O que explica Trump adiar ordem executiva sobre escrutínio de novas IAs pelo governo

Por Ramana Rech 22 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que explica Trump adiar ordem executiva sobre escrutínio de novas IAs pelo governo

O governo de Donald Trump adiou a assinatura de uma ordem executiva que ampliaria a análise federal sobre modelos avançados de inteligência artificial antes de eles chegarem ao público. A informação foi publicada pelo site Politico, com base em pessoas familiarizadas com as discussões.

A proposta prevê a criação de uma coalizão de agências civis e de segurança para elevar o escrutínio sobre modelos de IA considerados inovadores. Segundo o Politico, representantes da indústria já começaram a receber detalhes da medida, que deveria ser assinada nesta semana.

Em evento na Casa Branca, Trump afirmou que não gostou de alguns pontos do texto. “Eu acho que isso entra no caminho. Nós estamos liderando a China. Nós estamos liderando todo mundo, e eu não quero fazer nada que possa entrar no meio assim”, disse a jornalistas.

O adiamento ocorre em meio à pressão da China sobre os Estados Unidos na corrida por sistemas de IA mais avançados. Recentemente, modelos de linguagem chineses passaram a ocupar as seis primeiras posições globais em consumo de tokens, unidades usadas para processar textos em sistemas de IA, segundo dados da plataforma OpenRouter.

Entre as mudanças discutidas estaria uma vistoria federal voluntária até 90 dias antes do lançamento de novos modelos. O Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, também teria 30 dias para avaliar a segurança de redes envolvidas, incluindo sistemas de telecomunicação e de informação.

Quatro pessoas ouvidas pelo Politico disseram que o atraso também está relacionado à ausência de executivos de grandes empresas de tecnologia no momento previsto para a assinatura. Entre eles estão Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta.

A construção da ordem executiva contou com a participação de representantes de grandes empresas de IA, como OpenAI, Anthropic e Google, que foram consultados por integrantes do governo.

Modelos de IA de ponta entram no centro da segurança nacional

A ordem executiva é apresentada como uma resposta da Casa Branca a preocupações de cibersegurança associadas a modelos de IA de ponta. Esses sistemas, capazes de executar tarefas complexas e gerar textos, códigos e análises, passaram a ser tratados por governos como ativos estratégicos.

A discussão também ocorre em meio a uma disputa entre a Anthropic e o Pentágono sobre limites para o uso de IA em contratos militares. Em fevereiro, a empresa exigiu a inclusão de cláusulas que impedissem o uso de sua tecnologia para vigilância doméstica em larga escala e para armas autônomas letais em contrato com o Departamento de Segurança.

A exigência levou ao rompimento do governo com a companhia. Na ocasião, Pete Hegseth, ministro da Defesa dos Estados Unidos, ameaçou classificar a Anthropic como risco para fornecedores do setor militar, medida que poderia obrigar empresas parceiras do governo a cortar relações com a startup.

Proposta marca mudança de tom em relação ao início do mandato

A ordem executiva representa uma inflexão em relação ao discurso adotado por Trump no começo de seu mandato. À época, o presidente revogou medidas de seu antecessor, Joe Biden, que criavam requisitos para empresas de IA.

Trump afirmou então que os sistemas deveriam ser livres de “viés ideológico” para que os Estados Unidos mantivessem a liderança no setor. Um dos requisitos impostos por Biden exigia que empresas compartilhassem com o governo resultados de testes de segurança de seus modelos.

Também havia diretrizes técnicas para avaliar privacidade em IA. A nova proposta, porém, recoloca a segurança dos modelos avançados no centro da política americana para o setor, ainda que com resistência do próprio presidente a medidas que possam ser vistas como freio à competição com a China.

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