O restaurante da Sotheby's onde clientes leiloam obras entre os pratos

Por Marina Semensato 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O restaurante da Sotheby's onde clientes leiloam obras entre os pratos

A Sotheby's inaugura hoje, 16, o Marcel, restaurante instalado no piso inferior do edifício Breuer, em Nova York, onde os clientes vão poder dar lances em leilões da casa diretamente da mesa.

Em noites de pregão, garçons levarão telefones vermelhos em bandejas para quem quiser fazer ofertas, enquanto iPads acompanham as vendas em tempo real, segundo reportagem do Wall Street Journal.

O restaurante de 104 lugares ocupa o subsolo do prédio brutalista projetado por Marcel Breuer em meados dos anos 1960, na Madison Avenue com a Rua 75. A Sotheby's mudou-se para o endereço em novembro do ano passado, depois que o edifício abrigou por décadas o Whitney Museum of American Art, parte da coleção do Metropolitan e a Frick durante reformas.

Segundo o CEO da casa de leilões, Charles F. Stewart, em declaração ao WSJ, a nova sede triplicou o número de visitantes em relação ao endereço anterior, na York Avenue.

O atrativo principal do Marcel são as obras nas paredes. A casa exibe peças que vão a leilão nas semanas seguintes ou itens emprestados de coleções particulares, todos disponíveis para compra em pregão ou venda privada, com preços de seis a sete dígitos.

Na abertura, os clientes jantam sob "King of Spades", pintura abstrata de Joan Mitchell que foi arrematada por quase US$ 3 milhões na própria Sotheby's em 2004. O acervo inicial inclui ainda trabalhos de Andy Warhol, Alexander Calder, Henri Matisse e John Chamberlain, expostos em vitrines de vidro da fabricante italiana Goppion.

A curadoria da primeira mostra foi feita por Robin e Stephen Alesch, donos do escritório de design Roman and Williams, em parceria com especialistas da Sotheby's. O recorte se concentra em obras dos anos 1960 de artistas americanos, em referência à exposição inaugural do Whitney no edifício, em 1966.

Projeto e cardápio

A Roman and Williams assina também o interior, batizado em homenagem ao arquiteto do prédio. O espaço tem paredes de nogueira, banquetas de mohair em tom cacau, luminárias de bronze e vidro fundido produzidas pela RW Guild, somadas às peças vintage originais desenhadas por Breuer.

O bar é revestido de espelhos e serve drinques em copos japoneses feitos à mão. Vitrines distribuídas pelo salão exibem joias, fragmentos de asteroide e um dente de brontossauro, algumas com apoio para copo.

O cardápio ficou a cargo da chef parisiense Marie-Aude Rose, que também comanda o La Mercerie, outro restaurante dos Alesch em Nova York, em parceria com o chef-executivo Juan Moncalvo.

A culinária, segundo o WSJ, é continental com base francesa: confit de pato, linguado à meunière, escargots, filé de boeuf, lagosta com abacaxi assado e creme de cúrcuma e gengibre. Há ainda um frango à páprica baseado na receita que a mãe de Breuer preparava para o filho.

As sobremesas grandes, batizadas de "Les Grands", incluem o "Le Dome", bolo de sorvete de coco e morango para até quatro pessoas. A carta de vinhos foi montada com a Sotheby's Wine e dá acesso a safras antigas e lançamentos de produtores selecionados pela casa.

O complexo inclui ainda a La Mercerie Patisserie, padaria e café aberto o dia inteiro. O jardim de esculturas original do edifício foi reformulado e passa a servir café da manhã, almoço e jantar entre árvores e obras, com bar ao ar livre.

Telefones vermelhos e sala privativa

A ideia dos telefones vermelhos veio de uma história que o produtor de Hollywood Robert Evans contou a Robin Alesch quando ela era adolescente, sobre aparelhos levados às mesas de um restaurante em Los Angeles. Ela escolheu o mesmo vermelho dos caminhões de bombeiros. "Eu pensei: 'OK, temos que fazer isso. Imagine se essa mesa ganhar, que comemoração'", disse ao WSJ.

A trilha sonora foi assinada por Randall Poster, supervisor musical de longa data de Wes Anderson, em playlists pensadas para variar conforme o dia da semana. Stewart descreveu ao WSJ o perfil do público que pretende atender no Upper East Side, bairro que, segundo ele, vive um momento de renovação e atrai um público mais jovem.

Nos fundos do restaurante há ainda uma sala de jantar privativa com paredes de veludo, projetada para que colecionadores possam pendurar suas próprias obras antes de levá-las a leilão.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: