O fim dos Labubus? A Dior mostra que não

Por Gustavo Frank 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O fim dos Labubus? A Dior mostra que não

No segundo semestre de 2025, o Labubu começou a perder força e as buscas pelo boneco de pelúcia com orelhas pontudas e dentes afiados, que dominou bolsas e feeds em 2024, recuaram de forma consistente. O valor de revenda de alguns modelos caiu até 70%. A Pop Mart, empresa chinesa por trás do fenômeno, viu suas ações despencarem mais de 10% na Bolsa de Hong Kong. No entanto, uma coisa se manteve: pendurar objetos na bolsa virou hábito, ou pelo menos tendência.

A hashtag #birkinify já circulava no TikTok desde 2024, com usuários enfeitando suas bolsas com charms, twillies e miçangas bem antes do bonequinho aparecer. O Labubu foi, na prática, o capítulo mais barulhento e engajado de uma tendência que já estava em movimento. A diferença é que nem todo mundo prestava atenção.

Com o Labubu, as grifes perceberam que o cliente queria personalizar e passaram a oferecer isso com o próprio vocabulário de cada maison. Na Dior, Jonathan Anderson, que assumiu a direção criativa em 2025, fez dos charms uma das apostas mais evidentes de sua estreia. Na coleção primavera-verão 2026, rosas, fitas de alfaiate e joaninhas pendem das alças. A versão clover da Lady Dior, coberta de trevos bordados em couro verde com uma joaninha escondida entre as folhas, vai buscar os gris-gris, talismãs de boa sorte que o próprio Christian Dior colecionava, e a herança irlandesa do novo diretor criativo.

Dior: talismãs de boa sorte que o próprio Christian Dior colecionava adornam as bolsas da marca (Edward Berthelot/Getty Images)

A Louis Vuitton foi por outro caminho e transformou o charm em personagem. Relançou a Vivienne, mascote da maison desde 2017, numa versão chamada Vivienne Fashionista, com pérolas, strass e oito variações. Lançou também o Louis Bear, urso de pelúcia com looks completos: camisas, bonés, óculos escuros, bolsas em miniatura. Um deles presta homenagem ao Millionaire Speedy amarelo que Pharrell Williams carregou nos primeiros meses à frente da grife.

As vendas de bolsas de luxo vêm caindo há alguns trimestres. A divisão de moda e couro da LVMH recuou 9% no segundo trimestre de 2025. A Gucci e a Prada apresentaram queda de 25% e 3,6%, respectivamente. Os charms entram nessa equação como um produto que mantém o cliente dentro da loja sem exigir o investimento de uma bolsa nova. Para quem não vai gastar cinco mil dólares agora, há sempre um urso de pelúcia por trezentos e cinquenta.

Não só a Dior e a Louis Vuitton entraram nessa onda. A Prada tem um ursinho em diferentes figurinos, a US$ 795. A Bottega Veneta lançou gatos e cachorros em couro trançado pelo intrecciato característico da marca, a US$ 650. A Loewe, que Anderson comandou por onze anos antes de ir para a Dior, oferece ouriços, coalas e pandas, a US$ 550. A Burberry colocou o Thomas the Bear nas lojas com earmuffs e poncho xadrez, a US$ 350. Na Chloé, os desfiles de 2026 trouxeram bolsas Paddington com estolas de pelo penduradas nas alças.

As buscas pelo Labubu caíram. O valor de revenda, também. As grifes, por sua vez, seguem lançando charms a cada nova temporada.

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