O mistério da roda dos hamsters pode finalmente ter sido explicado pela ciência

Por Maria Luiza Pereira 29 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O mistério da roda dos hamsters pode finalmente ter sido explicado pela ciência

Durante décadas, cientistas acreditaram que hamsters corriam em rodas apenas por estresse, tédio ou efeitos do confinamento. Mas estudos recentes vêm desmontando essa teoria e sugerem algo muito diferente: os animais podem simplesmente gostar da atividade.

A descoberta que mudou a visão sobre as rodas

A mudança de perspectiva ganhou força após uma pesquisa liderada pela cientista Johanna Meijer, da Universidade de Leiden, na Holanda. O estudo foi publicado em 2014 na revista científica Proceedings of the Royal Society B e observou o comportamento de animais selvagens diante de rodas de exercício instaladas ao ar livre.

Os pesquisadores colocaram rodas em áreas naturais e monitoraram os equipamentos durante mais de três anos. O resultado chamou atenção: ratos selvagens, musaranhos, sapos e até lesmas usaram as rodas espontaneamente. Os camundongos foram responsáveis por cerca de 88% das corridas registradas.

Mais importante ainda, os animais continuaram correndo mesmo depois que a comida usada para atraí-los foi retirada. Isso indicou que o comportamento não dependia de recompensa externa.

A descoberta abalou a antiga interpretação de que correr em rodas seria um comportamento neurótico causado exclusivamente pela vida em gaiolas.

“Há muita controvérsia sobre o que exatamente correr na roda significa para um organismo”, afirmou Theodore Garland Jr., professor de biologia da Universidade da Califórnia em Riverside, em entrevista à Popular Science. “O que é isso? O que o organismo está tentando fazer?”

O papel da dopamina no comportamento

Garland pesquisa o tema há mais de 30 anos e acredita que a resposta pode estar ligada ao sistema de recompensa do cérebro. Segundo ele, a dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, parece desempenhar um papel importante no impulso de correr. “Dopamina é vista como o denominador comum final”, explicou o pesquisador.

Isso significa que os roedores podem experimentar algo semelhante ao prazer associado ao exercício físico em humanos. Garland descreveu comportamentos observados em laboratório que reforçam essa hipótese. Alguns camundongos chegam a continuar girando na roda de forma quase acrobática, mesmo sem necessidade aparente. “É difícil ignorar a ideia de que eles estejam sentindo algum tipo de prazer ou diversão”, disse o cientista.

O que os hamsters têm em comum com atletas

Os estudos também indicam que correr faz parte da natureza desses animais. Hamsters percorrem grandes distâncias na vida selvagem em busca de alimento e abrigo. Em ambientes domésticos, a roda funciona como uma forma de reproduzir esse comportamento natural em um espaço limitado.

Outra descoberta importante feita pela equipe de Garland aponta que o contato precoce com rodas pode transformar a corrida em um hábito permanente. Em experimentos realizados na UC Riverside, camundongos que tiveram acesso à atividade ainda jovens passaram a correr mais frequentemente na vida adulta.

Para os cientistas, isso pode ajudar inclusive na compreensão de hábitos humanos relacionados à atividade física, especialmente durante a infância.

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