O tênis que vai treinar o seu cérebro — e diminuir a ansiedade
Para você, qual a finalidade de calçar um tênis? A resposta mais óbvia é vestir, não ficar descalço. É uma ação tão automática que não há espaço para grandes pensamentos. Mas não é isso que acontece com a nova linha Mind, da Nike: aqui, o ato de calçar é o começo de um processo sensorial que começa nos pés e mexe com o cérebro.
Dez anos separam os primeiros rascunhos dos dois modelos de estreia desenvolvidos pelo hub da gigante americana, lançados agora em fevereiro de 2026. Eles viraram alvo da curiosidade tanto da comunidade sneaker quanto da tecnologia.
A principal novidade é a sola. Em vez de uma superfície contínua de borracha ou espuma, a da Mind é formada por 22 nós independentes, cada um capaz de se mover sozinho contra a planta do pé. O material que os conecta é flexível e impermeável, então cada nó pode responder de forma autônoma às variações do solo.
Ou seja, cada passo traz um estímulo tátil e constante, visto que os pés concentram uma alta densidade de receptores sensoriais. Agora, a Nike usa a neurociência para explorar como o estímulo intencional desses receptores ativa áreas do cérebro ligadas ao foco e à consciência corporal.
A espuma da entressola, macia e responsiva, amortece o impacto sem anular a sensação transmitida pelos nós. A parte superior em malha com perfurações garante respirabilidade, e a palmilha tem tecido elástico para dar aos nós espaço de movimento sem que o interior do tênis perca conforto.
Os dois modelos foram projetados para momentos específicos da rotina do atleta. O Mind 001 é um mule — sem cadarço, fácil de calçar e descalçar —, pensado para o relaxamento pré e pós-treino, e custa cerca de US$ 95.
Já o Mind 002, de US$ 145, tem mais estrutura e ancoragem ao pé, para quem precisa de suporte durante o aquecimento ou a recuperação. Nenhum dos dois foi anunciado para uso durante a atividade esportiva em si, então não é uma linha pensada para o desempenho, pelo menos por enquanto.
Novo laboratório
Por trás dos dois modelos está o Nike Mind Science Department, um laboratório interno composto por neurocientistas especializados em sistema nervoso, atividade cerebral e cognição em movimento.
O grupo estuda como o atleta percebe e processa o esforço — e como o tênis pode intervir nesse sentido. "Se o corpo é o motor e a mente é o motorista, nos primeiros 40 anos nos concentramos no motor", disse Matthew Nurse, diretor científico do laboratório. "Agora, essa mudança nos permite começar a nos concentrar em como tornar o motorista mais perspicaz, mais lúcido e mais eficaz", completou.
O mesmo laboratório está por trás de outros projetos recentes da marca, como o Casaco Therma-FIT Air Milano, peça com câmaras de ar infláveis para controle térmico personalizado que estreia nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 como parte do traje oficial da equipe americana.
O que ainda está em aberto é a escala da proposta. Os modelos anunciados atendem aos atletas que, geralmente, já têm acesso à recuperação e à preparação mental para as atividades. Se a tecnologia vai migrar para tênis de uso durante o treino, ou ganhar versões para o consumidor comum, a Nike ainda não sinalizou.
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