O que o investidor viu de bom no balanço da Hapvida — e fez a ação subir 11%

Por Clara Assunção 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que o investidor viu de bom no balanço da Hapvida — e fez a ação subir 11%

Mesmo com uma forte queda nos principais indicadores financeiros e operacionais no 1° trimestre deste ano, a Hapvida (HAPV3) viu suas ações dispararem no pregão desta terça-feira, 12, do Ibovespa. Os papéis da companhia fecharam em alta de 10,75%, cotados a R$ 12,67, após a divulgação do balanço na noite anterior.

A reação positiva do mercado veio na contramão dos números apresentados pela operadora de saúde. O lucro líquido ajustado caiu 41,4% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de R$ 416 milhões para R$ 244 milhões. O Ebitda ajustado recuou 20%, para R$ 803 milhões, enquanto a margem Ebitda caiu de 13,4% para 10,2%.

De acordo com o balanço, a empresa também continuou perdendo beneficiários. A base de planos de saúde encolheu 114,1 mil vidas em doze meses, chegando a 8,684 milhões de usuários. Enquanto a sinistralidade caixa, indicador que mede quanto da receita é consumida por despesas assistenciais, piorou levemente na comparação anual, passando de 71,8% para 72,2%.

Resultados financeiros vieram menos negativos do que se temia

O principal alívio veio da melhora operacional frente ao quarto trimestre de 2025, considerado particularmente ruim para a companhia. Na comparação trimestral, a sinistralidade caiu 3,3 pontos percentuais, de 75,5% para 72,2%, enquanto o Ebitda ajustado avançou 12,5% e o lucro líquido ajustado cresceu 35,1%.

Para o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), o trimestre foi "acima do esperado" e trouxe "uma melhora inspiradora" após um fim de 2025 bastante desafiador. O banco afirmou que "o ponto de partida da reestruturação pode não ser tão negativo quanto anteriormente temido".

Na avaliação dos analistas do BTG, a melhora da margem Ebitda em 300 pontos-base na comparação trimestral foi particularmente relevante porque "a sazonalidade entre o quarto e primeiro trimestre normalmente não apresenta diferenças materiais". O banco também destacou que a sinistralidade veio melhor do que o esperado e que a geração de caixa ajudou a aliviar preocupações de liquidez no curto prazo.

O Banco Safra também classificou o resultado como "muito acima das expectativas em um cenário de baixa comparação". Segundo o Safra, o Ebitda ajustado ficou 25% acima das estimativas do banco, impulsionado principalmente por um índice de sinistralidade melhor do que o esperado.

"O trimestre tinha uma base de comparação extraordinariamente baixa", escreveram os analistas. A expectativa do Safra era de uma sinistralidade estável em 75,5% e perda líquida de 88 mil beneficiários, mas os números vieram menos pressionados.

A redução na perda de clientes foi outro ponto monitorado pelo mercado. A Hapvida perdeu 44,5 mil beneficiários de saúde no trimestre, número ainda negativo, mas significativamente melhor que a perda de 140 mil registrada no quarto trimestre de 2025.

Segundo o BTG, a melhora foi puxada principalmente pelo segmento corporativo, enquanto planos individuais e de afinidade seguiram pressionados. Regionalmente, o Sudeste continuou sendo o principal foco de deterioração, especialmente em São Paulo.

A receita líquida da companhia cresceu 5,2% na comparação anual, para R$ 7,892 bilhões, sustentada sobretudo pelo reajuste de preços. O ticket médio mensal dos planos de saúde avançou 7,3%, para R$ 305.

A Ativa Investimentos avaliou que o reajuste de ticket médio e o crescimento dos planos odontológicos ajudaram a compensar parcialmente a queda da base de beneficiários. A casa destacou ainda que a sinistralidade, embora ainda elevada frente ao padrão histórico da empresa, veio melhor do que o esperado e impulsionou um lucro acima das projeções.

"Apesar de ainda distante de uma recuperação completa, os resultados sugerem possíveis sinais iniciais de melhora, embora a trajetória ainda seja incerta", escreveram os analistas da Ativa.

O mercado também reagiu positivamente à geração de caixa da companhia. O fluxo de caixa livre foi de R$ 443 milhões no trimestre, com conversão de 81,1% sobre o Ebitda. Após a queima de caixa observada no quarto trimestre de 2025, o resultado foi interpretado como um sinal de estabilização financeira.

Bancos mantêm postura cautelosa sobre ação

Por outro lado, os desafios estruturais seguem no radar dos investidores e analistas. A dívida líquida encerrou março em R$ 5,165 bilhões, alta de 24% em relação ao ano anterior, enquanto a alavancagem subiu para 1,38 vez Ebitda. Os depósitos judiciais cíveis também aumentaram, passando de R$ 934 milhões para R$ 1,041 bilhão em apenas três meses.

Além disso, as despesas administrativas consumiram uma fatia maior da receita, pressionadas por provisões e contingências judiciais. A companhia registrou despesas administrativas equivalentes a 8% da receita líquida, acima dos 5,9% de um ano antes.

Mesmo com a forte alta das ações nesta terça, os bancos mantiveram postura cautelosa em relação à tese de investimento. Tanto BTG quanto Safra reiteraram recomendação neutra para os papéis da Hapvida.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: