O residencial para idosos que nasceu para o avô virou um negócio de R$ 210 milhões
A economia prateada, composta por pessoas acima de 50 anos, deve alcançar R$ 3,8 trilhões da participação econômica brasileira até 2044, segundo o Data8.
De olho nesse avanço, empresários vêm apostando em negócios voltados para a terceira idade – como é o caso do Terça da Serra, franquia de residências sênior, que quer chegar a 200 unidades em 2026.
As inscrições para o Negócios em Expansão 2026 já estão abertas e são gratuitas! Inscreva-se e ganhe assinatura da EXAME e cursos da Saint Paul!
Para isso, a empresa mira em contratos de construção das unidades e na mudança de bandeiras de pequenas redes de residências para idosos.
“Depois de ultrapassar 160 unidades, nosso foco para 2026 é consolidar esse crescimento e chegar a 200 operações no país, mantendo um ritmo de expansão acima de 30% ao ano”, diz Pedro Moraes, sócio-fundador e CFO do Terça da Serra.
Estratégias para chegar a 200 unidades
Após faturar R$ 210 milhões em 2025, o Terça da Serra aproveita o aumento da expectativa de vida no Brasil — que chegou a 76,6 anos em 2024 — para expandir.
“No ano passado, superamos a marca de 100 unidades inauguradas, mostrando que o modelo ganhou escala e atingiu um nível relevante de maturidade dentro do franchising”, afirma Moraes.
Agora, a empresa conta com 160 unidades – 120 em operação e 40 em implantação. Para atingir 200 unidades, a aposta está na diversificação das frentes de expansão.
Um dos pilares são os projetos construídos sob medida, no modelo conhecido como built-to-suit. Nessa modalidade, investidores desenvolvem imóveis específicos para a operação, que depois são ocupados pela rede em contratos de longo prazo. “A gente espera crescer com esse projeto por volta de 30 a 40 unidades adicionais por ano”, afirma.
A rede apostou em residências com “cara de lar” como estratégia para se diferenciar no setor e reduzir a resistência das famílias em relação ao cuidado de idosos fora de casa (Divulgação)
A conversão de bandeiras é outra estratégia para aumentar o número de unidades. O foco está em redes regionais com até cinco unidades que passam a adotar os protocolos e o padrão da marca.
Em Campinas, no interior paulista, o empreendedor diz que já converteu três redes de residências de idosos para o nome Terça da Serra.
“São boas operações que já existem e podem vir a fazer parte do grupo”, explica. “A partir do momento que integram a rede, têm acesso a protocolos e procedimentos e isso melhora a percepção de valor e até o tíquete médio para eles”, diz.
Já consolidada no Sudeste, especialmente em São Paulo, a rede mira expansão no Sul e no Nordeste. No sul, por exemplo, são cerca de seis unidades, mas a capacidade na visão de Moraes é alcançar 50.
O avanço também traz desafios operacionais, especialmente na gestão de equipes e na padronização do serviço em escala. A operação contínua e a dificuldade de encontrar imóveis adequados para expansão estão entre os principais entraves.
“É um negócio que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Diferente de outras franquias, não tem momento em que você fecha e para”, afirma.
Mais escala e unidades maiores
Além do aumento do número de unidades, o crescimento do Terça da Serra vem marcado pela implementação de residências maiores e com capacidade maior de leitos. Saindo de unidades pequenas de até 16 leitos para maiores que chegam a 50.
Ao longo da expansão, a empresa estruturou processos e rotinas que deram mais previsibilidade à operação. “Hoje a gente já tem a segurança de que vai conseguir cuidar de 40, 50 moradores com o mesmo nível de cuidado que a gente dava para 20”, afirma.
Um dos marcos dessa operação está na unidade inaugurada no bairro da Aclimação, na capital paulista, que possui 42 leitos e potencial de ampliação. O residencial de 1,6 mil m² remete a uma mini chácara, com infraestrutura de cuidado e bem-estar e área urbanizada.
O caso não é isolado, a empresa vem investindo em novas unidades com porte semelhante, além da ampliação de unidades já em funcionamento.
Para abrir uma franquia Terça da Serra, o investimento inicial começa em R$ 900 mil, com retorno em cerca de 30 meses.
De uma necessidade familiar a uma rede nacional
A franquia de residências para idosos, que tem unidades espalhadas pelo Brasil, começou como uma operação voltada para o familiar. Joyce Duarte Caseiro, esposa de Moraes e cofundadora da rede, buscava uma casa de repouso para o seu pai em 2016, mas nenhuma cumpria todos os requisitos esperados por ela.
“Ela falou: ‘vou fazer uma casa para o meu avô’. Uma casa pequena, com poucos leitos, pensada do jeito que ele gostaria de viver — com uma sala para ver jogo, espaço para plantas, com cara de lar. Na época, os residenciais tinham muito perfil hospitalar, e a ideia era justamente o oposto: criar um ambiente em que ele se sentisse em casa”, conta Moraes.
A primeira unidade, localizada em Jaguariúna (SP), tinha 14 leitos que rapidamente foram preenchidos. A demanda ainda continuava – fizeram seis unidades próximas na região de Campinas.
Com a percepção de que a franquia seria a maneira de continuar crescendo, começaram a vender unidades em 2017.
A estratégia do Terça da Serra combina expansão via franquias com novas frentes de crescimento, como construções sob medida e conversão de bandeiras (Divulgação)
O crescimento da rede está ligado à combinação entre uma mudança estrutural da população e a adaptação do modelo de negócio ao contexto brasileiro.“Foi um momento de transição demográfica mais efetivo. Ao mesmo tempo, construímos um modelo mais humanizado, com casas menores, porque entendia que o formato de 100 ou 200 leitos não funcionaria”, afirma Moraes.
Outro ponto é a metodologia de cuidado, baseada em protocolos de saúde e acompanhamento contínuo por equipes multiprofissionais. As unidades oferecem alimentação preparada no local e atividades voltadas à estimulação física e cognitiva, além de passeios e eventos externos. O acesso livre dos familiares também faz parte do modelo.
Com as novas estratégias, o Terça da Serra deve crescer entre 30% e 35% em 2026, se aproximando dos R$ 300 milhões.
Além dos residenciais, a empresa também começou a testar um novo modelo de negócio, voltado a centros de convivência para idosos, onde os clientes passam o dia e retornam para casa. A operação está em fase inicial, com oito unidades vendidas, das quais cinco já estão em funcionamento.
“A gente tem uma visão de crescimento que vai além das 200 unidades. Nosso plano é chegar a cerca de 500 operações nos próximos anos, sempre mantendo um crescimento sustentável e baseado na qualidade do cuidado”, diz Moraes.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: