O que comer no Marrocos: os sabores do país que vai enfrentar o Brasil na Copa

Por Luiza Vilela 27 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que comer no Marrocos: os sabores do país que vai enfrentar o Brasil na Copa

A contagem regressiva para a Copa do Mundo já começou e o coração dos torcedores brasileiros ganhou um motivo a mais para acelerar. O Brasil enfrenta a seleção do Marrocos, um dos maiores destaques do Mundial de 2022, logo na fase de grupos.

O duelo promete. Os marroquinos, que se consagraram como os grandes favoritos do público da última Copa com uma campanha histórica, chegam consolidados como uma das equipes mais técnicas e surpreendentes do momento.

Mas a força desse país do Norte da África vai muito além das quatro linhas. Se nos gramados eles impõem respeito, na mesa, o Marrocos ganha pelo sabor de seus pratos típicos. Influenciada por séculos de trocas culturais entre os povos berberes, árabes e mediterrâneos, a culinária do país é uma explosão de texturas, cores e especiarias.

Para já entrar no clima do jogo, preparamos um guia com os pratos e sabores essenciais que definem a identidade do país. Confira:

Os reis da mesa: tajine, cuscuz e kefta

Não dá para falar de gastronomia marroquina sem começar pelo clássico: o Tajine. O prato recebe o mesmo nome da icônica panela de barro cônica em que é preparado. Essa estrutura única de argila funciona como uma miniestufa de cozimento lento, que faz com que o vapor retorne aos alimentos, preservando todo o suco e o sabor.

O resultado é um ensopado aromático de legumes com carnes (como cordeiro ou frango), frequentemente combinado com tâmaras, damascos ou amêndoas.

Logo ao lado, na preferência nacional, está o cuscuz marroquino (ou couscous). Embora o brasileiro conheça as versões paulista (com molho de tomate) e nordestina (de milho), a receita original berbere é feita com sêmola de trigo, cozida delicadamente no vapor. O resultado vem em grãos leves e soltinhos.

O cuscuz marroquino é tradicionalmente servido como uma montanha rústica, coroada com vegetais macios, carnes bem temperadas e regada com um caldo rico em especiarias.

Outro clássico à base de carne é a Kefta. Trata-se de uma carne bovina ou de cordeiro moída e moldada, mas que ganha um perfil gastronômico diferente do churrasco ocidental graças à complexidade de sua marinada.

Cominho, canela, páprica, hortelã e coentro dão o tom de uma carne que pode ser assada ou cozida diretamente em um molho denso de tomates (gerando o famoso Tajine Kefta).

Da entrada ao desjejum

Para abrir as refeições ou acompanhar os pratos principais, a mesa marroquina costuma ser farta em acompanhamentos vegetarianos. O Zaalouk é uma das opções mais populares: uma pasta de berinjela e tomates defumados, cozidos com azeite, alho e muito cominho, perfeita para ser saboreada fria ou morna.

Para acompanhar a pasta, o pão é um elemento obrigatório. O trigo é abundante em Marrocos, e caminhar pelas Medinas (as cidades muradas históricas) significa ser guiado pelo cheiro dos pães assados em fornos comunitários, que abastecem as ruelas e os souks (mercados).

Já nos momentos de celebração e espiritualidade, como no Ramadã, o protagonismo muda de figura. A Harira é a sopa mais tradicional do país, feita à base de tomates, lentilhas, grão-de-bico e carne, finalizada com ervas frescas e suco de limão. Nutritiva e reconfortante, ela é o prato oficial utilizado para quebrar o jejum diário dos muçulmanos após o pôr do sol.

Confeitaria do deserto e o "uísque berbere"

Se você tem paladar adocicado, o Marrocos é um paraíso. Duas sobremesas se destacam nas vitrines das medinas: a Chebakia, uma massa frita e moldada em formato de flor, banhada em mel, canela e água de flor de laranjeira, e o Kaab El Ghazal (conhecido como "Chifre de Gazela"), um biscoito em formato de meia-lua recheado com uma pasta densa de amêndoas.

Para abrir o apetite antes dessas iguarias, muitos locais adotam o costume de consumir leite de cabra fresco, adoçado com mel.

Como a maioria da população marroquina é muçulmana, o consumo de bebidas alcoólicas é praticamente inexistente no dia a dia. Mas o país tem a própria "bebida nacional": o Chá de Hortelã. Carinhosamente apelidado por alguns viajantes de "uísque berbere", ele mistura chá verde, folhas frescas de hortelã e uma quantidade generosa de açúcar.

O ritual de servir — despejando o líquido de bules de metal trabalhados bem do alto para criar espuma nos copos de vidro — é uma das demonstrações mais puras da hospitalidade local.

Para os dias mais quentes, as laranjas e nêsperas locais rendem sucos frescos. E para quem gosta de caçar curiosidades de supermercado, vale buscar pelos refrigerantes locais, como o Hawaii (uma bebida local de sabor tropical e muito doce) ou marcas tradicionais que trazem sabores exclusivos para a região, como a Fanta Citron (limão) e a clássica francesa Orangina, com gomos reais da fruta.

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