O novo ciclo: cacau pode ter excedente global, mas demanda fraca preocupa setor
As projeções para a safra global de cacau 2025/26 são alvissareiras. Se confirmadas, a commodity deve registrar um excedente de 287.000 toneladas, que representam 5,7% da produção global, estima o Itaú BBA, braço de agro do banco, com dados do Organização Internacional do Cacau (ICO).
A razão por trás disso é a queda na demanda. A produção já havia reagido em 2024/25, com excedente de 79.000 toneladas, e deve crescer ainda mais no próximo ciclo. O movimento ocorre depois de os preços da commodity terem disparado 180%, chegando a 12.000 dólares por tonelada, reflexo da quebra de safra em Gana e Costa do Marfim, responsáveis por cerca de 70% da produção global.
Segundo Francisco Queiroz, especialista do Itaú BBA, a retração no consumo é consequência direta da alta no preço do chocolate. “A indústria segurou parte dos repasses, mas agora tenta recompor margens”, afirma. Mesmo com maior oferta, a queda nos preços ao consumidor não é certa.
“O cacau é uma commodity altamente volátil. Um ano e meio após as máximas históricas, vimos os preços voltarem aos patamares das últimas décadas. Essa volatilidade gera apreensão em toda a cadeia”, diz Anna Paula Losi, presidente da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC).
O chocolate subiu mais de 26% até fevereiro, e outros insumos, como o açúcar, seguem em alta, o que pode limitar reduções. Além disso, o El Niño é um risco. O fenômeno pode trazer clima mais quente e seco, prejudicando lavouras na África e no sul da Bahia.
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