O terminal no aeroporto de Paris que parece um cenário de Wes Anderson

Por Gustavo Frank 16 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O terminal no aeroporto de Paris que parece um cenário de Wes Anderson

A sala de embarque do Terminal 1 do Aeroporto Charles de Gaulle está longe de se parecer com as que habitualmente estamos acostumados a esperar um voo. Veludos, latão martelado, mármore verde, coberturas arqueadas e iluminação quente que transforma o ambiente numa referência direta aos sets do cineasta americano Wes Anderson.

Os designers franceses Hugo Toro e Maxime Liautard tomaram Paris est une fête, do escritor Ernest Hemingway, como ponto de partida conceitual e desdobraram esse universo pelos 5.600 metros quadrados do espaço. O resultado mistura referências da Belle Époque e as composições cromáticas dos grandes trens europeus, com couros, mármores e luminárias que se abrem pelo teto como bouquets de fogos de artifício.

Cada detalhe tem uma referência: os pés das mesas lembram os guéridons dos cafés parisienses, os estofados remetem às brasseries, as coberturas arqueadas em madeira e palha prensada trazem a Art Nouveau de volta a um contexto funcional. A forma circular dos assentos ecoa a arquitetura do próprio Terminal 1, o edifício circular projetado por Paul Andreu nos anos 1970.

Três anos fechado

Banquetes de couro vermelho-tijolo e luminárias de latão que se abrem pelo teto como hastes de fogos de artifício: detalhes da sala de embarque projetada pelos designers Hugo Toro e Maxime Liautard no Terminal 1 do Charles de Gaulle (Karel Balas/Divulgação/Groupe ADP)

O terminal esteve fechado de março de 2020 até dezembro de 2022, inicialmente por conta da pandemia. O grupo Aéroports de Paris (ADP) aproveitou o período para uma reforma de €250 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão, que incluiu a criação de um novo edifício de junção com 36 mil metros quadrados, além da modernização do corpo central com piso de mármore, sinalização digital e iluminação em LED.

A sala de embarque em si é parte do novo conceito Extime, marca de hospitalidade do Groupe ADP lançada junto com a reabertura. A ideia, nas palavras de Caroline Blanchet, diretora de marketing do grupo, era transformar o tempo de espera em algo que o passageiro escolhesse viver, não apenas suportasse.

Homenagem a Paul Andreu

Vista aérea dos 5.600 metros quadrados da nova sala de embarque do Terminal 1 (Karel Balas/Divulgação/Groupe ADP)

O Terminal 1 original foi inaugurado em 1974 com projeto do arquiteto Paul Andreu, estrutura circular com sete satélites ao redor de um corpo central. Hugo Toro, que assina também o design dos restaurantes Gigi, em Paris, disse querer criar "algo mais doméstico que fosse uma homenagem a Paul Andreu". A intervenção preservou o espírito da edificação enquanto reorganizou completamente a infraestrutura. Hoje há uma única entrada para a zona internacional, onde antes eram quatro túneis separados.

Nos corredores de acesso à sala de embarque, o fotógrafo Jean-François Rauzier instalou uma sequência de reproduções de monumentos parisienses compostos de forma surrealista. Na área pública do nível de embarque, uma outra exposição presta tributo ao trabalho de Andreu por meio de obras efêmeras feitas na areia por sessenta arquitetos.

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