O sapato de couro caiu no gosto da Gen Z. É o fim dos sneakers?

Por Luiza Vilela 25 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O sapato de couro caiu no gosto da Gen Z. É o fim dos sneakers?

Os lançamentos de coleções das principas marcas de luxo passaram a incluir uma peça em comum: os sneakers. Sinônimos do vestuário da Geração Z, a moda abraçou o estilo mais street nos últimos anos. Mas agora, parece que a tendência voltou para o clássico e duradouro sapato de couro.

Na última semana de moda masculina em Paris, o mesh e o amortecimento tecnológico deram lugar à beleza do couro amanteigado, dos solares pesados e das silhuetas que remetem à alfaiataria clássica. Marcas como Auralee, Our Legacy e Junya Watanabe apostaram nos sapatos mais clássicos, com uma ou outra sofisticação mais moderna.

Até mesmo a Louis Vuitton de Pharrell Williams, embora ainda flerte com o universo esportivo, priorizou mocassins de bico dividido e botas táticas de luxo.

O "novo cool", ao que parece para os jovens adultos, é o derby de camurça ou o mocassim de couro polido. E se juntá-los às meias brancas, um estilo que ironicamente começou nos anos 1950, o look fica ainda mais moderno.

A mudança do streetwear

A mudança reflete um amadurecimento no estilo dos homens da Geração Z, que vêm sendo cobrados pelas mulheres em seus parceiros ou interesses românticos. Vídeos nas redes sociais com composições mais sóbrias e clássicas, com alfaiataria, camisas de algodão e blaisers, estão em alta e despontam como uma moda atraente.

Nessa nova tendência, os sneakers e as calças largas que combinam com eles ficam para momentos e eventos específicos. Já os itens "sartorial flair" e um visual mais clássico e sóbrio entram no dia a dia. Não à toa, o termo "Weejun" (o clássico mocassim Penny Loafer) deixou de ser jargão de nicho para virar vocabulário comum entre os "it-boys" do TikTok, que estão lentamente trocando os Jordans por modelos da Paraboot ou da Gucci.

Para as grandes maisons, investir no couro é uma decisão estratégica. A Gucci construiu parte de seu império com o modelo Horsebit desde 1953, enquanto a Prada viu a linha Monolith tratorada virar um ícone moderno nos pés de Anne Hathaway e Meryl Streep. Fora que retomar a moda clássica é uma maneira bastante segura de navegar no mercado.

Se a moda ficar — como já foi no passado — a transição terá um impacto direto na economia do setor. Segundo dados da Data Bridge Market Research, o mercado mundial de calçados deve saltar para US$ 1,1 trilhão até 2032. E os mocassins são as estrelas desse crescimento: avaliados em US$ 33,4 bilhões em 2023, eles devem ultrapassar os US$ 43 bilhões até 2030.

Chega de consumismo?

A escolha da moda clássica nos calçados também está ligada à economia e à sustentabilidade. Diferente da era dos sneakers, em que o modelo da semana é substituído pelo próximo lançamento, o sapato de couro propõe uma longevidade que o consumidor moderno, focado em sustentabilidade e valor duradouro, começa a exigir.

É difícil saber se a tendência do TikTok e do Instagram vai ser forte o suficiente para fazer o streetwear evaporar do dia para a noite. Mas é um fato que os jovens que inflaram o mercado de revenda de tênis e transformaram o flex culture em um fenômeno global estão crescendo — e o guarda-roupa acompanha essa transição.

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