Zema chama Vorcaro de “banqueiro bandido” e diz não se arrepender de críticas a Flávio Bolsonaro

Por Rafael Martini 19 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Zema chama Vorcaro de “banqueiro bandido” e diz não se arrepender de críticas a Flávio Bolsonaro

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), disse nesta segunda-feira, 18, em Florianópolis, que não se arrepende das críticas feitas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela relação com Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master.

Ao lado do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), Zema participou do painel “Para Onde Caminha o Brasil”, promovido pela Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF), no qual ambos fizeram duras críticas ao governo do PT, especialmente nas áreas econômica, tributária e de segurança pública.

“De forma alguma me arrependo das declarações. Sou da mesma cidade que este banqueiro bandido e nunca tive uma única conversa com ele”, afirmou Zema ao chegar ao Conexa 2026, evento realizado no CentroSul.

A declaração ocorre dias depois da divulgação de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro em que o senador teria tratado com Vorcaro de recursos para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio admitiu ter buscado patrocínio privado para o projeto, mas negou irregularidades. O episódio ampliou o desgaste político em torno da pré-campanha presidencial da direita.

No painel, mediado pelo presidente da ACIF, Célio Bernardi, Zema e Caiado buscaram se apresentar ao setor produtivo como alternativas ao modelo econômico do governo Lula e fizeram fortes críticas à gestão do PT. O encontro reuniu empresários, lideranças políticas e representantes do ambiente de negócios em Santa Catarina.

Para Bernardi, a realização do Conexa reforça o papel de Florianópolis no debate nacional. Segundo ele, reunir um público expressivo, formado majoritariamente por empreendedores e lideranças empresariais, mostra a disposição do setor produtivo em participar da discussão sobre os rumos do país.

“Reunir aqui um público tão representativo, formado por empreendedores e lideranças empresariais, mostra que o setor produtivo quer participar da construção do futuro do Brasil. O Conexa nasce com esse propósito: abrir espaço para o diálogo, para o debate de ideias e para uma reflexão qualificada sobre os caminhos que o país precisa seguir”, afirmou Bernardi.

Zema abriu sua participação com um aceno direto ao setor empresarial. O ex-governador mineiro afirmou que o setor produtivo tem sido maltratado pelo governo federal e, em alguns casos, “criminalizado”.

“É muito bom estar junto do setor produtivo, que paga tanto imposto e costuma ser maltratado por este governo que temos no Brasil. Às vezes, até criminalizado. Eu fui do setor privado por mais de 30 anos e sei muito bem o que é isso”, afirmou.

Caiado, por sua vez, mirou a falta de previsibilidade do governo federal. O ex-governador de Goiás disse que o governo Lula muda posições assumidas durante a eleição e, com isso, gera insegurança para quem investe e emprega.

“Quando um governo diz à população que aquilo que prometeu na eleição não vale mais, ele quebra a previsibilidade. A taxação das blusinhas valeu enquanto estava em campanha, depois não valeu mais. O programa de segurança pública valeu enquanto estava na eleição, depois veio outro modelo. Isso gera insegurança para quem produz, investe e emprega”, afirmou.

Na área econômica, Zema disse que o Brasil precisa de três choques: ético, fiscal e de segurança pública. Segundo ele, a raiz dos juros elevados está no aumento dos gastos públicos.

“Não existe receita mágica para resolver tudo. No Brasil, nós temos três pontos que merecem muita atenção: precisamos de um choque ético e moral em Brasília; de um choque contra a gastança; e de um choque na segurança pública”, afirmou.

Caiado também associou o endividamento das famílias à política econômica do governo federal. Ele criticou o programa Desenrola e afirmou que o próprio governo teria contribuído para o aumento das dívidas da população.

“O governo propõe o Desenrola, mas a pergunta é: quem foi que enrolou a população brasileira? Foi o próprio governo que induziu esse nível de endividamento e depois ofereceu uma solução usando o FGTS, que é a poupança do cidadão, para pagar a dívida em que o próprio cidadão foi colocado”, disse.

Para Zema, a redução da despesa federal teria impacto direto sobre empresas e consumidores. “Na hora em que essa gastança do Lula e do PT acabar, a taxa de juros cai pela metade. Quem tem dívida vai pagar menos juros. Isso significa mais renda para as famílias e menos despesa para o setor produtivo, que sempre precisa recorrer a alguma linha de crédito”, disse.

