O sexto sentido dos animais: como cobras e elefantes "previram" terremotos antes dos humanos

Por Diandra Guedes 26 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O sexto sentido dos animais: como cobras e elefantes

Comportamentos incomuns de animais frequentemente são relatados nos dias que antecedem terremotos e tsunamis. Ao longo da história, esses episódios alimentaram a hipótese de que a natureza poderia “antecipar” desastres sísmicos.

Ainda assim, entre relatos históricos e observações modernas, a ciência não encontrou evidências conclusivas de que esses comportamentos sejam capazes de prever eventos desse tipo.

O que diz a ciência?

A pergunta não tem uma resposta definitiva ainda, mas está longe de ser descartada pelos pesquisadores.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o comportamento anormal dos animais nos segundos que antecedem um sismo é explicado pela diferença entre dois tipos de ondas sísmicas.

As ondas primárias (ou ondas P) são as primeiras a ser emitidas por um terremoto e viajam a vários quilômetros por segundo a partir do epicentro.

São mais perceptíveis para os animais e são seguidas pelas ondas secundárias (ondas S), mais fortes, que fazem o solo tremer de forma contínua.

Em outras palavras: os animais podem estar detectando os primeiros sinais do abalo antes que ele se torne perceptível para os humanos.

Há, porém, outra hipótese que vai além dos segundos que antecedem o tremor.

Uma pesquisa publicada na revista científica Physics and Chemistry of the Earth, conduzida por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da NASA (EUA), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Brasil), sugere que os animais sentem mudanças muito antes.

O estudo acompanhou aves e pequenos mamíferos no Parque Nacional Yanachaga, no Peru, nos dias anteriores ao terremoto Contamana de magnitude 7, que ocorreu nos Andes em 2011.

Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes pelas câmeras instaladas no parque. Porém, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o número de avistamentos por animal caiu para cinco ou menos.

E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento de animal foi registrado.

O que explica isso?

A explicação proposta pelos pesquisadores envolve íons e serotonina.

No caso dos terremotos, cargas positivas formadas no subsolo devido ao estresse das rochas migram rapidamente para a superfície, resultando na ionização maciça de moléculas do ar.

Em algumas horas, os íons positivos assim formados alcançam a base da ionosfera, localizada cerca de 70 quilômetros acima do solo, como mostra o Coripa, órgão do poder executivo municipal pertencente à administração pública indireta, cuja missão é trabalhar por um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

É sabido que a maior concentração de íons positivos na atmosfera provoca, tanto em animais quanto em humanos, um aumento dos níveis de serotonina na corrente sanguínea.

Isso leva à chamada "síndrome da serotonina", caracterizada por maior agitação, hiperatividade e confusão.

A hipótese dos pesquisadores é que, para escapar desse estado de desconforto, os animais migram para áreas mais baixas, onde a ionização é menos intensa.

Isso explicaria o sumiço registrado pelas câmeras dias antes do terremoto.

Uma pesquisa mais recente, do Instituto Max Planck de Comportamento Animal (Alemanha), reforçou essa linha de investigação.

O estudo envolveu o rastreamento remoto dos padrões de movimento de vacas, carneiros e cães em uma fazenda na região de Marcas, na Itália, sujeita a terremotos.

Os pesquisadores encontraram evidências de que os animais da fazenda começaram a mudar de comportamento até 20 horas antes dos abalos.

Sempre que os animais monitorados, coletivamente, apresentavam 50% mais atividade por um período superior a 45 minutos, os pesquisadores previram terremotos de magnitude superior a 4,0.

Sete dos oito terremotos fortes foram previstos corretamente dessa forma.

Ainda assim, a ciência pede cautela. Uma revisão feita em 2018, que analisou 700 registros de comportamento de animais antes de terremotos, não foi suficiente para chegar a uma conclusão definitiva sobre o tema.

A dificuldade está em distinguir o que é reação ao terremoto do que são apenas variações normais de comportamento.

Quais animais são mais suscetíveis a sentir a aproximação de um terremoto?

A ciência ainda não tem uma lista fechada, mas alguns grupos se destacam nos estudos e relatos históricos.

Cães e gatos

São os mais citados por tutores ao redor do mundo.

No estudo do Instituto Max Planck, os cachorros ficavam agitados e começavam a latir muito antes dos tremores, enquanto as vacas ficavam paradas e as ovelhas se mostravam desorientadas.

Esses animais possuem um poderoso conjunto de mecanismos sensoriais capazes de detectar minúsculas alterações no ambiente.

Foram, em parte, mudanças súbitas no comportamento das cobras e de outros animais que alertaram as autoridades a evacuar a cidade chinesa de Haicheng, em 1975, pouco antes de um grande terremoto.

Durante o tsunami de 2004 no Oceano Índico, que matou mais de 225 mil pessoas, elefantes correram para terrenos mais altos, flamingos abandonaram áreas de nidificação e cães se recusaram a sair de casa, segundo relatos apurados pela BBC.

Na aldeia costeira de Bang Koey, na Tailândia, habitantes relataram ter visto uma manada de búfalos subitamente levantar as orelhas, olhar para o mar e correr para o topo de um morro próximo poucos minutos antes de o tsunami chegar.

Pássaros e pequenos mamíferos

Foram exatamente essas espécies monitoradas no Peru. Sua extrema sensibilidade ao ambiente torna qualquer variação perceptível — e, ao que tudo indica, isso inclui as alterações eletromagnéticas que antecedem um terremoto.

Em 2011, cientistas constataram que sapos poderiam detectar mudanças químicas na água antes da ocorrência de um tremor.

O estudo foi motivado depois que uma colônia de sapos abandonou um charco na cidade italiana de L'Aquila dias antes de ela ser devastada por um terremoto de magnitude 6,3.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: