácio do Planalto, nesta terça-feira, 12. O projeto prevê investimentos de R$ 11 bilhões na área de segurança pública, com foco no combate de facções.
Em seu discurso, ele disse que condicionou a colaboração bilateral no combate ao tráfico à entrega de foragidos brasileiros que residem nos Estados Unidos.
"Eu disse ao presidente Trump: 'Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos [brasileiros] que estão morando em Miami'. É só querer discutir. Nós falamos que nós temos propostas de asfixia financeira, de combater a lavagem de dinheiro, e parte das armas que apreendemos vem dos Estados Unidos", explicou.
Os presidentes Donald Trump e Lula., durante encontro na Casa Branca (Ricardo Stuckert / PR)
O presidente reforçou que a responsabilidade pela criminalidade não deve ser atribuída apenas aos países da América Latina. "Essas coisas é importante dizer porque senão eles passam a ideia de que a desgraça toda tá do lado de cá e que eles não têm nada a ver com isso".
Elite do Crime
O discurso destacou que as lideranças criminosas não se escondem apenas em comunidades carentes, mas estão infiltradas em setores da elite, como o judiciário, o futebol, o empresariado e o Congresso.
Embora não tenha listado nomes no discurso oficial, Lula tem mencionado em ocasiões recentes o empresário Ricardo Magro (dono da refinaria Refit), que vive em Miami e é investigado pela Operação Carbono Oculto por supostas ligações com o PCC no setor de combustíveis.
Sobre a possível ajuda norte-americana, Lula foi enfático: "Disse ao presidente Trump que, se ele quiser participar, tem espaço. Mas vai ter que trabalhar em consonância com o que é decisão do governo do Brasil e da polícia brasileira".
O que é o programa "Brasil Contra o Crime Organizado"?
O programa "Brasil Contra o Crime Organizado" foi lançado nesta terça-feira, 12, com a participação do presidente Lula, e de outras lideranças como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
A execução das medidas dependerá da adesão dos estados. As unidades da federação que integrarem o programa poderão acessar recursos de fundos federais destinados à área de segurança pública.
De acordo com uma declaração de José Guimarães, ministro de Relações Institucionais, feita nesta segunda-feira, 11, o plano prevê cerca de R$ 11 bilhões em investimentos. Desse total, R$ 1 bilhão virá do Orçamento deste ano, enquanto os outros R$ 10 bilhões serão disponibilizados por meio de financiamento do BNDES aos governos estaduais.
As ações serão divididas em quatro frentes principais:
O pacote integra a estratégia do governo federal de ampliar o combate às facções criminosas e fortalecer investigações conduzidas pelos órgãos de segurança pública.
Com o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, o Governo @LulaOficial dá um golpe fatal nas organizações criminosas.
O plano prevê investimento de R$ 11 bilhões (R$ 1 bilhão do orçamento federal e R$ 10 bilhões via BNDES para os estados) e está estruturado em seis…
— José Guimarães (@guimaraes13PT) May 11, 2026
Como o programa deve funcionar?
Para inibir a atuação de facções nas penitenciárias, a proposta prevê a adoção, nos presídios estaduais, de protocolos semelhantes aos utilizados nas penitenciárias federais. Entre as medidas estão a instalação de bloqueadores de celular e a modernização de equipamentos de raio-x e de revista.
A iniciativa busca dificultar a comunicação entre líderes de facções presos e integrantes das organizações criminosas em liberdade. O plano também inclui a criação de um centro nacional de inteligência voltado à integração entre União e estados no monitoramento do sistema prisional.
Na área financeira, o governo pretende ampliar o combate às estruturas econômicas das facções criminosas. O decreto deverá instituir uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Nacional.
A estrutura terá atuação centralizada e permanente para coordenar operações entre órgãos de segurança pública responsáveis por investigações sobre organizações criminosas.
Registros de homicídio
Outro foco do programa será a elevação dos índices de resolução de homicídios. Dados do Instituto Sou da Paz apontam que 36% dos homicídios são esclarecidos no Brasil, percentual abaixo da média mundial, de 63%.
Entre as medidas previstas estão a padronização dos registros de homicídios, o compartilhamento de bases de dados e o fortalecimento das polícias científicas e dos serviços de perícia estaduais.
Em versões anteriores da proposta, o governo incluiu ações voltadas à proteção da Amazônia, ao controle de fronteiras e à prevenção da ocupação territorial por facções criminosas.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: