O que o Brasil enxerga para o setor de energia nos próximos dez anos?

Por Rodrigo Polito 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que o Brasil enxerga para o setor de energia nos próximos dez anos?

O setor de energia elétrica, assim como a maioria dos segmentos de infraestrutura, exige planejamento de longo prazo. Os empreendimentos possuem ciclos extensos de maturação, demandam elevado aporte de capital e envolvem riscos regulatórios e de mercado que precisam ser antecipados e mapeados. Por isso, estudos de longo prazo são essenciais, pois oferecem diretrizes por parte do governo e sinalizam aos agentes privados o caminho esperado para a expansão da oferta.

Nesse sentido, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) submeteram para consulta pública, entre fevereiro e março, a versão preliminar do Plano de Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, um dos principais instrumentos de planejamento energético do país.

Crescimento da demanda de energia elétrica

De acordo com o documento, o consumo de eletricidade deverá crescer, em média, 3,3% ao ano nos próximos dez anos, passando de 680 terawatts-hora (TWh), em 2025, para 939 TWh, em 2035.

Regionalmente, o Nordeste apresenta a maior taxa de crescimento projetada, de 3,7% ao ano. Já o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o maior centro de consumo do país, deve avançar 3,1% ao ano.

Do ponto de vista setorial, o destaque é o segmento de comércio e serviços, com crescimento médio anual de 4,7% no cenário de referência. O consumo residencial, por sua vez, deve avançar 3% ao ano, enquanto o setor industrial tem projeção de 2,8% ao ano.

Investimentos e expansão da matriz elétrica

Para atender à expansão da demanda de energia elétrica no Brasil, o PDE 2035 estima investimentos de R$ 374 bilhões em geração centralizada e R$ 106 bilhões em geração distribuída ao longo do período. Esses recursos serão necessários para tirar do papel 110 gigawatts (GW) de nova capacidade instalada, elevando o parque gerador nacional de 249 GW para 359 GW em 2035, um crescimento de 44% em relação ao tamanho atual.

Além da expansão em volume, a composição da matriz elétrica brasileira deverá passar por mudanças relevantes. Embora as hidrelétricas permaneçam como a principal fonte de geração, sua participação deverá cair de 44% para 32% da capacidade instalada do país.

A micro e minigeração distribuída (MMGD), atualmente a segunda maior fonte em capacidade instalada, deve crescer de 40 GW para 78 GW até 2035. Com isso, sua participação na matriz elétrica deve saltar de 16% para 21,8%, consolidando o avanço da geração descentralizada no país.

Expansão da transmissão e fortalecimento do SIN

A expansão da oferta exigirá também o reforço da infraestrutura de transmissão. Segundo o PDE 2035, a extensão do Sistema Interligado Nacional (SIN) deverá crescer de aproximadamente 200 mil km para cerca de 230 mil km em dez anos.

Considerando a construção de novas linhas de transmissão e subestações, os investimentos previstos somam quase R$ 117 bilhões, reforçando o papel da rede para garantir segurança elétrica, integração de fontes renováveis e escoamento da geração em regiões com maior crescimento.

A versão preliminar do PDE indica, então, que o Brasil continuará expandindo de forma significativa sua matriz elétrica, com crescimento consistente da demanda e investimentos expressivos em geração e transmissão.

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