‘O Brasil representa 60% das nossas vendas’, diz presidente da Lacoste América Latina

Por Layane Serrano 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘O Brasil representa 60% das nossas vendas’, diz presidente da Lacoste América Latina

A Lacoste encontrou no Brasil seu principal motor de crescimento na América Latina. Segundo Pedro Zannoni, CEO da operação regional, o país já responde por 60% dos negócios da marca na região e ocupa uma posição estratégica também no mapa global da companhia.

“O Brasil é um dos países mais importantes a nível global para a Lacoste”, afirma o executivo ao podcast De Frente com CEO, da EXAME.

A relevância brasileira vai além das vendas. De acordo com Zannoni, o país aparece de forma recorrente entre os mercados mais fortes da marca em percepção e desejo de consumo.

“O Brasil sempre fica em segundo, só depois da França, em brand equity”, afirma.

Esse peso ajuda a explicar por que a operação latino-americana ganhou musculatura nos últimos anos. Sob a gestão de Zannoni, a Lacoste triplicou de tamanho em cinco anos.

“A América Latina, por quatro anos seguidos, foi a região que mais cresceu no mundo até 2024. Em 2025, continuamos crescendo, mas em um ritmo menos acelerado”, diz.

O tamanho da Lacoste na América Latina

Hoje, a Lacoste América Latina soma mais de 150 lojas entre unidades próprias e franquias, além de 1.600 parceiros multimarcas e cerca de 1.200 funcionários. “Metade desses funcionários estão aqui no Brasil”, diz o CEO.

Já a Argentina tem peso importante por abrigar uma fábrica da marca em San Juan, perto de Mendoza, ativo que se tornou estratégico especialmente em períodos de maiores restrições às importações no país.

“Hoje temos, dentro da América Latina, países que têm subsidiárias, que são Brasil, Argentina e Chile. Do Chile a gente gerencia o Peru. Temos também toda a América Central e o Caribe, e desde lá a gente serve alguns outros países menores e o Uruguai,” diz o CEO.

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Os pilares do crescimento

A expansão recente da Lacoste na região veio de uma combinação de alavancas, diz Zannoni. Entre elas, estão três apostas.

“A linha feminina, o esporte e a linha de calçados foram alguns dos principais pilares de crescimento”, afirma o CEO.

No caso do público feminino, o executivo diz que a marca identificou uma oportunidade clara dentro das próprias lojas: as mulheres já frequentavam os pontos de venda, mas nem sempre encontravam a oferta adequada.

“As mulheres entram muito mais nas nossas lojas do que os homens, só que grande parte da venda era dos homens. O mais difícil a gente já tinha, que era ter o fluxo dentro, precisava ter o produto certo para a mulher”, afirma Zannoni.

A estratégia começou a dar resultado. “Hoje a gente já tem lojas onde mais de 20% da venda já é de produtos femininos”, diz o presidente.

Os calçados também ganharam protagonismo na operação local, ajudando a ampliar a presença da Lacoste para além da polo, item clássico que ajudou a consolidar a identidade da marca no mundo.

Expansão por franquias e novas experiências

Outro vetor importante para a Lacoste no Brasil tem sido a rede de franquias. Atualmente, a marca conta com 60 franquias no país e prevê novas aberturas ao longo do ano.

“Os nossos parceiros franqueados foram um dos principais fatores de crescimento que a gente teve”, afirma Zannoni. “A expansão, a gente tem programado para mais 6 este ano.”

A companhia também segue revisando seu mapa de expansão, com oportunidades identificadas em diferentes regiões do país. Nos últimos anos, houve avanço mais forte no Centro-Oeste, mas o Sudeste ainda continua no radar.

Além da abertura de lojas, a marca quer crescer com mais ações ligadas à experiência. O executivo citou eventos esportivos e ativações conectadas ao universo global da Lacoste, como Roland-Garros e Miami Open, para gerar visibilidade local e fortalecer a conexão emocional com o consumidor.

“Em breve, aqui no Brasil e na região, a gente deve ter algumas novidades nesse sentido também”, diz o CEO, ao comentar o movimento global da marca em iniciativas de hospitalidade e lifestyle, como cafés e quartos temáticos.

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Uma marca entre o esporte e a moda

Para Zannoni, a força competitiva da Lacoste está justamente em ocupar um território híbrido, entre performance esportiva e moda casual.

“A gente fala que tem um posicionamento único no mercado, porque navega entre os dois”, afirma.

Essa leitura ajuda a explicar por que a empresa não quer ser vista apenas como uma grife ligada ao tênis ou a um público específico. Embora a origem da marca esteja diretamente ligada ao esporte, a ambição hoje é dialogar com diferentes perfis de consumidor.

“É uma marca democrática hoje. A gente não quer ser elite, não quer ser reconhecida só como tênis, só como golfe”, afirma.

Na prática, isso significa conversar tanto com o consumidor esportivo quanto com o urbano, o casual e o feminino. Também significa ampliar o repertório para além do tênis tradicional, incluindo modalidades como beach tennis, padel e pickleball, que vêm ganhando espaço em vários mercados.

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2026 começou forte

A perspectiva para este ano, segundo o CEO, é positiva. A Lacoste abriu 2026 com crescimento de dois dígitos nos primeiros meses e aposta em um primeiro trimestre forte para sustentar o desempenho ao longo do calendário, mesmo em um ano marcado por fatores de atenção como eleições e Copa do Mundo.

“O ano começou muito bem. Janeiro foi um mês ótimo. Fevereiro também vai ser outro mês muito bom, com crescimento de dois dígitos”, afirma.

O plano inclui reformas em shoppings estratégicos, novas franquias e continuidade das ações de marca ligadas a esporte e experiência.

“A nossa missão é continuar expandindo a marca e conectando com mais consumidores. Marca desejada gera negócios, e é isso que a gente quer continuar construindo nos próximos anos”, afirma o CEO.

Zannoni não abriu faturamento, mas segundo dados estimados por Alexandre Abu-Jamra, dono da plataforma Klooks que usa dados a partir de balanços públicos, a Lacoste deve ter faturado cerca de R$ 850 milhões a R$ 1,2 bilhão na América Latina no último ano.

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