Empreendedor é mal tratado

A fala mais dura de Caiado foi direcionada à saída de empresas brasileiras para o Paraguai. Segundo ele, a “grande exportação” do governo Lula foi mandar empresas e empregos para fora do país. “A grande exportação do Lula foi mandar 200 empresas brasileiras para o Paraguai e levar junto metade dos empregos. Isso é a falência de um governante para desenvolver o país”, afirmou Caiado.

Zema também associou a perda de competitividade ao Custo Brasil. Ele comparou os juros pagos por empresas brasileiras aos cobrados em outros países e disse que o setor produtivo nacional começa a disputa global em desvantagem.

“O Brasil tem juros de 20% ao ano. O concorrente em outro país está captando a 5% ou 6%. Se uma empresa pega R$ 10 milhões, já começa perdendo R$ 1,5 milhão por ano só por causa dos juros altos provocados pela gastança do Lula e do PT”, afirmou.

Caiado também defendeu a revisão de encargos e tributos para ampliar a competitividade do setor produtivo. Segundo ele, sem alívio na carga tributária e sem investimento em tecnologia, pesquisa e inteligência artificial, o Brasil continuará limitado à exportação de matérias-primas.

“Como vamos ser competitivos se não investimos em tecnologia, pesquisa e inteligência artificial?”, questionou. “Onde há conhecimento, há riqueza. O Brasil precisa deixar de ser apenas um exportador de matéria-prima e avançar na transformação, com políticas consistentes.”

O ex-governador mineiro também criticou a legislação trabalhista, a complexidade tributária e a burocracia. Zema disse que, quando atuava no setor privado, gastava parte significativa do tempo tentando entender regras fiscais.

“Quando eu estava no setor privado, gastava metade do meu tempo tentando entender PIS, Cofins, imposto de venda, contribuição. Se desse errado, precisava contratar tributarista de novo para rever tudo”, afirmou.Em outra crítica ao ambiente de negócios, Zema disse que o país trata o empreendedor como culpado.

“O Brasil trata o empreendedor como se ele fosse culpado. Só esquece que somos nós que pagamos os impostos e sustentamos este país”, disse. “É como se nós estivéssemos disputando uma corrida calçando tamanco, enquanto nossos concorrentes usam tênis de última geração. Quem vai ganhar a prova? Os concorrentes.”

Na segurança pública, Zema defendeu um “choque” contra a criminalidade. O pré-candidato disse que o país não pode mais tolerar o avanço da violência.

“Precisamos também de um choque na segurança pública. Não dá mais para tolerar essa bandidagem que existe no Brasil”, afirmou.

Caiado citou Goiás como exemplo de uso de tecnologia na área. Segundo ele, o Estado se tornou referência nacional em segurança pública a partir da adoção de plataformas de inteligência artificial.“Goiás hoje é referência em segurança pública porque adotou uma das plataformas mais modernas de inteligência artificial”, afirmou.

A presença de Zema e Caiado no mesmo painel em Florianópolis reforça o peso de Santa Catarina nas articulações da direita para a eleição presidencial de 2026. Em um Estado de forte base empresarial e eleitorado conservador, os dois pré-candidatos buscaram falar diretamente ao setor produtivo, com críticas ao governo Lula e defesa de uma agenda baseada em controle de gastos, segurança pública, simplificação tributária e competitividade.

No final de semana, Zema amenizou o tom contra Flávio, ao dizer que suas declarações já eram uma "página virada". Ele recebeu forte críticas de bolsonaristas pela velocidade e pela veemência dos comentários, feitos rapidamente após uma reportagem do veículo Intercept revelar que o senador fluminense estava negociando pagamentos milionários de Vorcaro para financiar o filme de Jair Bolsonaro, seu pai.

Antes, Flávio havia dito que não tinha relações com o ex-banqueiro.

Zema e Flávio têm mantido uma relação conturbada na pré-campanha. Emissários do senador dizem, nos bastidores, que tentavam compor com Zema para que ele fosse vice na chapa de Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Perguntado sobre o assunto na semana passada, em Nova York, o ex-governador mineiro foi enfático:

"O único convite que existiu foi o que fiz para Flávio ser meu vice", afirmou Zema a jornalistas, garantindo que levará sua pré-candidatura "até o final".

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