Da colônia ao Top 10 do varejo alimentar: qual a estratégia da expansão?
O Grupo Koch começou a semana com um novo lugar entre os gigantes do varejo alimentar brasileiro. No ranking da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), divulgado na noite de segunda-feira (27), a rede catarinense subiu duas posições e agora ocupa o oitavo lugar, com faturamento de R$ 12,9 bilhões, referente a 2025, avanço de 25% sobre o ano anterior.
Em 2024, o grupo havia registrado R$ 10,3 bilhões em receita, crescimento de 29,3% sobre 2023 — uma sequência que consolida uma expansão acelerada e consistente no setor.O avanço consolida o Koch como a maior rede supermercadista de Santa Catarina e reforça um fenômeno mais amplo: o protagonismo crescente das empresas do estado no varejo alimentar brasileiro.
O desempenho do Koch não acontece isoladamente. Santa Catarina se consolidou como uma potência no setor. O ranking ABRAS 2026 mostra que seis redes com origem no estado figuram entre as 40 maiores do país, em um movimento que combina expansão consistente e adaptação ao novo perfil de consumo.
Além do Koch, aparecem na lista nomes como Grupo Giassi (26º, com R$ 4,4 bilhões), Grupo Angeloni (31º, com R$ 3,8 bilhões), Grupo Passarela (38º, com R$ 3 bilhões) e Grupo Mundialmix (39º, também com R$ 3 bilhões).
Fora do estado, mas com origem catarinense, o Grupo Pereira ocupa a 7ª posição nacional, com faturamento de R$ 17,5 bilhões. Somadas, essas operações formam um bloco que ultrapassa os R$ 44 bilhões em receita, consolidando Santa Catarina como um dos principais polos do varejo supermercadista no país.
Para Alexandre Simioni, presidente da Associação Catarinense de Supermercados (ACATS), há um traço comum entre essas empresas. “Santa Catarina tem empresas que nasceram de estruturas familiares e que mantêm uma gestão muito próxima do dia a dia das lojas. Isso faz diferença na forma como as decisões são tomadas e na consistência dos resultados ao longo do tempo”, afirma.
Expansão como método
Se há um fio condutor na trajetória do Grupo Koch, ele passa pela constância. A companhia mantém um ritmo acelerado de crescimento, sustentado por planejamento e execução disciplinada.
Nos últimos três anos, o grupo abriu 17 lojas em 2024 (além de um centro de distribuição), 12 em 2025 e projeta outras 14 em 2026, quando deve atingir a marca simbólica de 100 unidades.
Atualmente, são 95 lojas em operação, distribuídas em mais de 38 municípios catarinenses, com atuação nas bandeiras SuperKoch (varejo) e Komprão (atacarejo).A estrutura inclui ainda dois centros de distribuição — em Tijucas e Governador Celso Ramos, na região metropolitana de Florianópolis — além de sede administrativa e centro comercial em Itapema.
Entre 2025 e 2026, a receita saltou de R$ 10,3 bilhões para R$ 12,9 bilhões, mantendo uma trajetória consistente de crescimento de dois dígitos.
Para o CEO do Grupo, José Koch, o diferencial está na previsibilidade da estratégia. “Temos um planejamento estratégico robusto até 2028 que seguimos à risca e que contempla uma expansão em número de lojas. Em 2024 abrimos 17 novas lojas, no ano passado foram 12 e esse ano vamos chegar à loja de número 100. Isso nos permite um crescimento em faturamento de 30% por ano, em média, nos últimos 10 anos. Essa constância no ritmo de crescimento é que nos diferencia hoje no mercado”, afirma.
Além da expansão, o executivo atribui o desempenho à excelência operacional, ao foco na experiência do cliente e à atuação de um time com mais de 14,5 mil colaboradores.
Da roça ao ranking
A história do Grupo Koch ajuda a entender essa trajetória. O negócio nasceu no campo, em Antônio Carlos (SC), a partir do trabalho da família Koch na produção agrícola desde a década de 1960.
Diante da dificuldade de comercializar os produtos, a família encontrou nas feiras livres da Grande Florianópolis uma alternativa para gerar renda. A virada veio nos anos 1980, com a compra de uma Kombi que permitiu ampliar a atuação como feirantes e consolidar a base do negócio.
O passo decisivo ocorreu em 1994, com a abertura da primeira loja em Tijucas. Inicialmente pensada como uma verdureira, a unidade rapidamente se transformou em um supermercado completo, marcando a entrada definitiva da família no varejo.
Cinco anos depois, a inauguração de uma segunda unidade mais estruturada, com estacionamento e centro de distribuição, elevou o patamar da operação e consolidou a presença regional.
A partir daí, o crescimento seguiu ancorado em profissionalização da gestão, reinvestimento contínuo e adaptação ao mercado. A entrada no atacarejo, em 2016, com a bandeira Komprão, acelerou ainda mais a expansão e posicionou o grupo em um dos segmentos mais dinâmicos do varejo alimentar.
Em 2021, o Koch já era a maior rede supermercadista de Santa Catarina, com faturamento de R$ 4,5 bilhões — número que praticamente triplicaria nos anos seguintes.
Hoje, com presença consolidada em todo o estado, mais de 14,5 mil empregos gerados e uma operação que combina escala e proximidade com o consumidor, o grupo se posiciona entre os protagonistas do varejo nacional.
Mais do que uma ascensão em ranking, a trajetória do Koch revela um padrão: crescimento sustentado, disciplina na execução e raízes que seguem influenciando a forma de fazer negócio — mesmo quando a colônia já ficou para trás.
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