O que acontece com as empresas sancionadas por ligação com o PCC?

Por Rafael Balago 1 de Julho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que acontece com as empresas sancionadas por ligação com o PCC?

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 1, que aplicou sanções contra pessoas e empresas por ligação com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital).

A lista de alvos tem o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, de Santos, SP e Stella Nunes Henrique de Oliveira, que é sua parente, foi sua secretária e é sócia de uma empresa com ele. As seguintes empresas também foram sancionadas:

Entenda as sanções

As sanções são punições aplicadas pelos Estados Unidos a pessoas e empresas no exterior, por uma série de razões. Neste caso, elas estão relacionadas ao combate ao crime organizado e ao terrorismo. Os americanos consideram que o tráfico de drogas é uma forma de terrorismo.

Quem é colocado na lista de sanções baseadas nesta lei fica impedido de entrar nos Estados Unidos e tem seus bens no país congelados, inclusive recursos em contas bancárias.

Ao mesmo tempo, essas pessoas não podem realizar transações financeiras com empresas sediadas ou com negócios nos EUA. Isso dificulta o acesso a cartões de crédito ou viajar com companhias aéreas americanas, por exemplo.

Empresas, inclusive bancos, que desrespeitarem a regra e fizerem negócios com pessoas sob sanção podem ser punidas pelo governo americano, e receberem as chamadas sanções secundárias.

A aplicação dessas sanções depende apenas de um ato administrativo do governo americano, sem a necessidade de um processo judicial. A decisão é feita pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), parte do Departamento do Tesouro. A punição tem início imediato, após ser anunciada, e duração indeterminada.

A retirada da lista de sanções pode ser feita se ficar comprovado que a pessoa atingida deixou de participar de atividades irregulares, foi processada de forma adequada por seus crimes ou se o fim da punição atende aos interesses de segurança nacional dos Estados Unidos.

Porque as sanções atuais foram aplicadas?

Os alvos das sanções anunciadas nesta quarta-feira, 1, são acusados pelo governo americano de operar uma rede de lavagem de dinheiro que teria recebido mais de US$ 190 milhões em sete meses.

A rede atuaria principalmente na Flórida e em São Paulo, segundo o Departamento do Tesouro, que impõe as sanções. Em janeiro de 2026, o FBI prendeu na Flórida seis pessoas acusadas de participar do esquema, que teriam ligação com o grupo de criminosos em São Paulo. Shimada é apontado como chefe do esquema.

A lavagem teria sido feita por meio de um esquema envolvendo uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico, além de criptoativos. Com isso, o dinheiro obtido com o tráfico nos Estados Unidos era trazido de volta ao Brasil, em benefício do PCC. Stella é apontada como colaboradora do esquema. Os dois foram alvo de sanções, assim como as empresas utilizadas no esquema.

“Essa designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para abordar e reconhecer a crescente presença da geração de receita ilícita do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”, disse Gene Lange, subsecretário interino para Terrorismo e Inteligência Financeira. “Não podemos permitir que o crime organizado no Hemisfério Ocidental estabeleça operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade.”

Esta é a primeira designação de sanções a pessoas ou empresas brasileiras por ligação com facções desde que os grupos PCC e Comando Vermelho foram designados como terroristas, no final de maio.

O governo brasileiro foi contra a medida, por entender que essa designação abriria espaço para medidas dos Estados Unidos contra o Brasil, com risco para o ambiente de negócios no país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, defendeu a medida e fez um pedido direto ao presidente Donald Trump, em maio, para que ela fosse adotada.

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