O futuro do Brasil e da Ferrari na F1: conheça Rafael Câmara

Por Rodrigo França 2 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O futuro do Brasil e da Ferrari na F1: conheça Rafael Câmara

Melbourne (Austrália) — A temporada 2026 da F1 começa neste domingo com o GP da Austrália, disputado no circuito de Albert Park, em Melbourne, onde também serão disputadas as categorias preliminares. Na F3, os representantes brasileiros serão Fefo Barrichello e Pedro Clerot e, na F2, Emmo Fittipaldi e Rafael Câmara.

Vencer os campeonatos de base é uma ótima forma de trilhar o caminho para a F1, como Gabriel Bortoleto mostrou ao vencer em seu ano de estreia a F3 e a F2, subindo para a Sauber no ano passado e agora alinhando no grid com a Audi. E no grid da F2, quem tem tudo para seguir estes passos é o pernambucano Rafael Câmara, que também conquistou o título da F3 em seu ano de estreia e vai competir pela Invicta Racing na F2.

Além das conquistas no kart e nas categorias de base (como a Fórmula Regional Europeia), Câmara tem um importante diferencial em sua carreira: é desde 2022 integrante da Ferrari Driver Academy, academia de pilotos da escuderia de Maranello, que promove seus melhores talentos para a F1, como ocorreu com Felipe Massa e Charles Leclerc.

Aos 20 anos, Câmara também tem conquistado ótimo suporte de patrocinadores, incluindo empresas no Brasil como Bradesco, Transpetro, Moura, Ambipar e Claro. O suporte financeiro ajuda a escolher as melhores equipes em sua formação e permite que Câmara já possa sonhar com um teste na Ferrari ainda em 2026, seja na pós-temporada ou mesmo no treino livre de sexta-feira, conforme prevê o regulamento da F1 para promover jovens talentos.

Já a vaga de titular pode vir em 2027 em um time com motor da equipe italiana, como também já foi feito no passado com Massa, Leclerc e, atualmente, com Oliver Bearman, na Haas. Câmara, no entanto, mantém seu foco total na luta pelo título da F2 neste ano, como explicou em entrevista exclusiva à EXAME antes da abertura da temporada. Confira os principais trechos da entrevista.

Rafael Câmara: foco total na luta pelo título da F2 (Dutch Photo Agency/Divulgação)

Como você está se preparando para a F2?

No final das contas, vai ser um ano muito parecido em preparação. Com certeza terão algumas coisas novas, o time é novo, com pessoas novas, mas, no final das contas, o approach é muito parecido. Acho que vai ser mais um ano para focar no meu trabalho, ver com a equipe as coisas que eu tenho que aprender, as coisas que eu preciso melhorar. Ver isso de estratégia, que será novo para mim, os pit stops, que eu nunca fiz.

Sobre a F3, quais foram os momentos-chave para ganhar o título?

Budapeste e Barcelona. Ter ganhado em Barcelona deu uma acalmada, mostrou para a gente que estávamos na briga, bem, e não foi apenas no começo do ano em que eu estava rápido. E Budapeste eu acho que foi a mais decisiva. Com certeza, o final de semana mais estressante. Depois de um treino muito bom, parecia que no quali daria tudo errado. Foi na última volta, tive que fazer quatro voltas para aquecer meu pneu. Consegui aquela volta no final para ser o pole, e depois, na corrida, não poderia cometer nenhum erro, pois o (Mari) Boya ficou o tempo inteiro atrás de mim. E depois, Monza, se eu não tivesse ganho em Budapeste, Monza seria mais estressante.

Você parece ter tirado um peso das costas com a conquista do título?

Com certeza. Mas toda vez que você ganha um campeonato, você relaxa mesmo. Primeiro, você tem que ser bem frio. Quando você perde, é a mesma coisa de quando você ganha. Você aproveita o momento, mas é uma coisa que você tem que voltar ao centro e continuar trabalhando para melhorar. Se você relaxa, ou talvez você pode ficar pensando demais, você tem que ficar no equilíbrio para estar bem mentalmente.

Como a academia da Ferrari te ajuda nesse desenvolvimento, para você ter sido campeão nesse ano e para o seu futuro?

Eles têm a parte física, que a gente faz em Maranello. E tem a parte mental também. Desde pequeno, ou desde 2021, eles me ajudaram a me conhecer mais, mostrar as responsabilidades que um piloto precisa ter. Isso foi amadurecendo e nos fez chegar nessa posição. Tenho muito para melhorar, e tentar aplicar o que estou aprendendo, o que estou entendendo para o ano que vem.

Já se imaginou correndo de Ferrari na F1?

Seria um sonho. Acho que todo piloto, pelo menos uma vez, sonha em andar pela Ferrari. Mas ao mesmo tempo que pode estar perto, está muito longe. Querendo ou não, mesmo ganhando a F3, se você não andar bem na F2, não conta muito. É preciso ter o controle para estar 100% focado e fazer as coisas direito que aí vão encaminhando as coisas.

Você tem dois grandes ídolos: Ayrton Senna, sobre o qual eu queria que você falasse um pouquinho , e a sua avó, que foi pilota também, pioneira. Essa história é incrível. Queria que você contasse um pouquinho sobre como essa inspiração te ajuda aqui nas pistas.

Com certeza, Senna, não só no automobilismo, mas para todas as pessoas do Brasil, se inspiram nele por tudo o que ele fez na pista e fora, no Brasil, nas coisas em que ele acreditava e que fazia por aquilo. E também a minha avó, que, quando eu comecei, eu não tenho muita memória de quando comecei. Tenho alguns flashes. Mas até eu começar, eu não sabia da história toda. E depois que comecei a correr, ela foi me mostrando. O capacete dela, que era aberto, ela corria na rua. Tem as fotos com todo mundo vendo no meio-fio. E sem errar. Se errasse, atropelava todo mundo. Devo ter puxado dela um pouco dessa loucura.

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